Assis e Edmilson decidiram, no “ponto alto” de Carlos Manuel em Alvalade

21 de Março de 1998. À 8ª jornada, após um empate em Alvalade com o Varzim, Octávio Machado foi substituído no comando técnico da equipa de futebol do Sporting pelo adjunto Francisco Vital. As coisas continuaram a correr mal, e depois de muita “pesquisa” foi contratado Vicente Cantatore, que se manteve apenas 3 jogos (!) no comando da equipa.

Para a 2ª metade da temporada foi Carlos Manuel (após um trabalho magnífico no Salgueiros) a tomar conta da equipa. O trabalho de “Carlão” surpreendeu pela negativa. Ele foi conflitos com jogadores importantes no balneário, fixação por outros (contratados à pressa) que não passavam da mediania, e maus resultados constantes. Ainda assim, numa época tão negativa, a receção ao FC Porto constituia um bom motivo para a equipa, que ainda lutava por uma presença nas competições europeias, ganhar algum ânimo e moral para aquilo que restava da temporada.

Os portistas já levavam uma boa vantagem no comando da competição caminhando a passos largos para o seu primeiro tetra-campeonato, igualando assim uma proeza que só o Sporting havia alcançado. Alvalade registou uma boa assistência, tendo o Sporting se apresentado com: Tiago; Quim Berto, Beto, Marco Aurélio e Nuno Valente; Oceano (cap), Vidigal, Assis (Yordanov) e Pedro Barbosa (Ivo Damas); Edmilson e Leandro (Pedro Martins).

O Sporting entrou de forma muito desinibida no jogo, mas aos 5 minutos, a remate de Jardel, Tiago fez uma defesa portentosa que talvez tenha marcado o destino do encontro. Pouco depois a equipa verde e branca fez o 1º golo, aos 12 minutos. Paulinho Santos carregou Edmilson (algo que se repetia pela 3ª vez em tão pouco tempo de jogo) na meia-direita do ataque leonino. Apesar do ângulo ser algo apertado, Assis (na foto, com o técnico Carlos Manuel, após ter sido substituído) não se fez rogado, e de pé esquerdo conseguiu um belo remate forte e colocado que levantou o Estádio Alvalade. O Sporting cresceu com o golo, desinibiu-se ainda mais, com um futebol alegre como ainda não se tinha visto (e pouco se voltou a ver, valha a verdade…) no curto “reinado” de Carlos Manuel como treinador.

O 2º tempo foi mais difícil, pois os portistas lançaram-se em busca do empate, se bem que abrissem algumas clareiras na sua defensiva que o Sporting tardou em aproveitar. No entanto, a 16 minutos do fim, os leões conseguiram chegar ao 2-0 por Edmilson. Marco Aurélio teve uma jogada de insistência, ultrapassou Secretário e João Manuel Pinto e assistiu muito bem o atacante sportinguista que no limite da grande área do FC Porto disparou colocado ao ângulo inferior esquerdo da baliza de Rui Correia sem hipóteses para o antigo guardião leonino.

O final chegou com um saborosíssimo 2-0 para os verde e brancos onde Edmilson (magnífica exibição), Tiago e Pedro Barbosa assumiram particular destaque, perante um FC Porto que tentou um futebol algo intimidatório (com Paulinho Santos, Chippo e Doriva em destaque) perante uma complacência inaceitável de Luís Miranda (o árbitro).

Carlos Manuel ficou bastante satisfeito com a prestação dos seus pupilos: “Fizemos um bom jogo mas também tivemos uma pontinha de sorte pois a 1ª oportunidade de golo foi do FC Porto e de Jardel. O principal é que fomos amigos dentro do campo, mas este jogo vale tanto como outro qualquer. Conseguimos desinibir-nos e vamos tentar continuar assim. As coisas têm tendência a melhorar, mas é preciso tempo”.

A grande figura da partida, o brasileiro Edmilson, estava visivelmente bem disposto: “O meu dever é marcar golos mas mais importante que o golo foi a vitória da equipa. Estive parado muito tempo e estou a readquirir a forma aos poucos. A nossa equipa jogou bem e não deu hipóteses. A vitória não merece contestação”.

Infelizmente o Sporting não conseguiu manter a bitola, só garantindo uma participação nas competições europeias no último jogo em Alvalade frente ao Belenenses.

video

Post to Twitter

Deixe o seu comentário