O mítico dia dos 7-1 com 4 golos de Manuel Fernandes

14 de Dezembro de 1986. Jogava-se a 14ª jornada do Campeonato Nacional. O Sporting andava pelo 4º lugar da classificação e vencer o seu rival era imperioso num dia em que os leões homenagearam Manuel Marques, o homem das mãos milagrosas (na foto).

Num Estádio Alvalade “cheio como um ovo”, Manuel José (treinador do Sporting) apresentou a seguinte equipa: Damas; Gabriel, Venâncio, Virgílio e Fernando Mendes (Duílio); Oceano; Litos (Silvinho), Zinho e Mário Jorge; Manuel Fernandes e Meade.

O jogo começou equilibrado tendo sido mesmo do Benfica a 1ª grande oportunidade, com Damas a defender espetacularmente uma cabeçada de um atacante contrário.

A pouco e pouco o Sporting foi dando a sensação de que poderia chegar ao golo o que aconteceu aos 15 minutos. Litos abriu bem para a esquerda do ataque, Meade solicitou Manuel Fernandes na área, o capitão rematou bem mas Silvino defendeu para a frente, surgindo Mário Jorge a recargar, Silvino novamente a defender e à 3ª Mario Jorge a conseguir finalmente inaugurar o marcador.

Os 30 minutos que se seguiram até ao intervalo foram de algum equilibrio num jogo que surpreendeu pelo facto de o Sporting dar algum espaço ao Benfica para atacar, tentando aproveitar os contra-ataques, filosofia que contrastava um pouco com o habitual em ambas as equipas. Nesse tempo que restou do 1º período o Sporting perdeu boas oportunidades para dilatar a vantagem, enquanto o Benfica, mais dominador territorialmente, não conseguia criar grande perigo.

A 2ª parte foi “mágica” e ficará sempre para a História como os 45 minutos mais “loucos” do Estádio Alvalade de 2ª geração.

Aos 50 minutos Zinho marcou um canto da esquerda e Manuel Fernandes com uma espetacular rotação de cabeça fez o 2-0. 9 minutos depois o Benfica conseguiu reagir com Vando a cabecear muito bem fora do alcance de Damas, respondendo a um livre apontado por Carlos Manuel. Pensou-se então que teríamos” jogo até ao fim”, e tivemos, mas longe daquilo que se pudesse imaginar.

Aos 65 minutos Mário Jorge marcou um canto na direita do ataque sportinguista, Litos desviou ao 1º poste e Meade surgiu muito oportuno a fazer o 3-1.

3 minutos se passaram até Zinho bater um livre da esquerda para a área encarnada, Meade rematou, Silvino defendeu e Mário Jorge recargou com êxito.

O Benfica entrou então em colapso e após uma jogada magistral de Litos a que se seguiu um centro bem medido, Manuel Fernandes “voou” para o 5-1.

A 8 minutos do fim Manuel Fernandes aproveitou uma insistência de Oceano para se isolar e aumentar para 6-1. Faltava um golo para o recorde de goleadas entre os dois velhos rivais em jogos oficiais. Pois a 4 minutos do fim ele surgiu, por Manuel Fernandes, após combinação entre Oceano e Meade.

O final chegou pouco depois com Alvalade em perfeito delírio e o marcador a registar um histórico 7-1 de um super Sporting frente a um Benfica completamente “esfrangalhado”…

Para a História, além do resultado em si, ficaram os 4 golos de Manuel Fernandes numa exibição coletiva brilhante, onde Oceano e Zinho também mereceram um particular sublinhado.

Era lógica a euforia na cabina do Sporting no final do encontro. Para Manuel Fernandes, o grande herói da tarde (que surgiu na sala de imprensa com a bola do jogo autografada por todos os futebolistas do Sporting como presente para a filha que completava nesse dia 9 anos): “As duas equipas preocuparam-se em fazer um bom espetáculo, jogando ambas ao ataque. A 1ª parte foi emotiva e espetacular. O Sporting soube explorar taticamente o jogo adversário utilizando as faixas laterais quando os benfiquistas estavam ao ataque e apanhando-os muitas vezes em contrapé. Acho que o resultado não é exagerado mas sim perfeitamente justo pela forma como decorreram as coisas. O desnível começou a definir-se quando fizemos o 3º golo, pois até então o Benfica estava a reagir bem e a equilibrar a partida. Quanto aos meus 4 golos, claro que foi uma grande alegria, principalmente por terem sido obtidos frente ao Benfica devido à grande rivalidade entre os dois clubes. Para mim tem sempre um sabor muito especial marcar golos ao Benfica”.

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