Martinho de Oliveira

Martinho Andrade de Oliveira nasceu em Lisboa. Começou por dar nas vistas no Sporting na Natação. Em Setembro de 1923 sagrou-se mesmo Campeão de Portugal na estafeta de 4X200 metros livres ao lado de Francisco Leote, Sebastião Herédia Jr. e Emile Renou.

No futebol, estreou-se oficialmente (com o treinador Julius Lelovitch) a 21 de Junho de 1925 em jogo da meia-final do Campeonato de Portugal ganho ao Olhanense por 1-0. Depois jogou a final, perdida para o Porto por 2-1, numa época em que os leões se sagraram Campeões Regionais.

Na temporada seguinte já foi totalista, realizando todos os 14 jogos oficiais da equipa como médio-esquerdo, o mesmo acontecendo em 26/27, época na qual apontou o seu 1º golo, a 30 de Janeiro de 1927, num empate (2-2) com o União Lisboa para o Regional.

Futebolista polivalente, jogou em 27/28 (época em que chegou a internacional português) como médio-direito numa temporada em que os leões comemoraram o seu 6º título regional. No ano seguinte uma mudança ainda mais radical – Charles Bell colocou-o a defesa-esquerdo numa época em que Jorge Vieira praticamente não jogou. Em 29/30 o grande capitão leonino voltou a ser regularmente utilizado, pelo que Martinho derivou para o lado direito da defesa, onde continuou a produzir excelentes prestações.

Em 1930/31, sob a orientação de Joaquim Filipe dos Santos, o Sporting foi Campeão Regional pela 7ª vez. Martinho de Oliveira esteve em grande plano como defesa-direito, chegando inclusivamente ao posto de capitão de equipa e realizando todos os jogos.

Em 1932 e 33, com Arthur John e Rudolf Jeny, jogou muito pouco (e como defesa-esquerdo), realizando a última partida a 22 de Janeiro de 1933 – um Sporting-Chelas (7-1) para a 8ª jornada do Regional.

Assim, Martinho de Oliveira totalizou 9 épocas de utilização na equipa principal do Sporting. Alinhou cerca de 95 vezes em partidas oficiais e marcou 2 golos. Ganhou 3 Campeonatos Regionais. Foi 6 vezes internacional A.

Ficou conhecido por ser um jogador temperamental e muito supersticioso. Quando os desafios eram duvidosos e não jogava, encanelava o cavalo a verde, punha-lhe dois leões de prata na cabeçada, metia no bolso uma garrafa de água e duas hóstias de aspirina e, colocando-se por detrás da baliza adversária, aguardava sereno os acontecimentos, certo de que o bucéfalo ia “chupar” as bolas de forma a entrarem nas redes!

Em 1931 recebeu a Medalha de mérito e dedicação, condecoração atribuída por altura das comemorações das Bodas de Prata do Sporting, e foi também considerado Sócio de mérito.

Ano mais tarde ocupou diversos postos como dirigente sportinguista. Foi Vogal da Direção de Joaquim de Oliveira Duarte em 1935/36, suplente do Conselho Fiscal entre 1936 e 1942, Relator do mesmo orgão quando este era presidido por Jorge Leitão (na gerência 1943/44), e Vice-Presidente para as Atividades Desportivas com Cazal-Ribeiro em 1957 e 1958.

Em 1947 chegou a fazer parte duma Comissão Técnica que liderou a Seleção Nacional de futebol.

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