Manuel Faria

Nasceu a 12 de Dezembro de 1930 em Abrantes. Em criança começou a interessar-se pelo Atletismo mas era sempre o último a chegar o que o desgostava muito. Pouco a pouco começou a reparar que, apesar das suas más classificações, os outros acabavam as provas exaustos e ele sentia-se capaz de correr muito mais. Ainda criança, deduziu que não poderia vencer provas em rapidez, mas tinha talento para ser o melhor em resistência. Continuou então no Atletismo, onde nos percursos longos saía quase sempre vencedor.

Em 1948 teve o 1º contacto com a pista num torneio organizado pelo Sporting onde fez 2.000 metros e venceu, o que aumentou a sua paixão pela modalidade e a confiança nas suas possibilidades.

Então foi para o Sporting, clube que escolheu, pois ao abandonar o Alentejo os seus pais fixaram residência em Tomar e graças à filial leonina acostumou-se a admirar o clube-sede.

Ansiava ser um bom atleta e representar condignamente o seu clube de coração, por isso dirigiu-se a Lisboa e procurou sem hesitações a coletividade da sua simpatia para lhe oferecer colaboração.

A nível nacional atingiu aquilo que qualquer atleta gostaria de obter. Foi penta-campeão nacional de Crosse entre 1955 e 1959. Na pista conseguiu o título nacional nos 5.000 metros por 4 vezes, dos 10.000 metros por 3 vezes, e dos 1.500 metros por uma vez.

Na noite de passagem de ano de 1956 para 1957 obteve a sua maior glória de sempre ao triunfar na mais prestigiada S. Silvestre do mundo – S. Paulo, perante mais de 900.000 pessoas. Dedicou essa grande vitória a Portugal e à colónia portuguesa no Brasil que tanto o apoiara.

Precisamente 1 ano depois provou que o triunfo anterior não fôra por acaso, ao repetir a vitória. No Brasil tomaram-no como verdadeiro herói de Portugal, ainda mais que os principais futebolistas cá do burgo.

Regressou com mais de 80kg de troféus sendo recebido em Lisboa por uma multidão em apoteose. Como ainda não comprara uma casa, alguém se lembrou de fazer uma subscrição nacional para lha oferecer, mas o sonho não passou duma ilusão pelo que teve de continuar como empregado de escritório e contar com a bonomia do seu técnico Luís Aguiar que todos os dias o ia buscar de “lambretta” para o treino…

Ficou como um dos melhores atletas de sempre do Sporting e de Portugal.

Morreu em Agosto de 2004.

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