O evento desportivo do ano de 1916

14 de Maio de 1916. Neste dia disputou-se aquele que foi apelidado como o jogo do ano. Na inauguração do campo da Amadora jogou-se uma Taça com o mesmo nome entre Sporting e Benfica. A partida contou com a presença do Presidente da República e o Embaixador de Inglaterra.

A Companhia dos Caminhos de Ferro organizou comboios especiais para a Amadora que encheram em cachos de gente e acabaram, ainda assim, por ser insuficientes. As pessoas a bordo dos comboios cantavam e gritavam. As ruas da Amadora encheram-se de multidões, os restaurantes esgotaram a sua comida, as casas comerciais fizeram um negócio extraordinário. Foi um dia de festa que ficou na memória, e que, “marcava uma nova era no desporto nacional”, segundo o jornal “O Século”.

O campo estava cheio com filas compactas a toda a volta de gente emocionada que extravasava a sua ansiedade para animar uns e outros. O palco era magnífico e vastíssimo, excedendo os limites dos maiores que existiam à altura e com lugar para peões, bancadas e uma elegante tribuna.

O árbitro foi estrangeiro – Izequiel Montero, do Racing Clube de Madrid. O Sporting alinhou com: Paiva Simões; Amadeu Cruz e Jorge Vieira; Marcelino, Artur José Pereira e Boaventura da Silva; Torres Pereira (que se estreou aqui pelo Sporting, clube pelo qual construiria uma carreira notável), Jaime Gonçalves, Perdigão, Francisco Stromp (cap) e Armour. Os reservas do Sporting foram o defesa Sebastião Campos e o médio Joaquim Caetano.

O jogo foi muito violento, o que aumentou ainda mais a emoção dum público cada vez mais apaixonado por futebol. O Sporting venceu por 2-1 com golos de Armour (foto de arquivo) e Alfredo Perdigão, um resultado que surpreendeu a maioria (afinal o Benfica era o novo campeão de Lisboa), mas que se justificou, porque os leões aplicaram toda a sua energia, vencendo bem porque jogaram melhor.

Segundo o “Diário Notícias”: “As festas de hoje na Amadora foram reproduzidas em fita animatográfica. Para esse fim compareceu um operador que fixou aspetos do jogo e da assistência, bem como do movimento de forasteiros”.

O Sporting tornou-se, assim, detentor da Taça Amadora, que os Recreios da Amadora lhe ofereceram numa festa íntima que também contemplou a direcão e a imprensa. O troféu era em prata lavrada, de elegantíssimas linhas. Para além disso, cada um dos 22 jogadores que participaram no desafio recebeu uma pequena taça como lembrança. A festa continuou pela tarde/noite dentro, sendo muito frequentado o rinque de patinagem. Os benfiquistas mostraram-se desgostosos e pediram desforra, no mesmo campo. Ela viria.

A 20 de Maio (um Sábado), no Salão Rubi da rua do Jardim do Regedor – que fez a sua inauguração, foi exibida a fita que reproduziu o importante desafio, o que, por ser novidade, atraiu muito público.

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