Albano em foco num triunfo crucial para o título de 1952

2 de Março de 1952. Em desafio disputado no Estádio Nacional (casa emprestada do Benfica), o Sporting venceu os encarnados 3-2. O Campeonato Nacional estava “apertadíssimo” e este Benfica-Sporting acabou por clarificar um pouco as coisas, sendo decisivo para a vitória leonina no torneio. O Sporting ía a 4 pontos do Benfica na altura, e só a vitória interessava para os leões entrarem na discussão do título.

Sob o comando de Randolph Galloway o Sporting alinhou com: Carlos Gomes; Amaro e Caldeira; Vicente, Passos (cap) e Veríssimo; Jesus Correia, Vasques, Martins, Travassos e Albano.

O Sporting começou bem a partida, e logo nos primeiros minutos, de livre direto, Travassos fez a bola esbarrar violentamente no poste direito da baliza de Bastos. Foi por isso com naturalidade que à passagem dos 10 minutos os leões inauguraram o marcador. Jesus Correia fez um centro largo rececionado por Martins, que passou em volei para Vasques e este (em posição duvidosa) rematou de pé esquerdo, sem hipótese de defesa.

Apenas 2 minutos se passaram e já os verde e brancos chegavam ao 2-0. Em ataque continuado, “sufocando” o adversário, o Sporting urdiu uma bela jogada, com um passe de Vasques a Jesus Correia e fulminante pontapé do extremo-direito que bateu sem remissão o guardião Bastos. Com apenas 27 minutos de jogo os leões chegaram ao 3-0. Albano marcou um livre, uma espécie de canto curto na esquerda do ataque, e Martins surgiu bem desmarcado, emendando para o fundo das malhas.

O jogo parecia resolvido a favor dos leões mas a reação benfiquista foi notável. Ainda por cima, em 2 minutos, os encarnados fizeram 2 golos. Aos 31, de contra-ataque, Corona escapou-se a Caldeira, centrou e o mesmo defesa leonino levantou o braço causando um escusado penalty. Rogério transformou com mestria, para logo no minuto seguinte o mesmo jogador aproveitar uma hesitação de Carlos Gomes para faturar o 2-3, resultado com que se chegou ao intervalo. Antes do descanso, Jesus Correia e Rogério pegaram-se com alguma violência o que originou a expulsão de ambos os jogadores.

Toda a 2ª parte foi jogada, portanto, em 10 contra 10. Apesar de ter sido um período muito morno o Sporting foi quase sempre, ainda assim, a equipa mais perigosa, à exceção dos últimos minutos, nos quais os benfiquistas tentaram tudo por tudo para chegar à igualdade, sem sucesso.

Segundo a imprensa da época: “Este foi um jogo em que o pequeno Albano (foto de arquivo) conseguiu desbaratar toda a defesa benfiquista. Vasques, um primor de técnica, também sacou uma bela atuação. Vicente e Veríssimo foram dois mouros de trabalho no meio-campo, e atrás, só Carlos Gomes esteve em bom nível com exceção da sua intervenção (ou falta dela) no 2º golo benfiquista”.

Este Benfica-Sporting bateu todos os recordes de bilheteira em jogos entre clubes nacionais, com uma receita de 536 contos, cabendo cerca de 180 contos, a cada um dos clubes. A verba restante foi para impostos, para a Federação Portuguesa de Futebol e para despesas de organização…

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