1991 – Gémeos Castro magníficos num dificílimo título europeu de Crosse

10 de Fevereiro de 1991. O Sporting venceu pela 11ª vez a Taça dos Campeões Europeus de Crosse, 3ª consecutiva,  em Margnane (a 40km de Marselha).

Domingos e Dionísio Castro cortaram a meta com o mesmo tempo. Entre 20 equipas, o Sporting somou 25 pontos contra 28 dos espanhóis do Alicante.

A forma como decorreu a prova tornou este um dos mais difíceis triunfos de sempre e a vitória esteve em dúvida até muito perto do final. A corrida (de 10.845 metros) decorreu sobre um piso muito duro, com desníveis muito acentuados e o vento característico daquela zona de França. O Benfica, que ficou em 3º lugar, tentou comandar as operações de início, e tudo indicava que só uma forte reação dos leões os poderia levar ao triunfo. A pouco e pouco os manos Castro começaram a controlar a situação, mas para que a vitória fosse possível os seus companheiros teriam de se posicionar bem. À entrada para a última volta os espanhóis e os sportinguistas tinham os mesmos pontos, mas “nuestro hermanos” fechavam primeiro a equipa, pelo que estavam à frente. O Benfica, entretanto, começava a ceder. Moniz Pereira “empurrou” então os seus restantes atletas para a frente, e com grande esforço, Alberto Maravilha entrava nos 10 primeiros, enquanto Eduardo Henriques e João Junqueira se intrometiam entre os quartos homens adversários. Nos últimos metros da derradeira volta a vitória foi garantida “a ferros”. O numeroso público rendeu-se ao valor dos gémeos Castro, que no final viram os seus rostos inundados de lágrimas. As classificações dos leões: Domingos Castro (1º), Dionísio Castro (2º), Alberto Maravilha (9º), Eduardo Henriques (13º) e João Junqueira (14º).

Os símbolos e bandeiras sportinguistas não faltavam e o final foi apoteótico. Moniz Pereira estava em vésperas do seu 70º aniversário. Durante a prova sofreu bastante: “Foi a melhor prenda de anos que me poderiam dar e a que eu mais queria. Uma vitória difícil e suada, de verdadeiros leões. Sempre acreditei que os 2 primeiros seriam os Castro. Aí nunca tive qualquer dúvida”.

Domingos e Dionísio dedicaram a vitória ao professor, sentimento partilhado por todos os companheiros. Tudo terminou em apoteose e festa, e mais um título europeu estava conquistado para as vitrines leoninas.

Poucos dias depois Moniz Pereira foi homenageado pelo Estado português, que o condecorou com a Medalha do Infante. Ofereceu a Mário Soares a caixinha do jogo do botão com que ambos jogavam nos seus tempos de meninos, e no discurso de agradecimento afirmou: “Gostei muito deste bocadinho,  mas amanhã há treino às nove e meia”. O “senhor Atletismo” no seu melhor!

Post to Twitter

Deixe o seu comentário