3-0 ao Porto, vitória do pragmatismo e da eficácia

1 de Novembro de 1976. 7ª jornada do Campeonato Nacional, hora de receção ao FC Porto. Jimmy Hagan (o treinador) e Keita (o principal reforço) eram por esses dias idolatrados pela falange leonina.  O Sporting era 1º classificado com 3 pontos de avanço de Varzim e FC Porto, mas vinha de ceder os primeiros pontos com um empate surpreendente no Montijo. O jogo com os portistas revestia-se, assim, da maior importância. Hagan contra Pedroto era um confronto muito curioso.

À 7ª jornada perguntava-se quem seria capaz de marcar em Alvalade. Realmente, no seu campo, os leões haviam conseguido 12-0. A verdade é que o Porto também foi impotente para o bom momento verde e branco. O 3-0 final acabou por ser exagerado para aquilo que se passou em campo. A grande diferença esteve na eficácia e pragmatismo da equipa leonina. A “crítica” apontou que: “Com uma defesa assim os portistas não vão longe”. Mas as coisas para Pedroto não tinham sido tão lineares: “Escolhido a dedo o árbitro (Inácio de Almeida) deste jogo”

A equipa: Conhé; Inácio, Laranjeira (cap), José Mendes e Da Costa; Valter, Fraguito e Baltazar; Manoel, Manuel Fernandes (Marinho) e Keita.

O jogo começou equilibrado, mas pouco a pouco os portistas foram ganhando algum controlo. Apesar disso, Manuel Fernandes criou a 1ª grande situação de perigo ao rematar à trave.

O Sporting inaugurou o marcador aos 29 minutos. Baltazar marcou um canto da esquerda, Manuel Fernandes deu um pequeno desvio na bola e Keita surgiu livre, na meia esquerda, a tocá-la para fora do alcance de Tibi.

8 minutos depois os leões aumentaram o ativo por Manoel, que recebeu a bola na direita, desmarcou-se bem e rematou cruzado, com êxito. O intervalo chegou assim com a vantagem de 2 golos dos leões, fruto do seu pragmatismo, do seu futebol prático e eficaz, frente a um adversário que até foi mais dominador mas que teve grandes dificuldades em chegar à zona de finalização.

No 2º tempo José Maria Pedroto alterou taticamente a sua equipa, abdicando dos 2 laterais e optando por um futebol muito ofensivo. Os portistas continuaram a ser a equipa mais dominadora, mas agora menos exuberante que na 1ª parte. Mais ou menos a meio deste período complementar Da Costa salvou um golo sobre a linha, mas logo na resposta Keita, isolado perante Tibi, acabou por atirar ao lado.

Ao fim e ao cabo foram os sportinguistas a marcar de novo, a 5 minutos do fim. Os portistas já estavam reduzidos a 10 elementos por Freitas ter agarrado Keita (incapaz de acompanhar o seu ritmo) quando este se isolava para a área azul e branca. Foi o maliano a iniciar o lance, tocando bem para Manuel Fernandes, que furou muito bem por entre os defensores contrários e desviou com grande categoria a bola de Tibi, acabando até por lesionar-se.

No computo geral este jogo fez lembrar o realizado poucas semanas antes perante o Benfica e com o mesmo resultado. O Sporting não foi uma equipa dominadora que remetesse o adversário à defesa. Foi essencialmente um coletivo onde cada um sabia muito bem o que fazer, jogando com muito sentido prático e contando com rematadores eficazes, atacantes de excelente técnica individual.

Laranjeira, muito bem no comando da defesa, Da Costa e Baltazar extremamente lutadores, Manuel Fernandes e Keita, magníficos na elaboração dos “desenhos” ofensivos, foram as figuras maiores dum Sporting que parecia disparar para o título.

O capitão Laranjeira achou que: “Este foi um bom espetáculo em que o Sporting foi um justo vencedor. A nossa equipa soube aproveitar as ocasiões que se lhe depararam, ao passo que o FC Porto também teve algumas oportunidades mas não as conseguiu concretizar. O resultado mais justo seria talvez um 4-2”.

Foto (arquivo): Baltazar, Keita e Da Costa foram 3 das principais figuras da vitória clara frente ao Porto.

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