José Leandro

José Leandro chegou ao Sporting no defeso de 1921 proveniente dum modesto clube lisboeta – o Palmense FC.

Estreou-se oficialmente (com o treinador Augusto Sabbo e simultaneamente a Filipe dos Santos) no dia 13 de Novembro de 1921, no Campo Grande, numa receção ao CIF (3-0) para a 1ª jornada do Campeonato Regional. Na ocasião fez também o seu 1º golo. Nessa 1ª temporada foi o titular na posição de extremo-esquerdo, estando presente nas decisões do Regional (que o Sporting venceu pela 3ª vez) e do 1º Campeonato de Portugal.

Na temporada seguinte as coisas correram ainda melhor! Para além de ter mantido o seu estatuto na equipa, José Leandro pôde festejar não só o 4º Regional para o clube como a conquista do 1º Campeonato de Portugal da História do Sporting!

Augusto Sabbo mudou de ideias no ano que se seguiu, colocando agora José Leandro como médio-direito, posição na qual o futebolista leonino voltou a dar boa conta. Julius Lelovitch (o treinador em 1924/25) foi da mesma opinião, e os leões conquistaram o seu 5º Regional.

Mantendo uma impressionante regularidade com presença em quase todos os jogos oficiais ao longo dos anos, José Leandro foi ainda mais recuado no terreno para 1926/27 (Augusto Sabbo regressara ao comando técnico da equipa) – agora jogava como defesa-direito, fazendo dupla com Jorge Vieira. A 27 de Março de 1927 fez o seu último golo pelo Sporting – num jogo de má memória (derrota por 3-1 que decidiu o Regional a favor do Vitória de Setúbal). Nas duas épocas que se seguiram passou a suplente – de António Penafiel em 1927/28 e de João Jurado em 1928/29. Parecia ter acabado a carreira aí, mas, curiosamente, ainda fez mais um jogo oficial anos depois, a 8 de Janeiro de 1933 – um importante Sporting-Casa Pia para o Regional que terminou empatado a zero.

Sendo assim, José Leandro jogou 9 temporadas na equipa principal do Sporting, alinhando em cerca de 70 jogos oficiais e marcando 4 golos. Ganhou 1 Campeonato de Portugal e 4 Campeonatos Regionais de Lisboa. Foi sobretudo um “operário” para a equipa, tendo alinhado em todos os setores com a mesma desenvoltura e disponibilidade.

Sobre ele, Cândido de Oliveira referiu a determinada altura que era “a verdadeira coluna do Sporting, com um futebol de força e rigor tirado a esquadro.” É  curiosa a referência à coluna e ao esquadro, elementos integrantes da simbologia carbonária. O pai de Leandro foi carbonário e, apesar do natural secretismo, o Mestre sabia que o jogador era, igualmente, “devoto” de S. Teobaldo, conde de Champagne.

Apesar de na sua altura o futebol não ser ainda assumidamente profissional, José Leandro era um dos recebia, e utilizou desse dinheiro para contribuir de forma importante para o salário de um professor da Escola Primária de Arroios. No arquivo dessa Escola consta uma emotiva e expressiva declaração sobre Leandro: “Mais do que um tutor, era um irmão, um irmão mais velho que zelava por nós e se preocupava com a instrução dos nossos jovens.”

José Leandro sempre foi um cidadão especial. Praticou o espírito filantrópico e defendeu o aperfeiçoamento intelectual da sociedade e, apesar de possuir apenas escolaridade básica, sempre procurou através da leitura adquirir os conhecimentos que considerava essenciais, recorrendo às Bibliotecas Populares e Móveis da 1ª República que, na linguagem da época, visavam “derramar a luz da instrução entre as camadas populares”!

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