Manuela Machado – Uma leoa de raça

Maria Manuela Machado nasceu a 9 de Agosto de 1963 em Viana do Castelo. Correr era a sua paixão desde menina, e muito cedo ingressou no Sporting de Braga, onde, numa equipa magnífica (que integrava outros nomes como Conceição Ferreira, Albertina Machado ou Rosa Oliveira), foi várias vezes vencedora da Taça dos Campeões Europeus de Corta-Mato.

Nos jogos Olímpicos de Barcelona (1992) ficou num honroso 7º lugar na Maratona, e pouco depois ingressou no Maratona Clube de Portugal. 1 ano mais tarde foi medalha de prata nos Mundiais de Estugarda com 2h30m54s.

A sua 1ª medalha de ouro em grandes competições aconteceu nos Europeus de Helsínquia (1994) com 2h29m54s (depois de Rosa Mota ter ganho as 3 edições anteriores). Na altura de cortar a meta beijou o tartan da pista do Estádio tal era a sua felicidade: “Ao contrário do costume não dormi bem, tinha medo de não acordar a horas. O beijo no chão foi instintivo. Depois corri em busca duma bandeira que comprara em Viana e que pedira à Sameiro – treinadora – que guardasse em segredo.”

Em 1995 venceu a Maratona nos Mundiais de Gotemburgo e como prémio ganhou um Mercedes:  ”Mas que grande máquina! Vou escolher um verde garrafa, afinal sou do Sporting, só que não é carro que faça muito o meu estilo. Vai ser para o meu marido, eu vou ficar com o meu Opel Corsa”. Era o prenúncio da mudança para Alvalade, que aconteceu pouco tempo depois. A 12 de Novembro de 1995, já como “leoa”, foi 2ª na Maratona de Nova Iorque.

No dia 2 de Junho de 1996, ao vencer os 10.000 metros, ajudou a equipa do Sporting a sagrar-se campeã nacional de Atletismo pela 27ª vez (2ª consecutiva). Nos Jogos Olímpicos desse ano, em Atlanta, repetiu o 7º lugar de Barcelona. A 17 de Novembro fez um grande corrida na maratona de Tóquio, não conseguindo superar a japonesa Fujimura apenas por 39 segundos…

No ano seguinte, a 15 de Junho de 1997, triunfou nos 5.000 metros do Campeonato Nacional, sendo mais uma vez importante na conquista do título feminino de pista pelas leoas. Nos Mundiais de Atenas desse ano foi pela segunda vez 2ª em Campeonatos do Mundo, tornando-se a 1ª maratonista a conquistar 3 medalhas na prova. No final da temporada regressou ao Sporting de Braga (que lhe ofereceu melhores condições), findando assim uma curta mas profícua relação com o Sporting – o clube do seu coração.

Em 1998, a 3 dias do ataque à defesa do título de Campeã Europeia da Maratona, começou a sentir picadelas na garganta e assustou-se. Tratada de urgência com antibióticos foi para a estrada e cumpriu o seu “destino”. Atacou aos 30km e cortou a meta com os pés encharcados em sangue e um novo recorde dos campeonatos: 2h27m10s – melhorando o tempo que Rosa Mota obteve em 1986.

Para os Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000, Manuela Machado foi traida pela doença que a atacou antes da prova, terminando em 21ª. Depois da competição foi conduzida à enfermaria do estádio onde esteve mais de uma hora: “Foi horrível, estava com 39,7 graus de febre mas cheia de frio”. Manuela Machado, que nunca desistiu numa maratona, também nunca passara por uma enfermaria no final da prova: “Acontece aos melhores… mas tenho a certeza de que muito poucos campeões do Mundo no meu lugar teriam corrido. Mas eu, nem que fosse para fazer só 10 ou 15 km, teria de partir. Nunca mais me iria sentir bem se não o fizesse.”

E assim foram os principais momentos da carreira duma grande campeã! Os seus recordes pessoais:

800 metros (pc) – 2m14,8s

1.500 metros – 4m24,0s

3.000 metros – 9m09,28s

5.000 metros – 15m55,09s

10.000 metros – 32m25,6s

Maratona – 2h25m08s

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