1938 – Vitória no último Campeonato de Portugal de Futebol

26 de Junho de 1938. Neste dia o Sporting conquistou o último Campeonato de Portugal de Futebol que se disputou no nosso país. Esta foi a 6ª final consecutiva dos leões e o 4º triunfo obtido, o que colocou sportinguistas e FC Porto como os clubes com mais triunfos na competição.

A eliminatória mais difícil de ultrapassar tinha sido a dos quartos-de-final. Nas Salésias, sem Peyroteo, o Sporting perdeu por 4-2 e foi necessária uma equipa tremendamente persistente e lutadora para dar a volta à eliminatória, triunfando no Lumiar por 3-0 com, para não variar, Fernando Peyroteo em grande destaque. Este jogo teve algo curiosíssimo e relatado assim pelo jornal Os Sports: “Um pormenor interessante que merece referência. O Sporting, para evitar perdas de tempo, dispôs à volta do retângulo alguns rapazinhos para apanharem as bolas fora. É um sistema que lá fora já vimos adotado em vários jogos internacionais, mas que entre nós ainda não fôra posto em prática”.

2 dias antes do encontro da final Szabo, ao seu melhor estilo, aconselhou os seus futebolistas a não namorarem pois precisavam de “canetas” para o jogo. Na véspera, na sede do clube, explanou a tática para a partida, e na tarde de 26 de Junho Sporting e Benfica encontraram-se no Campo do Lumiar para o jogo decisivo. O público era numeroso e entusiasta, e realce-se o facto de ter tido um excelente comportamento durante toda a partida, aliás tal como jogadores e equipa de arbitragem.

A equipa: Azevedo; João Jurado e Joaquim Serrano; Rui de Araújo, Paciência e Manecas; Mourão, Pireza, Peyroteo, Soeiro e João Cruz.

O Sporting entrou no jogo duma forma fantástica e antes do primeiro quarto-de-hora já vencia por 2-0. Aos 12 minutos João Cruz centrou, Amaro defendeu para a frente e Mourão surgiu rapidíssimo a rematar forte para dentro das malhas. Pouco depois Soeiro aumentou a contagem numa sequência de cabeçadas na área benfiquista.

Durante toda a 1ª parte, com o vento a favor, os leões exerceram um domínio completo ficando a dever a si próprios mais alguns tentos. Na entrada para a 2ª parte o Benfica veio com vontade de modificar as coisas mas logo de início Soeiro (concluindo um contra-ataque dirigido por Peyroteo) encarregou-se de refrear os animos encarnados. Até final, o mais que os vermelhos conseguiram foi reduzir por Valadas, de penalty, ocasionado por mão de Paciência.

Depois de 90 minutos em que patenteou claramente a sua superioridade física e técnica, com o trio de meio-campo em destaque (magníficas exibições de Rui, Paciência e Manecas) a equipa do Sporting conquistou o seu 4º título de Portugal. O público afeto aos leões manifestou-se com entusiasmo enquanto os jogadores se abraçavam no terreno de jogo e Mourão foi aos camarotes receber a taça.

Para este feito muito terá contribuido Jozef Szabo, um técnico que já tinha ganho 2 campeonatos pelos portistas e que no Sporting auferia de salário 2 contos por mês, 100$ por cada vitória e 50$ por cada empate. Pela conquista do título foi “agraciado” com mais 3 contos, que ele, mais que ninguém, merecia. Peyroteo foi o melhor marcador da prova com 11 golos.

Poucos dias após a vitória no então chamado Campeonato Nacional, o grupo de honra do Sporting foi homenageado num banquete onde estiveram presentes representantes da Federação e da Associação de Futebol de Lisboa. Além dos componentes do “onze” finalista esteve Mário Galvão – um jogador muito utilizado ao longo da época. Toda a direção assistiu, assim como o treinador Jozef Szabo e muitos sócios. O treinador leonino agradeceu as homenagens prestadas e prometeu continuar a dispensar ao clube todo o seu entusiasmo e boa vontade. Referiu-se com palavras de louvor à maneira como os jogadores, todos sem exceção, souberam integrar-se nas responsabilidades que o clube contraiu perante o público aceitando sempre de bom grado as suas indicações e trabalhando com empenho para que o “team” pudesse distinguir-se, como se distinguiu, nas várias competições da temporada. No final do seu discurso o húngaro foi abraçado pelos jogadores, repetindo-se nessa altura as manifestações de apreço pelo técnico e pelos componentes da equipa, que foram calorosamente ovacionados.

Adolfo Mourão, o capitão da equipa, foi quem falou após uma longa salva de palmas na receção. Agradeceu a homenagem em seu nome e no dos companheiros de equipa, declarando-se, por si e por todos, disposto a continuar a honrar a coletividade nas pugnas desportivas em que ela os mandasse defender o seu prestígio.

Na imagem, um dos golos do Sporting nessa inesquecível final.

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