Um gesto significativo de solidariedade, em digressão badalada a Espanha

25 de Março de 1920. Neste dia disputou-se a última partida duma digressão do Sporting a terras espanholas para defrontar por duas vezes o Sevilha e por outras tantas o Huelva. O adversário do fecho da viagem foi precisamente o Huelva.

Neste jogo disputou-se uma taça, oferecida pelo proprietário do Hotel Urbano. Na equipa do Sporting, João Nunes reapareceu na ponta esquerda. O desafio, perante grande assistência, não teve grande interesse. O Sporting foi prejudicado pela pouca pontaria dos seus avançados, que não souberam aproveitar o belo jogo dos médios. Numa avançada esporádica, Fuentes, sempre ele, marcou o golo solitário da vitória espanhola.

Esta viagem foi também um sucesso em termos sociais. No hotel Urbano, em Huelva, foi oferecido ao Sporting um banquete, findo o qual foi entregue a taça aos locais conquistada sobre os leões. Soares Junior agradeceu a forma carinhosa como o seu clube foi recebido, fazendo votos pela amizade entre Portugal e Espanha, sendo muitíssima aplaudido.

Facto muito realçado foi o dos sportinguistas terem destinado para a Associação da Caridade de Huelva a parte que lhes cabia do produto das entradas nos jogos realizados. Para além disso, os próprios jogadores do Sporting compraram nas bilheteiras as suas entradas, para que o volume de receita fosse mais elevado (!) Manuel Carabe, diretor do Sporting, e a quem se deveu esta excursão, expressou a satisfação sentida em ver o entusiasmo reinante entre portugueses e espanhóis, havendo-se realizado um dos fins propostos com esta empresa, o estreitamento das relações entre os 2 países.

A 1ª partida desta digressão realizou-se a 19 de Março em Sevilha. Com uma tarde esplêndida para a prática do futebol, e onde predominavam as senhoras. Na 1ª parte os leões sofreram 2 golos, prejudicados pela atuação infeliz do seu guarda-redes Francisco Quintela. Para o 2º tempo os portugueses entraram melhor, reduziram por Francisco Stromp e passaram a dominar a partida. Apesar disso, os espanhóis fizeram mais 2 golos, chegando ao final com uma confortável mas enganadora vantagem de 4-1.

O 2º jogo realizou-se 2 dias depois perante o mesmo adversário. O Sporting jogou com: Quintela; Amadeu Cruz e Jorge Vieira; Caetano, Artur José Pereira (emprestado para esta digressão) e Boaventura da Silva; Torres Pereira, Jaime Gonçalves, Francisco Stromp, Loureiro e João Nunes.

Segundo o jornal “Os Sports”, “O Sporting entrou a disposto a desforrar-se a todo o custo da pesada derrota anterior. Começou logo o jogo com grande ardor, dominando a partida. Tanto os defesas como os médios estiveram em grande plano, auxiliando muito bem o ataque, enquanto Quintela executava defesas fantásticas, umas por mérito, outras por alguma sorte. A equipa leonina empregou por vezes alguma violência, não sendo os seus elementos devidamente castigados pelo árbitro. Francisco Stromp esteve em grande destaque, e fez 2 golos (Boaventura – foto – também se destacou) numa magnífica vitória por 5-0″.

No dia 24 os leões deslocaram-se para Huelva, onde defrontaram o Recreativo local. Os leões alinharam com o mesmo onze do jogo anterior, com exceção do ponta-esquerda, que foi Carlos em vez de João Nunes. O jogo agradou imenso, porque foi bem jogado, apesar de rijo. A 1ª parte, com ligeiro ascendente espanhol, chegou ao fim com 1-0, mercê duma bela cabeçada de Fuentes. No 2º tempo, na sequência dum canto marcado por Torres Pereira, Francisco Stromp empatou com uma cabeçada. Pouco depois Jaime Gonçalves colocou os leões em vantagem. Não demorou muito até Fuentes bisar estabelecendo o empate final a duas bolas. O futebol sportinguista foi apreciado pelos espanhóis devido ao leque variado de alternativas encontradas, tanto com um jogo mais em profundidade com em jogadas de passe curto.

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