Goleada ao FC Porto em tarde de luto

15 de Fevereiro 1953. O Sporting estava em luto pela morte (2 dias antes) do seu presidente, António José Ribeiro Ferreira, mas havia que defrontar o FC Porto, em Alvalade, para a 17ª jornada Campeonato Nacional. Os nortenhos eram, aliás, o único adversário que parecia poder fazer frente ao Sporting na luta pelo título. Os leões tinham 3 pontos de avanço dos azuis e brancos, e em Alvalade jogou-se muito na luta pelo cetro máximo do futebol português.

Orientado por Randolph Galloway, o Sporting jogou com: Carlos Gomes; Caldeira e Pacheco; Barros, Passos e Juca; Galileu, Vasques, Martins, Albano e Fernando Mendonça.

Com as equipas alinhadas para o pontapé inicial guardou-se um minuto de silêncio em homenagem à memória do antigo presidente leonino. O Sporting começou a partida em bom ritmo, e aos 20 minutos inaugurou o marcador. O golo resultou dum livre bem executado por Albano, que em vez de rematar (como todos esperavam), tocou para Martins que se desmarcava sobre a direita e que rematou de surpresa por entre as pernas de Barrigana. 6 minutos se passaram e os portistas chegaram à igualdade. Quim arrancou um “bico” a 25 metros da baliza que surpreendeu todos, inclusivé Carlos Gomes. Aos 37 minutos o Sporting voltou à liderança do marcador por Vasques, de cabeça, na sequência de mais um livre, e já perto do intervalo, de novo na sequência dum livre, Martins recebeu a bola pela meia-esquerda e à saída de Barrigana atirou para o melhor sítio.

A vantagem já dava margem para algum conforto no descanso, mas na 2ª parte a partida continuou na mesma toada de domínio sportinguista. Ainda assim, só a um quarto-de-hora do fim o marcador voltou a funcionar, com Martins a fazer o seu 3º golo e o 4-1 do jogo com um remate fulminante a concluir a melhor jogada de todo o encontro, bem conduzida por Galileu até à linha de cabeceira, a que se seguiu um centro com toda a habilidade para o artilheiro sportinguista. A 1 minuto do fim Albano fechou a conta em 5-1, de penalty, castigando falta de Carvalho sobre Galileu.

Com este triunfo “gordo” o Sporting decidiu, praticamente, a questão sobre o título nacional. Segundo o jornal “A Bola”: “ganhou sem precipitações e sem precisar sequer de ´carregar muito no acelerador`. A diferença de homogeneidade entre as duas equipas ficou bem patente. O Sporting foi mais autoritário na defesa e mais suave e ligeiro na linha da frente. Martins, Vasques e Galileu fizeram grandes exibições, e o extremo-direito surpreendeu por mais uma tarde em cheio.” De facto Galileu (na foto) prometia muito, e não faltavam aqueles que viam nele o sucessor perfeito para Jesus Correia, mas o tempo não viria a confirmar essa ideia…

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