António Faustino – Um dos primeiros grandes especialistas nas “bolas paradas”

António Garcia Faustino nasceu a 27 de Janeiro de 1910 em Santarém. O pai não o queria futebolista de maneira nenhuma e era o próprio Faustino a dizer: “Ele contrariando-me e eu contrariando-o. Minhas orelhas, às vezes, serviam-lhe de pushing-ball e a cara aquecia-me com frequência…  A pouco e pouco, à força de lhe dizerem que eu fazia coisas, começou a sentir despertar o orgulho paternal. Um dia, pela calada, foi ver-me jogar”.

E para ver a que ponto chegou o seu entusiasmo, basta citar-lhe o seguinte episódio: “Os Leões (de Santarém) deslocaram-se a Badajoz e meu pai foi na caravana. No decorrer do prélio levei uma tremenda cotovelada na boca que me entortou dois dentes, sinal que ainda tenho. Como é natural fiquei inanimado. Pois meu pai, aflitíssimo, numa dedicação rara, foi a correr buscar-me uma sanduiche e um copo de vinho, se calhar por julgar que eu me rendera por fraqueza!”

Chegou ao Sporting no defeso de 1931 proveniente dos Leões de Santarém, e a 10 de Janeiro de 1932 fez a sua estreia oficial (com o treinador Arthur John) na equipa principal  numa receção ao Luso do Barreiro (10-2) para o Campeonato Regional. Marcou o 1º golo a 28 de Fevereiro numa derrota por 3-2, na 2ª volta da competição, frente ao mesmo adversário.

Rapidamente ganhou estatuto de titular quase indiscutível, e só vários anos depois, na sua última época no Sporting, dividiu o estatuto de médio-esquerdo da equipa com um “tal” de Manecas que começava a “aparecer”.

Em 1933/34 conheceu finalmente o sucesso coletivo quando a equipa orientada por Rudolf Jeny fez a “dobradinha” da altura – Campeonato Regional e de Portugal, tendo realizado 15 dos 17 jogos oficiais da época. No ano seguinte voltou a ser Campeão Regional e em 35/36 conquistou nova “dobradinha”, agora sob o comando de Wilhelm Possak.

1936/37 foi a sua última época no Sporting, e despediu-se com mais um título, o de Campeão Regional. A 7 de Março fez o seu último jogo de verde e branco (4-0 ao Leixões para o Campeonato da Liga), curiosamente no mesmo dia em que se estreava outro futebolista que viria a “dar cartas” de verde e branco – Aníbal Paciência. O último golo marcara-o no início da época, numa vitória histórica por 5-0 no terreno do Benfica para o Regional (a 18 de Outubro de 1936 – e com a curiosidade de no mesmo jogo ter marcado pela 1ª vez João Cruz – que também ele se tornaria uma das figuras da História do futebol leonino).

Assim, António Faustino jogou um total de 6 temporadas na equipa principal do Sporting. Realizou pouco mais de uma centena de jogos oficiais pelo clube e marcou 23 golos. Ganhou 2 Campeonatos de Portugal e 4 Campeonatos Regionais.

Na altura em que jogou era considerado para muitos o melhor marcador de livres de todos os tempos. Também se destacava pelo excelente jogo de cabeça.

Foi uma grande esperança do futebol sportinguista e português, chegou a ter posição de muito relevo no Sporting, mas nunca chegou ao top (a nível nacional) porque, segundo a imprensa da época: “sempre teve uma vida de estroina incorrigível no tempo em que jogou à bola!”

Dele próprio afirmava que nunca chegou a internacional porque só jogava com um pé (o esquerdo)!

Faustino era um feroz opositor do profissionalismo: “Entendo que o profissionalismo, franco, aberto, em Portugal não surtia efeito. A educação dos nossos jogadores brigaria com esse regime. Para muitos, o profissionalismo seria um convite ao sedentarismo. O seu trabalho era jogar o futebol. Implicitamente que não precisariam nenhum outro emprego, pensariam eles. E como se não passa o dia agarrado à bola ou fazendo ginástica, o resto do tempo seria aproveitado ou para a pândega ou para a mândria. Acho graça quando leio que o jogador X ou Z reclama o profissionalismo. Amanhã, neste sistema, prevaricando e sendo castigado, revoltar-se-ia, quase se tornando um inimigo público… Portanto, a solução é ficar como está. Todos recebendo, mas ninguém profissional…” – e na altura destas declarações os jogadores do Sporting recebiam entre 500 e 1.000 escudos mensais, o que era uma boa quantia na época!

Morreu na data de aniversário do Sporting – 1 de Julho, em 1970.

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Comments (4)

 

  1. sporting canal says:

    Ótimo. Ficamos muito contentes:)

  2. maria dos anjos faustino says:

    É tudo verdade o que aqui dizem sobre o meu Pai. Nunca o vi jogar, mas ouvi estas histórias todas, pois foi sempre muito ligado ao futebol e adorava o Sporting. Estranhamente até faleceu no dia 1 de Julho que é o dia da Fundação do Club. Gostei de ver esta publicação, pois os bisnetos (um já joga nas Escolinhas do Sporting) vão gostar de ver que o Avô era mesmo um bom jogador.

  3. Catumbelaabiliobranquinholopes says:

    Ainda me lembro do Faustino.

  4. Catumbelaabiliobranquinholopes says:

    Nesse tem jogava-se por amor à camisola e não se víam os “saltos” dos futebolistas, de um clube para o outro

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