Começou bem a temporada – nas Antas, sob a “batuta” de Fraguito

10 de Setembro de 1972. Começou muito bem a temporada oficial para o Sporting de Ronnie Allen. Nas Antas, os leões levaram a melhor por 1-0 na 1ª jornada do Campeonato Nacional. A equipa: Damas; Pedro Gomes (cap), Laranjeira, Bastos e Carlos Pereira; Fraguito, Manaca (Tomé) e Vagner (Gonçalves); Marinho, Yazalde e Nelson.

O Sporting entrou melhor no jogo, mostrando uma melhor organização, mais consistência e personalidade. Logo aos 2 minutos, Fraguito (a principal aquisição para a nova época, vindo do Boavista – Carlos Pereira também se estreou) rematou bem, Rui não segurou e Nelson falhou uma clamorosa oportunidade para inaugurar o marcador – aliás, o avançado leonino estaria em foco ao desperdiçar várias oportunidades de “golo feito” durante o 1º período de jogo.

Do outro lado era o jovem Oliveira a criar os principais calafrios para os lisboetas, mas ainda assim a equipa portista mostrava-se algo desgarrada. O único golo da partida foi marcado aos 17 minutos da 1ª parte. Marinho, na extrema-esquerda, fintou por duas vezes Gualter, foi à linha de fundo e centrou, surgindo Yazalde a emendar com classe, de pé esquerdo, para o fundo das redes.

Após o golo, o Sporting teve o seu melhor período de toda a partida. Fraguito continuava a construir e Nelson a desperdiçar, mas, do outro lado, Flávio e Oliveira também estiveram muito perto de marcar antes do descanso.

O FC Porto iniciou a 2ª parte com uma boa oportunidade para chegar ao empate, mas num dos raros falhanços de Laranjeira, Damas foi “grande de mais” para a tentativa de Abel. A verdade é que os portistas cresceram muito, e foram eles os dominadores deste 2º período. Yazalde ficou muito sozinho na frente, mas mesmo assim segurando sempre 2 ou 3 defesas.

Aos 68 minutos surgiu o caso do jogo. Pedro Gomes, pela direita, centrou para a área onde Nelson atirou para o fundo das redes de Rui com um belíssimo chapéu. O árbitro (Saldanha Ribeiro) sancionou o golo, mas o fiscal de linha assinalou fora de jogo posicional a Yazalde levantando a bandeira. No entanto, quando viu o árbitro dirigir-se para o centro do terreno, o “bandeirinha” fez o mesmo, mas os protestos dos jogadores, técnicos e mesmo dirigentes portistas foram tantos, que o árbitro consultou o seu auxiliar que lhe comunicou a suposta irregularidade do lance. O golo foi então invalidado, e aí foram os sportinguistas a protestar veementemente, mas agora sem êxito.

Pouco depois Gonçalves lesionou-se sozinho, ainda voltou alguns minutos à partida mas, com as substituições esgotadas, o Sporting ficou ainda em piores lençóis. Até final, Lemos desperdiçou 2 ótimos ensejos para empatar, primeiro rematando ao poste e depois perto dele. O Sporting acabou o jogo em aflição mas com os 2 preciosos pontos. Damas fez uma exibição de grande classe, Pedro Gomes e Laranjeira foram os mais seguros da defesa, Fraguito foi o melhor do meio-campo e Yazalde, sempre muito mexido, deu que fazer à defensiva local.

Já findo o jogo, Ronnie Allen mostrava-se extraordinariamente agastado com a equipa de arbitragem: “Não há direito. O nosso jogador que fez o 2º golo estava 5 ou 6 metros atrás dos defesas contrários. Na 1ª parte o nosso adversário deu-nos muitas facilidades, mas no 2º tempo as coisas foram diferentes. Até ao 2º golo tudo nos correu bem, mas depois foi muito difícil, ainda mais com a lesão de Gonçalves, que inferiorizou a equipa”.

A prova principal do calendário futebolístico nacional começava assim da melhor maneira para os leões, que até ganharam os primeiros 4 jogos, mas a irregularidade patenteada pela equipa fê-la não ir além do 5º lugar nas contas finais da competição…

Foto (de arquivo): Fraguito, poucos dias depois de chegar ao Sporting.

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