Estreia de Juca como treinador com triunfo importantíssimo

1 de Outubro de 1961. Após e eliminação “aos pés” do Partizan de Belgrado para a 1ª eliminatória da Taça dos Campeões Europeus (à qual o Sporting chegou em virtude de o Benfica ter sido campeão europeu) e o empate a zero em “casa” frente ao Lusitano de Évora na 1ª jornada do Campeonato Nacional, o contrato com o técnico Otto Glória foi rescindido. As suas célebres frases de que “não se podem fazer omeletas sem ovos” e “quando não se pode andar de casaco, anda-se de jaqueta”, cairam muito mal entre os dirigentes e associados leoninos, convencidos (e provar-se-ía, bem) de que o Sporting tinha “matéria-prima” para grandes cometimentos. “Amuado” por textos elaborados a seu respeito pelo Jornal do Sporting, o treinador brasileiro saiu, recebendo de indemnização 50 contos.

Juca assumiu a liderança da equipa, e os resultados não se fizeram esperar. O 1º teste foi de “fogo”, nas Antas, frente ao FC Porto. O novo treinador apresentou a seguinte equipa: Carvalho; Lino e Hilário; Péridis, Morato e Lúcio; Hugo (cap), Figueiredo, Monteiro, Géo e Morais.

O 1º golo da partida foi todo de “fabrico brasileiro” e surgiu aos 42 minutos. Uma insistência de Lúcio (sempre em busca duma nesga de terreno para aplicar o seu famoso pontapé) foi travada em falta por Ivan. Géo marcou a falta com um pequeno toque para o lado e Lúcio acertou em cheio um tremendo pontapé, tendo a bola saído a meia altura e entrado como um bólide na baliza de Américo.

A 5 minutos do final da contenda o Sporting confirmou o triunfo chegando ao 2-0 final. A jogada foi conduzida pela direita, Monteiro abriu no outro flanco em Morais, que ganhou o esférico na luta com Ivan e depois rematou cruzado, rasteiro e sesgado, obtendo um golo importantíssimo.

O Sporting acabou por ganhar um jogo sem casos, de forma clara, sem margem para dúvidas ou reticências. Segundo o jornal “A Bola”: “Os leões demonstraram uma condição físico-atlética verdadeiramente notável para princípio de época, com os seus jogadores a denotarem uma saúde física e capacidade de movimentação de modo a poderem correr e saltar durante os 90 minutos sem interrupções”.

A organização tática da equipa foi um dos fatores que mais deu nas vistas. Impondo um 4-3-3 dinâmico e firme, quase perfeito a defender e muito razoável a atacar, sempre em volta do “cérebro” Géo, os sportinguistas obtiveram um triunfo fundamental. Cada jogador arrebatou 2 contos pela vitória.

Nos balneários do Sporting o ambiente era de natural regozijo. Juca, o novo treinador, referiu: “A nossa equipa jogou com muito brio. Tinha sido por demais espicaçada com o que dela se disse depois do empate na jornada inaugural. Deu-se ao jogo com uma aplicação notável, disposta a recuperar a moral do início de temporada. Derrotar o Porto nas Antas representava para nós um triunfo que transcendia a mera questão da conquista de 2 pontos. Jogámos para triunfar psicologicamente, também. Creio que a equipa o conseguiu. Este êxito vai abrir-lhe novas perspetivas”. Assim foi.

Foto (arquivo): Lúcio, autor do 1º golo nas Antas com um remate fantástico.

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