Reviravolta inesperada na Luz

23 de Junho de 1963. O Sporting não fôra além do 3º lugar no Campeonato Nacional de Futebol – a 10 pontos do campeão Benfica e a 4 do FC Porto. As esperanças viraram-se então para a Taça de Portugal. Os primeiros adversários (Atlético CP e Sporting de Lourenço Marques) foram afastados com facilidade, mas nas meias-finais o adversário chamava-se Benfica.

Na 1ª mão, em Alvalade, o jogo foi alucinante, com várias oportunidades para um lado e para o outro, mas no final foram os encarnados a ganhar por 1-0 deixando quase todos os associados sportinguistas descrentes. No entanto faltava o 2º jogo…

Na verdade pouca gente esperava aquilo que se passou nesse 23 Junho, tendo para muitos constituído, este, o jogo de arranque para a vitória, no ano seguinte, da Taça das Taças.

O Sporting apresentou-se na Luz de orgulho ferido e disposto a dar tudo por tudo. Sob o comando de Juca, a equipa: Carvalho (cap); Pedro Gomes, Lúcio e Hilário; Péridis e David Julius; Figueiredo, Osvaldo Silva, Mascarenhas, Géo e Morais.

À entrada das equipas logo se notou um grande querer leonino perante uma certa apatia benfiquista. Apesar de tudo o jogo foi equilibrado na 1ª parte, sendo, no entanto, os ataques do Sporting mais “venenosos”. Só num livre de Eusébio o Benfica criou algum perigo, enquanto magníficos remates de Osvaldo Silva, Mascarenhas e Morais foram golos quase feitos… David Julius marcou impecavelmente Eusébio, que não conseguiu fazer quase nada de significativo durante todo o jogo.

O Sporting inaugurou o marcador quase 2 minutos para além dos 45. Num contra-ataque rápido pela esquerda, Osvaldo Silva, com excelente visão de jogo, lançou Figueiredo, que dominando muito bem a bola desviou-a no momento exato do guarda-redes contrário, obtendo um belíssimo golo.

5 minutos estavam passados no 2º tempo quando o Sporting fechou a conta. Péridis lançou o ataque, a bola tocou na cabeça de Coluna e seguiu em perfeitas condições para Figueiredo. O batalhador avançado galgou terreno e bateu como quis o guarda-redes Costa Pereira.

Na verdade o Sporting marcou em ótimos momentos, mas a reação benfiquista, ténue e atabalhoada, nunca deu a sensação de poder dar os seus “frutos”. Este foi um jogo sem casos em que se jogou muito bom futebol e no qual o resultado só poderá ter sido algo inesperado para quem não presenciou a contenda. Na verdade o Sporting ficou devendo alguns golos a si próprio. A equipa bateu-se com uma galhardia impressionante durante os 90 minutos e foi superior em todos os capítulos, ao Benfica.

Juca ficou felicíssimo com o triunfo: “Foi um jogo de grande emoção no qual a minha equipa logrou a proeza de eliminar o Benfica no seu próprio Estádio. Penso que o resultado até nem expressa bem a nossa superioridade. O labor da minha equipa, que jogou com velocidade, espírito de sacrifício e talento, dava-lhe direito a um resultado mais volumoso. No espírito de equipa residiu o grande segredo desta vitória, que teve força e talento. Estivemos numa noite magnífica”.

A arbitragem esteve bem, com o senão de deixar passar uma falta na área benfiquista sobre Figueiredo, a quem foram claramente presos os pés por Fernandes, defesa da equipa da casa.

Outra curiosidade ligada a este jogo tem a ver com o facto de, a partir daqui, Figueiredo (na foto, nessa partida) ter merecido a alcunha de “Altafini de Cernache”, pois poucos dias antes o atacante italiano também tinha feito “miséria” frente aos encarnados.

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