Digressão ao Brasil

15 de Julho de 1928. Depois de se ter sagrado Campeão Regional e ter sido derrotado na final do Campeonato de Portugal pelo Carcavelinhos (com a equipa a ser acusada de já ter a “cabeça” no Brasil) o Sporting partiu para uma badalada digressão ao “país irmão” num paquete ironicamente chamado “Alcântara”.

Antes de entrarem na baía de Guanabara já a colónia portuguesa festejava com entusiasmo a chegada dos leões. Como exemplo poder-se-à referir que no Teatro República, no Rio de Janeiro, estava em representação a companhia de Vasco Santana (um sportinguista dos “sete costados”), que mandou tapar a fachada do teatro com um imenso cartaz em que se saudava a presença do Sporting.

Acerca de Jorge Vieira, numa entrevista ao jornal “Rio Sportivo”, Vasco Santana afirmou: “É o mais querido jogador do povo português, pelo qual têm verdadeira idolatria. Todos os adversários o respeitam não só pelo seu valor como jogador de futebol mas também pelo seu cavalheirismo em jogo. É um rapaz de fino trato, o tipo do português, sentimental e de coração fraco ante a desventura alheia”.

Na comitiva sportinguista seguiram 6 jogadores convidados: Carlos Alves (Carcavelinhos), António Roquette e Gustavo Teixeira (Casa Pia), João Santos e Armando Martins (V. Setúbal) e Liberto Santos (União Lisboa) que reforçaram a equipa.

No primeiro encontro (nesse 15 de Julho), 13 dias após o embarque de Lisboa, os leões perderam por 4-1 com o Fluminense. Seguiu-se um empate com o Vasco da Gama (1-1) e novas derrotas com Fluminense e Seleção Carioca (ambas por 3-2).

Apesar dos maus resultados desportivos esta foi uma digressão muito bem sucedida a nível social tendo o Sporting, mesmo em futebol jogado, deixado uma boa impressão. Devido a um certo receio pelo calor que supunham ir encontrar em terras de Vera Cruz, os jogadores do Sporting levaram as camisolas listadas do Râguebi e que algum tempo depois substituiriam, definitivamente, as camisolas bipartidas.

De realçar ainda que essas camisolas listadas já tinham sido uma vez utilizadas pelo futebol leonino (e aí foi a sua verdadeira estreia), mais concretamente num amigável frente ao Casa Pia realizado a 6 de Novembro de 1927 e que homenageava António Pinho, um internacional casapiano. Já agora refira-se por curiosidade que os leões triunfaram por 5-2 com golos de Alfredo de Sousa (2), José Manuel Martins (2) e Cervantes.

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