Clássico que redundou num grande espectáculo

20 de Janeiro de 1975. Nesse dia o Sporting conseguiu a sua única vitória da época perante um dos outros grandes. O Campeonato não estava a correr bem. O Sporting ia a 4 pontos do FC Porto, 3 do Benfica e 1 do Vitória de Guimarães, pelo que vencer era imperioso numa equipa que parecia em franca recuperação. O jogo correspondeu às expetativas. Foi excelente.

O técnico Fernando Riera escalou a seguinte equipa: Damas; Manaca, Bastos, Alhinho e Carlos Pereira; Fraguito (reaparecera pouco antes após uma lesão que lhe “roubou” mais de 1 ano à carreira), Vagner (cap) e Nélson; Marinho, Yazalde e Chico (Paulo Rocha).

Com o Estádio Alvalade cheio, o Sporting-FC Porto foi um “jogaço” daqueles a que já não se assistia há muito tempo em Portugal. Eletrizante é o termo correto para aplicar a uma partida na qual ambas as equipas arregaçaram as mangas do 1º ao último minuto.

Na 1ª parte houve um futebol espetacular no qual o Sporting jogou em ataque continuado e o FC Porto dando uma lição de como se deve jogar em contra-ataque. Os leões fizeram mesmo um “futebol total” com constantes trocas de flanco, passes de primeira, desmarcações constantes e muita velocidade.

O Sporting marcou o 1º golo da partida a 4 minutos do intervalo. Um livre foi marcado na esquerda por Vagner com um pontapé longo para o flanco contrário onde, já muito perto do poste, Nélson cabeceou muito bem, de cima para baixo, enviando o esférico para o lado contrário sem hipóteses de defesa para Tibi.

Era humanamente impossível manter o ritmo nos segundos 45 minutos, mas a partida manteve-se de grande nível. O Sporting tirou um pouco o “pé do acelerador” e os portistas empataram aos 59 minutos numa grande jogada de Oliveira, que rematou bem no ângulo sem hipóteses para Damas. Pensou-se que o Sporting se abalaria, mas puro engano. Os leões voltaram à rotação máxima e aos 68 minutos voltaram a adquirir vantagem. Chico fugiu pela esquerda, centrou por alto, Nélson não chegou, mas Yazalde aplicou um remate magnífico de pé esquerdo que fez a bola entrar sem remissão.

Até final os leões continuaram a ser mais dominadores mas nunca chegaram ao golo da tranquilidade em virtude da grande valia da equipa portista, que perdeu aqui a liderança do Campeonato Nacional mas deu mostras de muita classe.

O Sporting de Fernando Riera (substituira Osvaldo Silva no comando técnico, tendo o ex-treinador, com grande humildade, mostrado-se feliz por poder continuar a trabalhar em Alvalade) parecia começar a ser um “caso sério” sob a batuta de Vagner (na foto). Para o treinador sportinguista: “Este foi um jogo muito bom no qual o resultado diz tudo. O nosso grande mérito foi ter vencido uma equipa que também jogou muito bem. Estamos a subir de jogo para jogo, mas na corda bamba, pois também dependemos dos outros”.

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