Uma vitória redentora nas Antas

7 de Fevereiro de 1965. O Sporting, no 6º lugar do Campeonato, deslocou-se às Antas para uma partida muito importante para os 2 emblemas, pois se um procurava ameaçar o Benfica na luta pelo título, o outro tentava subir para uma classificação mais de acordo com os seus pergaminhos.

Tudo estava a correr mal para o futebol do Sporting. Logo no 2º jogo oficial da época os leões perderam pela 1ª vez em casa com uma equipa da 2ª divisão, o Marinhense – em jogo a contar para a 1ª eliminatória da Taça de Portugal, e o que valeu foi que na Marinha Grande os sportinguistas haviam goleado.

Para o Campeonato Nacional, apesar da novidade Carlitos (cuja contratação muita tinta fez correr por discordâncias sérias com o Belenenses), os maus resultados sucediam-se, com realce para a derrota em Torres Vedras por 3-0 à 9ª jornada quando os donos da casa somavam 8 derrotas (!). A competição europeia já lá ia (eliminação aos pés do Cardiff City), e depois de Anselmo Fernandez e Jean Luciano, já era Juca a orientar a equipa.

A verdade é que, numa época miserável, o Sporting arrancou a sua melhor exibição no terreno dos portistas. O Estádio estava cheio e a temperatura amena num dia magnífico de Sol.

O Sporting jogou com: Barroca; Pedro Gomes, Alfredo, José Carlos e Hilário; Mendes (cap) e Ferreira Pinto; Morais, Carlitos, Osvaldo Silva e Lourenço.

Os verde e brancos entraram em jogo com um futebol suave e elegante, fazendo correr a bola de pé para pé o que confundiu totalmente a equipa portista. O Sporting abriu o ativo logo aos 10 minutos. No flanco esquerdo Osvaldo Silva recebeu a bola devido a uma intervenção infeliz de Festa. O brasileiro não se fez rogado e arrancou em velocidade, driblou Pinto, entrou na área, e de ângulo já muito complicado desferiu um potente remate que bateu Rui – um golaço!

O intervalo chegou com 0-1, mas logo aos 49 minutos Carlitos galgou terreno pela direita, entrou na área, e apesar de rodeado por adversários conseguiu descobrir Lourenço a quem endossou o esférico para este concluir um golo fácil.

Aos 60 minutos os leões arrumaram a questão. Osvaldo Silva sofreu uma falta à entrada da área. O mesmo brasileiro encarregou-se de apontar o livre mas a bola bateu na barreira, ressaltando depois para Carlitos, que de pronto cruzou para a esquerda onde surgiu, oportuníssimo, Lourenço, a desviar a bola de Rui.

Só a 3 minutos do fim a equipa local conseguiu amenizar a derrota. O lance começou numa jogada individual de Nóbrega, que assistiu Carlos Manuel, para este, descaído sobre a esquerda, rematar potente de pé direito sem quaisquer hipóteses para Barroca.

Em suma, o Sporting conseguiu mostrar nesta tarde de Domingo todo o potencial do seu futebol (que tão escondido andava) atuando com grande classe e mostrando o talento individual dos seus futebolistas. A vitória por 3-1 foi certíssima para o futebol produzido.

Osvaldo Silva, com uma grande exibição, referiu no final: “O Sporting foi superior em todos os aspetos. 3 ou 4 a zero era o resultado ideal, até porque o golo que sofremos não foi mais que um descuido nosso. Apesar de tudo o FC Porto é uma equipa jovem e excelente, mas falta-lhe experiência para ser temível. O árbitro perdoou aos portistas duas grandes-penalidades, ambas cometidas sobre mim”.

Na equipa leonina Alfredo foi excecional em termos defensivos, num conjunto em que diversos jogadores brilharam (para além dos já citados), como José Carlos, Mendes e Lourenço (na foto).

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