Emoção para lá dos limites em Alkmaar

5 de Maio de 2005. Todas as esperanças eram legítimas para a partida na Holanda frente ao AZ Alkmaar para a 2ª mão das meias-finais da Taça UEFA (201º jogo dos leões nas Competições Europeias), até porque o Sporting, na maioria das vezes, jogara melhor fora que em casa durante a competição. Em Alvalade, o Sporting (de José Peseiro) triunfara por 2-1, resultado muito curto para uma bela exibição coroada com golos de Douala e Pinilla.

Num estádio pequeno e com mau piso, que estranhamente foi aprovado pela UEFA, e com uma arbitragem inacreditável do dinamarquês Claus Bo Larsen, o Sporting alinhou com: Ricardo; Miguel Garcia, Beto, Anderson Polga e Rui Jorge (Niculae 110); Custódio; João Moutinho, Rochemback (Pedro Barbosa 86) e Douala (Rodrigo Tello 75); Sá Pinto e Liedson.

O Sporting poderia e deveria ter conseguido o “passaporte” para a final com alguma facilidade. No entanto as coisas começaram a complicar-se quando Perez fez o 1-0 logo aos 5 minutos de jogo. O Sporting não demorou a responder, tomou conta do jogo, e Liedson fez o empate em “cima do intervalo”. Na 2ª parte o Sporting deu sempre a sensação de que se acelerasse um pouco resolveria as coisas a seu favor, mas um certo “deixar correr o marfim” saiu caro, pois Huysegems fez o 2-1 aos 78 minutos. Houve pois que recorrer a prolongamento (sob chuva forte), e aí Jaliens apontou o 3-1 aos 108 minutos. O sonho de chegar à final de Alvalade parecia desmoronar-se para os sportinguistas, mas a equipa não desistiu, e já nos descontos, na sequência dum canto marcado por Rodrigo Tello, Miguel Garcia fez de cabeça o 2-3 que garantiu o apuramento para a final.

Agora imagine-se o estado emocional em que ficou toda a “nação” sportinguista! O golo do jovem e discreto Miguel Garcia levou a equipa a mais uma final europeia, 41 anos depois… O presidente Dias da Cunha até confessou que teve a sua primeira premonição no futebol, pois afirmara a um amigo no decorrer do jogo que o golo do apuramento surgiria no último minuto!

No final o herói tinha um nome – Miguel Garcia: “Nunca subi nos cantos, ficava sempre no meio-campo. Como já passava da hora, até o Ricardo foi para a área. Falei com o Liedson, que costumava entrar ao 1º poste, e disse-lhe: Deixa-me ir para essa zona. O Tello bateu bem e fui feliz.”

Este foi também o último golo relatado por Jorge Perestrelo, um profissional muito peculiar da estação de rádio TSF que se destacava por uma forma e uma linguagem muito próprias. Já antes da partida sentira “qualquer coisa”, e até fôra assistido pelo médico leonino Gomes Pereira. Pouco depois do regresso a Portugal o seu coração cedeu definitivamente… No seu último golo relatado gritou e repetiu várias vezes “Eu te amo Sporting” na emoção quase incontrolada dum momento único.

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