A redenção numa tarde inspirada

23 de Fevereiro de 1969. O Sporting estava no 7º lugar fazendo uma das suas piores temporadas de sempre no Campeonato Nacional. Fernando Caiado já fôra substítuído no comando técnico da equipa, que estava agora entregue a Armando Ferreira (orientador técnico) e Mário Lino (treinador).

No Alvalade havia que limpar a honra na receção ao FC Porto (liderava a prova), que tinha mais 10 pontos e estava na luta com Benfica e Vitória de Guimarães pelo 1º lugar. Com um piso enlameado e assistência reduzida para aquilo que era habitual o Sporting alinhou com: Damas; Celestino, Armando Manhiça, José Carlos (cap) e Pedro Gomes; Alexandre Baptista, José Moraes e Pedras (João Carlos); Chico, Lourenço e Marinho.

Foram os portistas, mais confiantes e personalizados, a iniciar melhor a partida e Djalma criou a 1ª grande oportunidade de golo ao rematar muito perto do poste da baliza de Damas. O Sporting reagiu de pronto, e só uma grande atrapalhação de Lourenço, isolado na frente de Américo, evitou que os leões marcassem. A partida decorria já numa toada de franca pressão sportinguista quando, aos 35 minutos de jogo, o Sporting abriu o ativo. José Moraes captou a bola no centro do terreno e tocou-a para Lourenço. Este abriu em Marinho, na direita do ataque, e o jovem extremo fugiu a Atraca a centrou rasteiro para a emenda oportuníssima de Pedras.

1-0 era o resultado ao intervalo, curto para a bela exibição dos rapazes de verde e branco. Para a 2ª parte o FC Porto entrou na firme disposição de mudar as coisas, mas foram os leões a criar as melhores oportunidades. Lourenço (muito desinspirado) e Chico, ambos com a baliza aberta, “encarregaram-se” de falhar o golo que daria alguma tranquilidade ao conjunto lisboeta. José Maria Pedroto teve então uma decisão arrojada ao mandar Bernardo da Velha deixar o seu posto de defesa para passar a atuar a avançado (uma posição por si bem conhecida). Os portistas “cobriram os pés”, mas “descobriram a cabeça”. Ainda assim, quando faltavam 9 minutos para terminar a partida, os visitantes empataram. Foi também na sequência duma jogada pelo flanco direito na qual Djalma centrou por alto, e, completamente solto, Bernardo da Velha cabeceou com êxito sem quaisquer hipóteses para Damas.

O Sporting respondeu de pronto e, finalmente, ao minuto 88, Chico fugia em direção à baliza de Américo quando foi rasteirado já em plena grande área. Lourenço transformou o penalty com mestria dando ao Sporting a possibilidade de comemorar uma vitória muito ansiada.

A equipa leonina mostrou-se inspirada nessa tarde. José Carlos e Pedro Gomes, em termos defensivos, estiveram muito bem, dando grande confiança ao conjunto. O defesa-esquerdo (adaptado – na foto), a viver talvez o melhor momento da sua carreira, foi mesmo o melhor homem em campo. No ataque foi Marinho a fazer a diferença, embora Pedras também tenha estado num plano muito alto. Para o capitão José Carlos: “Este triunfo incutiu animo na equipa abrindo boas perspetivas para o jogo com o Benfica, onde pensamos vencer. Felizmente conseguimos dar uma grande alegria à nossa massa associativa”.

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