Manuel Marques

Nasceu a 19 de Setembro de 1910 em Nogueira – Arganil. Chegou a jogar à bola, mas desistiu porque não tinha grande talento para o “assunto”… Rumou a Lisboa com 12 anos e chegou a Enfermeiro diplomado pela Escola Profissional de Enfermagem de Lisboa onde concluiu o seu curso com 19 valores. O seu brilhantismo era tal que foi durante largos anos o 1º classificado em todos os concursos relacionados com a sua atividade.

Apaixonado pelos problemas de assistência aos atletas, tirou o curso por correspondência do Smae Institute de Leatherhead – Inglaterra. Foi um grande estudioso com uma ação notável no Sporting por onde passou por inúmeras gerações de jogadores. Apelidado em Alvalade de “Mãos de ouro” afirmava que não sofria nos jogos pois “no Desporto todos devem estar preparados para ganhar ou perder”. Muitas vezes servia de “pombo correio” das táticas dos treinadores quando entrava em campo para assistir os futebolistas. Os exemplos de estoicismo que mais o impressionaram foram os dados pelo guardião Azevedo, que “muitas vezes chegou a disponibilizar-se para jogar em condições deploráveis”.

No final do Campeonato Nacional de Futebol de 1953 a direção leonina atribuiu-lhe a camisola 12 num gesto simbólico que constituiu uma homenagem àquele que era visto como o 12º jogador da equipa. 10 anos depois foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria “Dedicação”. Em 1965 o Sporting galardoou-o com a medalha de Ouro e Dedicação. Em 1979 recebeu o “Leão de Ouro” pelos seus longos anos de dedicação ao clube. 5 anos mais tarde voltou a ganhar o Prémio Stromp, agora na categoria “Especial”.

Foi durante 54 anos massagista do Sporting, chefe dos serviços de enfermagem no posto clínico do departamento de futebol profissional, ao qual, em 1986 (quando comemorou as suas bodas de ouro ao serviço do clube) foi dado o seu nome. Na altura foi galardoado com a medalha de mérito desportivo e recebeu pública homenagem da Direção leonina.

Era sócio do clube há 56 anos (tinha o número 231) quando a 30 de Abril de 1990 foi submetido a uma melindrosa operação ao estômago, morrendo de paragem cardíaca a 12 de Maio do mesmo ano. No seu funeral estiveram largos milhares de pessoas reconhecidas a um homem de fino trato e humanismo extremo que foi um verdadeiro símbolo do Sporting. No cortejo fúnebre, com uma urna coberta pelo estandarte leonino, rumou ao Estádio Alvalade, onde frente à porta 10 A, com a bandeira colocada a meia-haste, foram guardados momentos de recolhimento em sua homenagem.

Em 2002 foi distinguido com o “Leão de Ouro” a título póstumo.

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