1953 – Celebração do 2º tri-Campeonato do Futebol leonino

19 de Abril de 1953. A festa estava guardada para a penúltima jornada do Campeonato Nacional, no último jogo em Alvalade. O adversário foi o Vitória de Setúbal (que criou dificuldades), tendo o Sporting (de Randolph Galloway) alinhado com: Carlos Gomes; Caldeira e Joaquim Pacheco; Armando Barros, Passos e Juca; Galileu, Vasques, Martins, Travassos e Albano.

Decorriam apenas 7 minutos de jogo quando Vaz rasteirou Travassos à entrada da área sadina. Albano apontou o livre com grande habilidade fazendo a bola “pingar” na cabeça de Martins que pouco teve de saltar para a anichar nas redes de Baptista.

Entretanto a partida começou a tornar-se algo violenta e pior ficou quando o árbitro assinalou (justamente) um penalty a favor do Sporting, aos 33 minutos, por carga violenta sobre Albano quando este se preparava para rematar à baliza. Na cobrança da respetiva grande penalidade, Albano fez o golo, mas o lance foi invalidado por Passos estar demasiado perto da bola. Na repetição foi Martins a atirar, e fê-lo tão mal que a bola foi à figura do guarda-redes do Vitória – entretanto o mesmo Martins perdeu o golo na recarga. Seguiram-se cenas desagradáveis entre os jogadores mas a equipa de arbitragem acabou por não agir disciplinarmente.

O intervalo chegou assim com 1-0, mas em vez duma reação vitoriana, a 2ª parte foi de domínio completo do Sporting perante um Vitória remetido a uma defesa porfiada, apesar de estar em desvantagem. A verdade é que a incerteza se manteve até ao fim e a turma sadina acabou por conseguir perder apenas pela margem mínima…

No final a festa foi imensa entre os leões, mais um título (o 12º) estava garantido. Para cima de 30.000 adeptos sportinguistas viram um jogo de nervos (sobretudo após o falhanço do penalty) e os minutos pareciam intermináveis, sobretudo face a uma boa equipa como a do Vitória (que no entanto teve uma tarde de pouco acerto). Faltavam 5 minutos para o final quando serpentinas de todas as cores começaram a ser lançadas para o retângulo de jogo a partir dos topos das bancadas. Estalaram foguetes no ar enquanto milhares de balões com as cores e o símbolo do Sporting foram lançados ao céu. Balões grandes, em papel, como os das romarias, seguiam em várias direções “ao sabor” dos caprichos do vento. O Sporting era campeão pela 6ª vez nos últimos 7 anos.

Para festejar a conquista do título o Sporting ofereceu, nessa mesma noite, aos elementos da sua equipa de futebol um banquete no restaurante Príncipe Negro, presidido por Avelino da Palma Carlos, ladeado pelo Capitão Maia Loureiro (presidente da Federação Portuguesa de Futebol) e por Góis Mota (atual presidente do Sporting). Todos os futebolistas estiveram presentes, tendo-se sentado na mesa de honra, além de dirigentes leoninos, os treinadores Randolph Galloway e Álvaro Cardoso, o massagista Manuel Marques, Salgueiro Rego e Lélio Ribeiro (professor de Ginástica do clube). Seguiram-se discursos mais ou menos inflamados numa noite de verdadeira festa clubista.

Na imagem, de cima para baixo e da esquerda para a direita: Carlos Gomes, Ulisses, Passos, Juca, Vasques, Travassos e Joaquim Pacheco; Veríssimo (de fato), Rola, Martins (em pé), Caldeira, Albano e Armando Barros (de fato).

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