Leões deixaram imagem poderosa em digressão a Madrid

28 de Dezembro de 1915. O Sporting foi fazer 3 jogos a Espanha a convite do Madrid FC (atual Real Madrid) aproveitando o cartel resultante da época anterior, na qual, em vários jogos, não tinha sido derrotado por nenhuma equipa do país vizinho.

A viagem a terras espanholas tinha o simpático objetivo de estreitar os laços de camaradagem entre os desportistas dos 2 países e antecedia uma visita dos madrilenos a Lisboa, em Janeiro.

Na altura o Sporting era considerado pela imprensa portuguesa como “uma equipa com uma linha muito homogénea, com dianteiros enérgicos e uma defesa magnífica”. Por todos estes atributos esperava-se uma boa presença em Espanha.

O grupo foi acompanhado pelos diretores Mário Pistachini e João Vieira, que “serviram de bons conselheiros para os jogadores”. Os resultados obtidos pelos sportinguistas foram considerados honrosos para o brio de todos os desportistas e cidadãos portugueses.

A viagem teria sido de um êxito completo não fosse uma lesão sofrida pelo “simpático” Raúl Barros (por responsabilidade de quem os calções do equipamento oficial leonino passaram definitivamente de brancos a pretos nesse ano).

No 1º jogo em terras espanholas, frente ao Madrid FC (no dia de Natal), a equipa verde e branca apresentou-se com: Paiva Simões; Amadeu Cruz e Jorge Vieira; Raúl Barros, Artur José Pereira e Boaventura da Silva; Marcelino, Jaime Gonçalves, Perdigão, Francisco Stromp e Armour. Carlos Ferrando da Silva (guarda-redes) e Gastão Ferraz fizeram a viagem como suplentes.

Segundo os periódicos espanhóis a vitória leonina por 2-1 não traduziu fielmente a sua superioridade, dado que os portugueses dominaram constantemente a partida, tendo valido Lemmel (o melhor guarda-redes de Espanha) para evitar uma derrota mais pesada.

O jornal “ABC” referiu mesmo que o Sporting era um grupo completíssimo, com setores magníficos, muita rapidez (também no passe – geralmente curto) e ótimo posicionamento.

O periódico “Heraldo de Madrid” foi ainda mais cáustico, afirmando: “Fizémos o que pudémos para não fazer má figura. Não estamos em condições de competir com fortes grupos estrangeiros. O jogo do Sporting Clube de Portugal é forte sem ser violento. É masculino. O Sporting deixou a impressão de ser poderoso e científico”.

Nos jogos seguintes da digressão o Sporting bateu o Atlético Aviación (futuro Atlético de Madrid) a 26 de Dezembro por 3-1 e empatou a um golo em novo jogo (28 de Dezembro) com o Madrid FC.

A partida frente ao Aviación foi excessivamente dura e violenta o que não agradou tanto aos desportistas espanhóis. Disse-se na imprensa local que “os do Sporting têm a vantagem extraordinária de, além do seu enorme conhecimento do jogo, ou talvez por isso mesmo, saberem fazer as mais refinadas enormidades com a mais delicada das cortesias”.

No final da digressão a crítica espanhola foi unânime em considerar o Sporting mais capaz que as equipas de Madrid, sabendo-se adequar às caraterísticas de cada adversário.

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