Nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus de Futebol

2 de Março de 1983. Pela 1ª vez (e única até hoje) o Sporting esteve nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus. Na 1ª mão (92º jogo e 38ª vitória do Sporting na Europa), receção ao campeão de Espanha, a Real Sociedad dos famosos Arconada, Bakero, Zamora ou Lopez Ufarte.

Numa noite de temperatura amena, o Estádio Alvalade esteve literalmente a “rebentar pelas costuras” naquela que terá sido provavelmente a sua maior assistência de sempre. Sob o comando do treinador-jogador António Oliveira, o Sporting alinhou com: Meszaros; Virgílio, Zezinho, Kikas (Ademar) e Carlos Xavier; Festas; Lito, Oliveira e Nogueira; Manuel Fernandes (cap) e Jordão.

Apesar de ser a equipa campeã de Espanha e de contar nas suas fileiras com diversos jogadores de fama europeia, a Real Sociedad entrou e saiu de Alvalade a defender, preocupada quase exclusivamente em levar um 0-0 para o País Basco. O Sporting porfiou, se bem que na 1ª parte não conseguisse criar muitos lances de perigo. A maior liberdade ofensiva de Carlos Xavier (um polivalente) pelo flanco esquerdo e a entrada de Ademar acabaram por conferir ao Sporting um 2º tempo mais profícuo, com mais oportunidades de golo. Os espanhóis, no entanto, mostraram-se quase sempre imperturbáveis, e satisfeitos com o nulo.

Já faltavam menos de 2 minutos para terminar a partida quando o Sporting conseguiu finalmente marcar. Na sequência de diversos lances de insistência numa tentativa já quase desesperada de viajar para Espanha com vantagem, e que veio da sequência duma 2ª parte em que o Sporting esteve quase sempre com o “pé a fundo no acelerador”, Manuel Fernandes conseguiu (desta vez) furar a super-compacta defensiva contrária e atirar para o fundo das redes do famoso Arconada após um centro de Nogueira a que Jordão não chegou, mas que acabou por sobrar para o capitão leonino.

Oliveira, afirmou no final: “Depararam-se-nos dificuldades esperadas. Estávamos bem avisados acerca do adversário. Para o Sporting este adversário era o mais difícil que nos podia ter calhado em sorte nesta fase da competição – pela sua forma de jogar, pelas suas marcações individuais, pela sua mística. Ainda assim o Sporting podia ter marcado mais golos, mas o 1-0 já surgiu muito tarde. Seja como fôr, o Sporting tem feito na Taça dos Campeões melhores exibições e resultados fora… Estamos avisados para o ambiente em Atocha e pelo facto da Real não mudar de sistema jogue fora ou em casa, com uma defesa muito forte onde o entrosamento é notável. Estou convencido de que marcaremos golos em Espanha e de que eliminaremos a Real Sociedad”.

Arconada (o capitão dos bascos) profetizou: “O Sporting não tem capacidade para nos marcar um golo lá. Os portugueses tiveram medo e por isso só jogaram em contra-ataque”.

A verdade é que no jogo da 2ª mão, 15 dias depois – 3.000 adeptos sportinguistas pintaram de verde uma faixa importante no Atocha - o Sporting foi eliminado numa sequência de acontecimentos negativos. Jordão não viajou porque a mãe morrera na véspera, a equipa só chegou no dia do jogo (e por isso foi multada pela UEFA). Antes do 1º golo da Real, pouco antes do intervalo (nascido duma falta que não existiu – Meszaros só deu 3 passos -  e que mesmo quando existia os árbitros nunca marcavam ), o Sporting chegou a ter o jogo “na mão”. Aos 69 minutos Bakero decidiu a eliminatória… Os leões fizeram uma boa exibição, onde se salientaram Ademar, Zezinho, Festas, Nogueira e Lito, num conjunto de raça que merecia seguir em frente e fazer História…

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