1995 – O jogo da vida de Yordanov na vitória na Taça de Portugal de Futebol

10 de Junho de 1995. Depois de ter conquistado a sua última Taça de Portugal em 1982, o Sporting voltou, 13 anos depois, ás vitórias na competição numa final realizada no Estádio do Jamor frente ao Marítimo de Paulo Autuori.

O ambiente era de “loucura” no Estádio Nacional, com milhares e milhares de sportinguistas sedentos dum triunfo com impacto. Numa partida em que Figo e Balakov se despediram do Sporting, nenhum cenário se admitia a não ser o da vitória. Carlos Queiroz escalou a seguinte equipa: Costinha (Lemajic); Nélson, Naybet, Marco Aurélio e Vujacic; Oceano (cap) e Carlos Xavier (Filipe); Figo, Balakov (Sá Pinto) e Amunike; Yordanov.

O Sporting iniciou a partida com grande determinação, cedo se instalando no meio campo contrário. A intermediária leonina causava grandes problemas aos adversários, enquanto Yordanov, lá na frente, e no seu melhor jogo de sempre com a camisola do Sporting, mostrava grande irrequietude e vontade de causar mossa no último reduto contrário. Aos 9 minutos os leões abriram o ativo numa bela cabeçada de Yordanov a corresponder da melhor forma a um centro com “régua e esquadro” de Carlos Xavier.

O Sporting empolgou-se com a vantagem perante uma equipa que parecia um pouco assustada com o ambiente e que denotava dificuldades em conviver com a pressão de disputar a sua 1ª final. A primeira meia-hora leonina foi mesmo de gala, com Carlos Xavier a “empunhar a batuta”. Perto dos 30 minutos, a culminar excelente jogada, Balakov rematou com estrondo à trave. O intervalo acabou por chegar com um muito escasso 1-0 perante a avalanche de futebol ofensivo dos sportinguistas.

Para o 2º tempo o Marítimo surgiu mais desinibido, mas o Sporting também procurava a todo o transe um golo que lhe desse uma maior tranquilidade. Então esteve em grande destaque o veterano guarda-redes brasileiro Everton, que numa “guerra” muito particular com Yordanov, fez defesas “do outro mundo” num dos duelos (Everton-Yordanov) mais belos de que há memória no futebol nacional. Pelo meio ainda houve outro remate à barra, agora de Yordanov. Perante o intransponível Everton, o Sporting sentiu que seria muito difícil aumentar a contagem e o Marítimo ganhou alguma confiança, melhorando o seu futebol com a entrada de Vado. No lado sportinguista, as entradas de Filipe e Sá Pinto trouxeram uma importante frescura à equipa. O atacante foi mesmo determinante nos minutos (poucos) que jogou, primeiro atirando ao poste e depois pressionando Humberto na jogada que acabou por dar o 2-0 a Yordanov. As bancadas “explodiram” com esse golo a 4 minutos do fim, e até ao apito final a partida foi vivida em clima de grande festa.

Depois o capitão Oceano subiu à tribuna para receber a Taça (a 12ª para o clube) e partilhá-la com o atual presidente Pedro Santana Lopes e o recentemente deposto José Sousa Cintra. No final, Carlos Queiroz, que finalmente tinha conquistado uma retumbante vitória para o Sporting, afirmou: “Posso traduzir este momento em felicidade (estamos muito felizes) e gratidão (porque toda a massa associativa do Sporting sempre nos demonstrou grande dedicação, carinho e fé ao longo destes anos). Esta vitória é principalmente dos adeptos. Estou orgulhoso pelos treinadores que estiveram ao meu lado e pelos jogadores que me acompanharam. Tivemos um grande ritmo, uma grande agressividade e um grande controlo em quase todo o tempo de jogo”.

Pouco passava das 11 da noite quando os leões foram para o Estádio Alvalade mostrar a taça aos seus adeptos. Reclamado pelo público, a grande figura da tarde – Yordanov, afirmou com visível emoção: “Obrigado por todo o vosso apoio. Esta taça é vossa. Não há clube como este! Viva o Sporting!”

E como a vida por vezes é traiçoeira, já em tempo de defeso, o búlgaro sofreu um violentíssimo acidente de viação no seu país, mas as sequelas não foram irremediáveis, voltando aos relvados a meio da época seguinte.

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