Conde de Monte Real em 2º no Rali de Monte Carlo!

13 de Fevereiro de 1951. A direção do Sporting homenageou os concorrentes portugueses, pertencentes à sua massa associativa, presentes no Rali de Monte Carlo.

Durante a 1ª metade do mês decorrera a prova automobilística internacional, de grande envergadura, à qual concorreram 372 dos melhores “volantes” de todo o mundo.

Jorge (ou Conde, como era mais conhecido) de Monte Real participou pela 1ª vez neste evento. A competição teve 3.200km, muito acidentados e em más condições atmosféricas. Surpreendentemente o Conde de Monte Real conseguiu um 2º lugar na tabela final, deixando atrás de si quase todos os favoritos, chamando a atenção da Europa para o Automobilismo português.

Monte Real queria alinhar com um Alard, mas a inscrição não foi permitida em virtude daquele carro não ser inteiramente construído na mesma fábrica. Optou então por um Ford que pertencia a Manuel Palma (um dos seus companheiros de viagem, além do Marquês de Fronteira).

Segundo o jornal “Sporting”: “Apesar de ter já mais de 100.000km o Ford teve um comportamento brilhantíssimo. A viagem começou em Lisboa, e logo aos 20km o dínamo deixou de carregar… a correia da ventoinha tinha-se partido. A temperatura atingiu o máximo (e ainda iam em Setúbal), era a bomba de água que estava rota, e só duas horas depois, após reparação numa oficina de Setúbal, a avaria estava superada. De Setúbal a Badajoz o percurso foi cumprido em uma 1h40m, à média de 100km/h. De Badajoz para Madrid correu-se de noite, mas a 40km de Madrid surgiu um nevão. O almoço na capital espanhola foi muito curto, e daí a viagem seguiu para Burgos, S.Sebastian e Paris. O trio da Ford ia passando por todos os controlos sem penalidades, mas era ainda necessário atravessar os Alpes, missão muito difícil devido aos rigores do clima, com neve, chuva, vento e nevoeiro cerrado. Adiante de Le Puy os 3 portugueses perderam-se na noite medonha e fria, até que, com uma lanterna elétrica de mão, encontraram a tabuleta salvadora que dizia Rali de Monte Carlo.

Dos 363 concorrentes que partiram das várias capitais da Europa apenas 108 chegaram sem penalização a Monte Carlo. Já lá, veio a prova de aceleração e travagem, muito importante para a classificação final. O Conde Monte Real fez sentar os seus 2 colegas no banco de trás (era obrigatório toda a equipa participar) para conseguir maior equilíbrio no carro, e conseguiu o 3º lugar. No Domingo seguinte correu-se a prova de Velocidade. Enquanto o Ford do Conde Monte Real não atingia mais de 120 ou 130km/h, os Derayé ou Talbot chegavam a 160 ou 170km/h. O sportinguista fez a prova sozinho, tendo de ir atento à condução e à cronometragem do circuito. 3 carros estavam em pista ao mesmo tempo e a dada altura o Conde de Monte Real teve de usar o claxon para ultrapassar um estrangeiro que lhe barrou a passagem até à entrada do túnel. Pediu para repetir a prova e conseguiu uma brilhante passagem para o 2º lugar.

O vencedor do Rali acabou por ser o francês Trevoux, num Delayé, tendo ficado dúvidas sobre a legalidade do seu carro, pois, segundo Gautruche, outro corredor francês, o seu motor não era de fabrico normal pois tinha sido construído especificamente para as 24 horas de Le Mans. No protesto juntaram-se ao francês o Conde de Monte Real e Nunes dos Santos (outro piloto português), mas acabaram por dele desistir pois o Automóvel Club do Mónaco levantou grandes dificuldades à verificação do motor. Ficou assim, para a História, um brilhante 2º lugar dum piloto português no Rali de Monte Carlo.”

Na festa em honra dos concorrentes portugueses,Ribeiro Ferreira, presidente leonino, abraçou o Conde de Monte Real a quem entregou a taça “Sporting”. Jorge de Melo e Faro (conde de Monte Real) agradeceu as homenagens do Sporting, tendo palavras de muito apreço para a atuação de todos os outros concorrentes portugueses, que tão brilhantemente honraram o Automobilismo nacional.

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