Sousa Cintra

José de Sousa Cintra nasceu a 26 de Outubro de 1944 em Raposeira – Algarve numa família humilde. Desde muito cedo mostrou uma  “queda” fantástica para o negócio. Vendeu caracóis, aguarelas, foi ascensorista no Hotel Tivoli em Lisboa. Depois voluntariou-se para a Marinha onde esteve 4 anos. Após o 25 de Abril viu-se sem alguns bens mas rapidamente recuperou e tornou-se um empresário de grande sucesso no ramo das águas.

Chegou a presidente do Sporting em Julho de 1989 (eleições participadíssimas) numa altura em que os leões viviam uma das suas maiores crises de sempre na sequência da presidência de Jorge Gonçalves, e por lá permaneceu até Junho de 1995.

Construiu grandes equipas de futebol mas nunca conseguiu ganhar um único título oficial – mesmo a Taça de Portugal conquistada em 1995 aconteceu alguns dias depois de ter saído da presidência – para onde entrou Pedro Santana Lopes. Nas outras modalidades o clube teve grandes sucessos. Com ele o Sporting ganhou 5 Taças dos Campeões Europeus de Crosse, uma Taça das Taças de Hóquei em Patins, começou a pontificar no Futsal, teve o seu melhor período de sempre no Voleibol e consolidou o domínio no Ténis de Mesa, entre outros cometimentos.

Muito ambicioso, e focando-nos no Futebol. começou por ter um papel decisivo em segurar “as jóias da coroa” – Figo e Peixe, que, ao que constava, estariam a caminho do Benfica.

Depois, durante os seus mandatos, contratou para o Sporting nomes  com algum “peso” nacional e internacional (Ivkovic, Gomes, Luizinho, Balakov, Yordanov, Valckx, Juskowiak, Paulo Sousa, Pacheco, Vujacic, Marco Aurélio, Naybet e Amunike – entre outros) e também jovens com grandes perspetivas de futuro (como Filipe, Nelson, Capucho, Cherbakov, Costinha, Sá Pinto e Pedrosa). Fascinado pelos títulos mundiais de sub-20 conquistados por Portugal em 1989 e 1991, tentou transportar esse “élan” para o Sporting, e daí a contratação de Carlos Queiroz em Dezembro de 1993, tendo para isso de despedir Bobby Robson. Antes já contratara treinadores como Manuel José, Raúl Águas e Marinho Peres.

O seu discurso fazia transparecer as suas origens humildes e para muitos não se adequava ao “ADN” do Sporting. Não tinha qualquer pejo em criticar quem quer que fosse, “comprou” ou não recusou “guerras” com o Benfica e com as instituições que dirigem o futebol nacional.

Foi um presidente do Sporting “à moda antiga” – apaixonado, vibrante, facto que em largos anos seguintes (mais concretamente até à eleição de Bruno de Carvalho – um presidente também “apaixonado”) causaram nostalgia em muitos sócios e adeptos que viram o clube ser dirigido sem chama e sem paixão…

Ganhou 2 Prémios Stromp na categoria “Dirigente” em 1990 e 1993.

Depois de sair do Sporting passou a ser mais notado pelos seus investimentos no ramo das cervejas.

Anos mais tarde a sua postura em relação ao Sporting dececionou muitos daqueles que admiravam a sua paixão pelo clube, pois mostrou-se constantemente conivente com as direções que praticamente levaram o clube à ruina financeira e desportiva… No entanto, depois, também a sua voz se fez ouvir no apoio a Bruno de Carvalho, que “revolucionou” o clube marcando uma clara quebra, a todos os níveis, em relação aos seus antecessores.

Post to Twitter

Deixe o seu comentário