8-2 à melhor equipa de França!

10 de Junho de 1948. Este foi um dos jogos mais marcantes de sempre do futebol português entre equipas portuguesas e estrangeiras, numa fase em que as provas europeias não passavam ainda duma miragem. O futebol nacional estava mesmo a precisar dum triunfo revitalizador como este, após uma série de “desgraças”.

O Lille era o titular da Taça de França e estava apenas a 1 ponto do Olympique de Marselha no seu Campeonato, mas o Sporting (recém-vencedor do Campeonato Nacional e Taça de Portugal) deu largas à sua esplêndida forma, com uma linha avançada que fazia “magia”.

O jogo foi disputado no Estádio Nacional e Cândido de Oliveira escalou a seguinte equipa: Azevedo; Álvaro Cardoso e Juvenal; Canário, Manecas e Veríssimo; Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

Os franceses começaram a partida com alguma dureza, pelo que os leões se atemorizaram um pouco, jogando com cautela. Em contra-ataque, aos 15 minutos, após uma bola perdida por Vasques, Strap fez o 0-1. O mesmo jogador aumentou a contagem 8 minutos depois num vôo espectacular, de cabeça. Pensou-se então em mais uma “débacle” para o futebol nacional, mas aos 25 minutos, de pé esquerdo, assistido por Peyroteo, Vasques reduziu, e daí até ao empate foi um ápice, com Albano, após jogada com Travassos, a marcar em habilidade. Logo a seguir Peyroteo virou por completo o jogo a centro de Jesus Correira. Aos 43 minutos Veríssimo fez o 4-2 numa recarga e no minuto seguinte Jesus Correia, da meia-esquerda, aumentou para 5-2, resultado (surpreendente) com que se chegou ao intervalo.

No reinício, beneficiando do vento, os franceses tentaram voltar a “entrar” no jogo, mas foi dos leões a 1ª oportunidade com um petardo de Peyroteo ao poste, a que se seguiram um remate de Vasques à trave e uma bela defesa de Azevedo. Aos 68 minutos, com um “tiro” a 25 metros da baliza, Travassos fez o 6-2 e daí até final os leões deram verdadeiro “festival” criando sucessivas oportunidades de golo, marcando mais 2 e obrigando Germain a verdadeiros “milagres”. Aos 72 minutos, após um passe com “açúcar” de Vasques, Peyroteo (foto de arquivo) fez 7-2, para 10 minutos depois o mesmo jogador fechar a contagem após se ter conseguido isolar em força.

Nessa tarde inesquecível o Sporting desenvolveu o melhor futebol praticado nos últimos anos por portugueses em confronto com estrangeiros e obteve um triunfo que foi dos melhores de todos os tempos. No jantar de confraternização que à noite se realizou sede leonina, e que decorreu num ambiente de franca e desportiva amizade, os visitantes, pela boca do seu presidente, prestaram homenagem ao valor dos seus vencedores, reconhecendo a justiça do triunfo obtido pelos leões.

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