Vitória clara frente ao FC Porto numa época de transição

19 de Fevereiro de 1950. O Sporting, no 2º lugar do Campeonato atrás do Benfica, recebeu o FC Porto para a 18ª jornada do Campeonato Nacional. Os leões eram tri-campeões nacionais e nas temporadas que se seguiram a esta conseguiram o tetra. No entanto, apesar de não ter sido uma época de conquistas, os sportinguistas fizeram uma grande exibição na receção aos nortenhos.

Orientados por Sándor Peics, os leões em campo foram: Azevedo; Octávio Barrosa e Juvenal; Canário, Passos e Juca; Jesus Correia, Vasques, Wilson, Travassos e Albano.

O Estádio do Lumiar registou uma enchente magnífica numa boa partida de futebol. O Sporting começou com muita velocidade e logo a criar perigo, mas só perto do intervalo, aos 43 minutos, Canário atirou forte para as imediações da baliza portista e Wilson (que se estreava esta época na equipa – vindo de Moçambique – e que constituía a 1ª tentativa para fazer esquecer Peyroteo) fez o 1-0 num fulminante salto de mergulho.

A 2ª parte continuou com o domínio sportinguista. Aos 76 minutos Travassos serviu Wilson, que com um pontapé rasteiro fez o 2-0. 4 minutos depois Barrigana, que durante toda a 1ª parte defendera até o… impossível, acabou por sofrer um “frango monumental”, num pontapé, de quase meio campo, de Albano – reza a História que o guardião portista terá exclamado: “Senhora da Hora! Como é que foi aquilo?!”, ao que o rapidíssimo extremo sportinguista ripostou: “Como foi?… Foram as tenazes do Barrigana que não suportaram a brasa do Albano…” . A 5 minutos do fim Wilson passou a Vasques, que se internou perigosamente marcando o 4-0 em toque de habilidade. Monteiro da Costa reduziu para 4-1, quase no fim, após um alívio comprido da defesa e duma corrida muito rápida.

Vindo de duas derrotas, em Setúbal e no Algarve, o Sporting teria obrigatoriamente de vencer este confronto, o que conseguiu mercê da grande superioridade demonstrada. Segundo o jornal “A Bola”: “Passos esteve magnífico na cobertura defensiva, enquanto Albano e Wilson foram os mais decididos na vertente atacante.” Quanto aos portistas, desceram aqui ao 8º lugar da classificação…

Apesar de ter tido (mesmo sem Peyroteo – que se despedira no início da época) o melhor ataque da competição, com 91 golos marcados em 26 jogos, o Sporting perdeu pontos inesperados que o impediram de lutar ombro a ombro com o Benfica até ao final do Campeonato. O estreante Wilson foi o 2º melhor marcador da prova com 22 golos, a 6 do benfiquista Julinho, mas mesmo assim não convenceu…

Na imagem um lance do jogo, entre Vasques e Barrigana.

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