Eurico – Um dos melhores de sempre na sua posição

Eurico Monteiro Gomes nasceu a 20 de Setembro de 1955 (mas só foi registado 9 dias depois) em Santa Marta de Penaguião. Era ainda muito jovem quando os pais abalaram para os arredores de Lisboa na procura de melhores condições de vida. Com apenas 10 anos arranjou emprego numa oficina de automóveis. Provando vocação para a mecânica rapidamente se tornou aprendiz e passou a ganhar 2.500$ mensais que fazia questão de entregar aos pais. Ao fim da tarde jogava futebol e um dia, influenciado por um amigo, Mário Coluna foi vê-lo e logo o convidou a ingressar no Benfica.

Apesar de toda a família ser portista aceitou, mas como os encarnados lhe propuseram um salário muito baixo (ganhava muito mais na oficina), optou por ir jogar para o Odivelas (de graça). No ano seguinte os benfiquistas insistiram e rumou ao clube da Luz (era ainda juvenil). Rapidamente progrediu e chegou com naturalidade aos seniores onde se impôs e ganhou 2 Campeonatos Nacionais. A certa altura John Mortimore começou a afastá-lo da equipa e ninguém da direção lhe falava para renovar o vínculo. Atento, João Rocha propôs-lhe um contrato com o Sporting por 100 contos/mês que logo aceitou.

Chegou ao Sporting no Verão de 1979. Jogou pela 1ª vez oficialmente a 2 de Setembro numa partida no Restelo para a 2ª jornada do Campeonato Nacional que o Sporting perdeu por 2-1. Marcou logo na estreia. Rapidamente se tornou um indiscutível na equipa de Rodrigues Dias (primeiro) e Fernando Mendes (depois) que chegou ao título nacional. Realizou 39 jogos (só Manuel Fernandes jogou tanto) e curiosamente alinhou muitas vezes como médio defensivo (ele que era de origem um central).

Na temporada seguinte o Sporting não esteve bem, mas Eurico voltou a ser o mais utilizado (35 jogos) patenteando uma regularidade impressionante, e, agora sim, no centro da defesa.

A sua última época no Sporting foi a gloriosa 1981/82. Sob o comando de Malcolm Allison os leões ganharam Campeonato e Taça de Portugal, e, para não variar, Eurico foi dos mais utilizados (42 presenças – apenas Virgílio jogou mais). No final saiu com alguma surpresa (na companhia de Inácio) para o FC Porto, seduzido por José Maria Pedroto. Curiosamente, o seu último jogo de verde e branco foi na jornada derradeira do Campeonato nas Antas (derrota por 2-0) e acabou expulso, pelo que não alinhou na final da Taça de Portugal.

Esteve um total de 3 épocas no Sporting, tendo realizado 116 jogos oficiais e marcado 2 golos. Ganhou 2 Campeonatos Nacionais e uma Taça de Portugal.

No Porto esteve 5 anos e foi mais duas vezes Campeão. Terminou a carreira no Vitória de Setúbal em 1989 depois de duas épocas ao serviço dos sadinos (onde voltou a encontrar Allison e vários ex-colegas do Sporting).

Foi 38 vezes internacional A. Ganhou o Prémio Stromp em 1981 na categoria “Atleta Profissional”. Conseguiu o feito inédito de se sagrar Campeão Nacional nos 3 grandes do Futebol português.

Encetou depois a carreira de treinador onde passou por variadíssimos clubes com destaque para o seu trabalho no FC Tirsense que consigo brilhou como nunca na 1ª divisão. Chegou a ser também adjunto de Jupp Heynckes no Benfica e passou ainda por diversos países como Argélia, Grécia e Arábia Saudita.

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