O 1º título olímpico para Portugal!

12 de Agosto de 1984. Nesse dia Carlos Lopes foi campeão olímpico da Maratona, mas a história começa antes… Toda a comitiva portuguesa partira para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, mas Lopes ficou em Portugal. Preferiu treinar nos seus terrenos habituais. Uma bela manhã, vinha de Monsanto, e junto ao Estádio da Luz foi atropelado por Lobato Faria, comandante da TAP. Rebolou pelo asfalto, mas pouco ferido, simplesmente se reergueu e correu. Ao ver que corria veio ao seu pensamento que a medalha nos Jogos estava ganha. Se o forte embate não foi suficiente para o matar (nem tão pouco para lhe partir nada), então os “deuses da fortuna” estavam consigo. Foi transportado sem demoras ao Hospital de Santa Maria e depois à Clínica de São Lucas, mas felizmente todos os exames deram negativo. Nessa mesma tarde voltou a treinar (!)

O médico do Sporting, Branco do Amaral, não mais o largou, e declarou que o atleta tiverra muita sorte… Poucos dias depois, carregado de esperanças, partiu para os Estados Unidos da América. Preferiu não ficar na Aldeia Olímpica, onde a confusão era muita. Ficou hospedado no hotel mais luxuoso de Los Angeles, num quarto com vista para o mar que lhe foi marcado pela Nike, bem ao lado de Carl Lewis e Alberto Salazar.

Depois de mais um falhanço psicológico de Mamede (era quase sempre assim nas grandes competições), chegou a hora de Lopes, a 12 de Agosto, na Maratona. Portugal não dormiu nessa noite para ver o nosso campeão correr. Lopes foi igual a si próprio – venceu: “Decidi não me preocupar antes dos 37 quilómetros. A partir daí sabia que tinha de dar forte e feio, e foi o que fiz. Apesar de saber que nessa altura o Salazar, o Castella e o Seko já estavam fora da corrida, não deixei de me sentir preocupado, mas só um bocadinho, como sempre. Quando me senti sozinho percebi que não valia a pena mais preocupações, a vitória estava certa (…) Ganhar uma medalha de ouro é uma sensação extraordinária, até para mim que já tenho ganho muita coisa, ainda me faltava ganhar uma medalha de ouro nos Jogos. Podem imaginar como me sinto… E penso continuar, pelo menos, mais um ano”.

O tempo obtido, 2h09m21s, passou a ser recorde olímpico, para o mais velho campeão de sempre. Nos tempos que se seguiram foi um fartote de festas e homenagens, como as de Ronald Reagan e Juan Carlos de Espanha.

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