Carlos Lopes, campeão do Mundo de Crosse pela 3ª vez

24 de Março de 1985. “Inacreditável” foi o termo aplicado à nova proeza de Carlos Lopes. Faltavam 2 dias para a competição no Jamor (na qual Portugal organizava pela 1ª vez uma grande prova de Atletismo) e o sportinguista de 38 anos afirmou que Mamede era o principal favorito, apontando para Dezembro próximo a sua retirada da competição.

Na prova Lopes teve um desempenho memorável, conseguindo isolar-se na parte final, e quando cortou a meta correu para a mulher que chorava de felicidade. Fernando Mamede quedou-se pelo 11º lugar: “Tenho um enguiço ao Crosse desgraçado. Deu-me uma pontada e não tive mais andamento… Foi a dor no estômago que não me deixou chegar mais à frente”.

Poucas semanas antes, no nacional de Crosse, Mamede ganhara a Lopes por quase 1 minuto de diferença. O tri-campeão do mundo revelou agora a sua estratégia: “Assumo que entrei no caminho do bluff! No Nacional de Tróia perdi por grande distância mas só não fiz melhor porque não quis. Com isso as pessoas deixaram de pensar em mim, todos se viraram para o Mamede, houve mesmo quem visse nele o novo D. Sebastião que haveria de chegar ao Jamor para salvar a Pátria. Publicamente, dizia que não estava bem mas dentro de mim só existia um pensamento, que eu era o melhor e só por anormalidade o título me escaparia. O que me deu um grande gozo foi ver que toda a gente acreditou que o Lopes estava acabadinho de todo e até havia quem imaginasse ir ao Jamor para me ver arrastar, como se me arrastasse em via-sacra. Cheguei, fiz a minha corrida e venci. Foi o maior gozo da minha vida.” Verdade ou não, só o próprio Carlos Lopes o saberá…

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