2018 – Bi-campeãs europeias de Atletismo em pista!

27 de Maio de 2018. O 1º dia da Taça dos Clubes Campeões Europeus (26 de maio) foi um misto de sensações, mas não terminou da forma desejada. Na estafeta de 4x100m, um erro de transmissão levou à desclassificação da equipa leonina e o Sporting CP terminou esta jornada no 3º lugar, com 76 pontos (as turcas do Enka tinham 89 e as espanholas do Valência somavam 82). Ainda assim, e apesar de a revalidação do título ter ficado mais complicada, faltava um dia de provas e tudo poderia ainda acontecer.

À chuva, Vânia Silva deu início às hostilidades, lançando o martelo a 60m69cm. A atleta leonina fez uma prova de trás para a frente e conquistou o 3º lugar, atrás da espanhola Berta Castells (66m67cm) e da turca Kivilcim Salman (69m33cm).

Ao mesmo tempo, Marta Onofre procurava repetir a vitória de há 2 anos, em Mersin. Começou pelos 3m40cm no salto com vara, fasquia que superou com tranquilidade – chegou aos 4m00cm, mas não foi capaz de ultrapassar essa barreira e terminou no 4º lugar. Os 10 pontos foram para Molly Caudery, do Thames Valley Harriers (Inglaterra), que saltou 4m40cm.

O regresso aos lugares cimeiros aconteceu na prova seguinte, com Andreia Crespo a cumprir o objetivo a que se propunha. Nos 400m barreiras, a estreante na Taça dos Clubes Campeões Europeus (em Mersin foi suplente) conseguiu concluir com 59,29s e arrebatou 8 pontos para as leoas, resultantes de um 3º lugar no somatório das duas séries.

Ao lado de uma antiga campeã europeia e actual vice-campeã do continente (Ivet Lalova, búlgara a competir pela equipa da Turquia), Lorene Bazolo alcançou o resultado esperado, ficando apenas atrás dessa adversária – 11,53 como marca nos 100m. Seria a primeira de duas provas em que a atleta participaria neste dia.

Quem também contou com concorrência feroz foi Inês Monteiro. À sua frente terminou Yasemin Can, queniana que se naturalizou turca e que é “apenas” a atual campeã europeia dos 5.000 e dos 10.000m. O 2º lugar na prova dos 5.000m, com o tempo de 15m58,80s, foi bastante positivo para a atleta verde e branca.

Nesse momento as leoas estavam apenas atrás do Enka, mas as distâncias reduziram-se com a prova do triplo salto. Patrícia Mamona, que regressou à competição após 8 meses de paragem, impôs-se às adversárias com um salto de 13m53cm. Não sendo uma marca próxima do melhor que consegue, é respeitável pelo tempo de paragem e valeu um importante 1º lugar – o único do dia, de resto.

O lançamento do peso também não trouxe surpresas, com a jovem Jéssica Inchude a conseguir a marca de 16m66cm, apenas atrás da rival turca. Cátia Azevedo teve um desempenho semelhante nos 400m, acabando sem fôlego mas com o sentimento de dever cumprido. Apesar de ter conseguido alguma vantagem na 1ª metade da corrida, viria a ser ultrapassada na reta da meta pela polaca Holub, que vestia as cores do Enka (52,21 contra 52,29s da portuguesa).

Sviatlana Kudzelich, bielorrussa que representa o Sporting CP, foi a 4ª classificada na prova dos 1.500m, a penúltima agendada para esse sábado – terminou com o tempo de 04m16,52s, a cerca de 3 segundos da espanhola Marta Pérez.

À partida para a última prova do dia, as leoas tinham fortes hipóteses de acabar a curta distância pontual do Enka. Contudo, um detalhe técnico – a 1ª passagem do testemunho ocorreu fora da zona de transmissão – levou à desclassificação da estafeta de 4x100m composta por Lorene Bazolo, Rosalina Santos, Olímpia Barbosa e Filipa Martins, que não somaram qualquer ponto. Agora, restava ao Sporting CP concentrar-se no 2º dia de provas e esperar que algo de fantástico acontecese.

Assim foi! As leoas sagraram-se bi-campeãs europeias com muita capacidade de superação e, sobretudo, com uma crença do tamanho do mundo. Ainda que a vitória em Mersin tenha sido espetacular, dificilmente será comparável ao feito que as leoas alcançaram em Birmingham.

O esforço coletivo da equipa verde e branca permitiu anular uma desvantagem de 13 pontos trazida da 1ª jornada, algo que parecia impensável – mas não impossível.

A recuperação começou a desenhar-se desde o início. Evelise Veiga esmagou a concorrência e venceu o salto em comprimento com 6m54cm, marca que lhe valeu um novo recorde pessoal e o recorde nacional de sub-23. Além da pontuação máxima que ofereceu ao clube verde e branco, a jovem leoa saiu de Birmingham com o melhor registo da carreira.

Ao mesmo tempo, Irina Rodrigues lançava o disco a 57m59cm, conquistando mais um 1º lugar para o clube. Com os 6 pontos recuperados para a atleta turca, que não foi além do 7º posto, as esperanças de revalidar o título aumentaram exponencialmente.

Na pista, Olímpia Barbosa foi a mais rápida na 2ª série dos 100m barreiras e trouxe o 3º triunfo verde e branco do dia. Depois de sair da última barreira em igualdade com a italiana Nicla Mosetti, do Bracco Athletica, a velocista ganhou uma ligeira vantagem nos últimos metros, acabando 4 centésimos à frente da adversária (13,74 contra 13,78s).

À 4ª prova, as turcas do Enka contaram com a experiência da consagrada Ivet Lalova, búlgara que venceu tranquilamente a série dos 200m. Lorene Bazolo terminou num expectável 2º lugar, cumprindo o objetivo previsto com o tempo de 23,47s. Nesta fase, o Sporting CP já estava à frente do Valência, que arrancou o dia no 2º lugar.

O equilíbrio entre portuguesas e turcas não podia ser maior até ao final. Sviatlana Kudzelich concluiu a prova dos 3000m obstáculos em 10m00,05s, apenas atrás da adversária do Enka, que só precisou de 09m53,26s para arrebatar os 10 pontos.

De seguida, Noélie Yarigo protagonizou um dos momentos mais simbólicos da tarde. Com a vitória nos 800m (02m04,65s), a atleta do Benim colocou as leoas pela 1ª vez no topo da classificação (134 pontos contra 133 do Enka).

Era altura de fazer contas e analisar o que faltava na competição. Depois de um erro no final da 1ª jornada, o Sporting CP estava em vantagem e podia revalidar o título europeu. Anabela Neto não foi além do 5º lugar no salto em altura, ficando-se pela fasquia a 1m76cm – a mesma altura que a espanhola e a turca ultrapassaram, mas com menos tentativas nos ensaios anteriores.

No outro lado do Alexander Stadium, Sílvia Cruz lançava o dardo a 47m31cm, marca que serviu para recolocar a equipa verde e branca no 1º lugar da geral. A calculadora mostrava uma vantagem mínima de 150 para 148 pontos do Enka, que viria a igualar novamente devido a um desempenho imparável de Yasemin Can, turco-queniana que ontem tinha vencido os 5.000m.

À entrada para a última prova estava tudo nas pernas da estafeta verde e branca de 4x400m, que “apenas” precisava de terminar à frente das rivais diretas. Filipa Martins perdeu algum terreno na 1ª volta à pista, mas Dorothé Évora e Noélie Yarigo foram recuperando a desvantagem. Já com toda a equipa do Sporting CP eufórica, percebendo que o título estava próximo, a última volta serviu para Cátia Azevedo confirmar uma recuperação fenomenal na classificação. A chuva copiosa que se fazia sentir em Birmingham foi uma espécie de sinal de justiça poética: depois da infelicidade na estafeta de 4x100m, seria a equipa de 4x400m a consagrar as leoas como bi-campeãs da Europa!

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