6-1 ao Benfica no caminho para o 7º título nacional

16 de Fevereiro de 1947. Apesar de ser apenas a 9ª jornada do Campeonato Nacional, o Sporting (de Robert Kelly) já levava 4 pontos de avanço, fruto de 7 vitórias e uma derrota (com o Belenenses). À 10ª ronda a receção ao Benfica podia, muito cedo, “abrir as portas” do título, e a verdade é que o jogo confirmou na plenitude aquilo que o futebol do Sporting valia por aqueles dias.

A equipa leonina apresentou-se com: Azevedo; Álvaro Cardoso (cap) e Manecas; Canário, Octávio Barrosa e Veríssimo; Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

O Campo do Lumiar A, depois duma semana de intensas chuvadas, estava num estado lastimoso. Pesado, escorregadio, enlameado e com verdadeiras poças de água, o que obrigava a um dispêndio notável de energia e impunha um jogo rápido, sem grandes primores técnicos. Enquanto o público ia enchendo totalmente as bancadas, camarotes e peão, houve que avivar à pressa as marcações do campo, pois antes deste jogo disputara-se um CUF-Futebol Benfica para a Taça Avila de Melo…

Azevedo reapareceu após prolongada ausência, merecendo grandes aplausos, mesmo do lado dos benfiquistas. Os encarnados começaram o jogo “a todo o gás” dominando o primeiro quarto-de-hora e obrigando o guardião verde e branco a algumas intervenções. Apesar disso o Sporting mostrava um futebol mais prático, melhor adaptado às condições do terreno, e enquanto os visitantes se esgotavam fisicamente os leões desceram por 3 ou 4 vezes, mas sempre com muito sentido e perigo.

Logo aos 7 minutos, na sua 2ª avançada, o Sporting inaugurou o marcador. Peyroteo fugiu sobre a direita, centrou largo, Albano solicitou de primeira Travassos e este rematou na passada obtendo um belo golo. Quase 10 minutos depois o Benfica empatou, por Vítor Baptista, mas aos 28, na sequência do 3º canto de que beneficiou, o Sporting fez o 2-1. Jesus Correia apontou e Travassos concluiu após intervenção discutível de Peyroteo na área… 6 minutos se passaram, e na sequência dum canto contra, os leões aumentaram a contagem em virtude duma fuga espantosa de Jesus Correia que galgou mais de 50 metros para assistir Peyroteo. Entre os golos, o Sporting criou várias outras oportunidades para marcar, praticando um futebol altamente prático e objetivo.

O 2º tempo começou na mesma toada, o Sporting a dominar e o Benfica a descer esporadicamente com perigo. Aos 59 minutos Albano rematou de surpresa de longe, a bola tabelou em Alfredo e traiu Martins – era o 4-1 mais que justificado em virtude de tanta superioridade. À passagem da meia-hora deste 2º período o temporal aumentou. O terreno ficou ainda mais encharcado quebrando as réstias de energia que os benfiquista eventualmente tivessem. Aos 80 minutos surgiu o 5-1 num contra-ataque rapidíssimo a 3 ou 4 toques, surgindo Travassos isolado para facturar. O pesadelo para os encarnados terminou aos 83 minutos. Com um “bicanço” oportuno na sequência dum pontapé de canto, Vasques fez o 6-1 final.

Segundo o jornal “A Bola”: “O Sporting funcionou como um coletivo avassalador. Todos estiveram muitíssimo bem, merecendo amplamente a vantagem conquistada.”. De destacar os 3 golos de Travassos (foto de arquivo) no derby, ele que tinha apenas 20 anos e chegara ao futebol leonino apenas 5 meses antes.

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