Cadete e Cherbakov a brilharem na UEFA numa equipa que prometia

3 de Novembro de 1993. Este Sporting prometia muito. Depois de ultrapassar sem grande brilhantismo os turcos do Kocaelispor (0-0 e 2-0), os leões defrontaram o Celtic de Glasgow nos 1/16 final da Taça UEFA. Na 1ª partida, na Escócia, belíssima exibição do Sporting, que criou várias oportunidades para marcar e mostrou personalidade forte, perante um adversário que lhe foi quase sempre inferior. Apesar de tudo os leões regressaram a Lisboa com uma derrota por 1-0, que deixava tudo em aberto.

15 dias depois, em Alvalade, grande entusiasmo para o encontro da 2ª mão. A equipa escalada por Bobby Robson: Costinha; Nélson, Peixe, Stan Valckx e Paulo Torres; Paulo Sousa; Figo, Cherbakov, Balakov e Filipe (Capucho); Cadete (Leal).

O Sporting entrou em campo com a firme disposição de virar a eliminatória, remetendo os escoceses a uma toada de contra-ataque. Ambos os laterais mostraram uma grande propensão para subir no terreno. Paulo Sousa transportava jogo, muito bem secundado por Figo, Cherbakov e Filipe, enquanto Balakov jogava bem próximo de Cadete.

Alinhando com grande velocidade, o Sporting confundiu por diversas vezes a defensiva contrária, salientando-se a prestação de Cherbakov, a fazer um magnífico início de época. Os escoceses apresentaram-se com a “lição bem estudada”, tentando fazer 1 golo que os poria com grande vantagem na eliminatória.

Como corolário do seu domínio o Sporting inaugurou o marcador aos 18 minutos. Após um passe fantástico de Cherbakov, Cadete fugiu aos centrais contrários e com grande calma, à saída do experiente Pat Bonner, fez-lhe passar a bola sob o corpo obtendo um belo golo. O Sporting ganhou confiança e os escoceses procuraram subir no terreno, mas até ao intervalo foi a equipa de Robson quem esteve mais perto de voltar a marcar.

Na 2ª parte o Sporting continuou a ser mais dominador, fazendo o 2-0 de novo por Cadete, aos 63 minutos, após uma bela solicitação de Balakov. O tempo correu então a favor do Sporting, que com grande segurança tinha a eliminatória na mão. Todavia, a 1 minuto do fim, os escoceses tiveram a sua grande oportunidade quando McStay rematou à barra da baliza de Costinha. O calafrio passou e o Sporting seguiu em frente após uma eliminatória em que foi claramente a melhor equipa.

No final, satisfeito, Bobby Robson explicou porque utilizou apenas um ponta-de-lança: “No futebol britânico os centrais de qualquer equipa são pouco flexíveis e preferem jogar à zona. Se o Sporting tivesse apresentado 2 avançados eles veriam a sua tarefa facilitada, e só com 1 avançado, ele conseguiu furar pelo meio deles, evitando a marcação. O Sporting foi superior, merecendo inteiramente esta vitória. Eu tinha dito aos jogadores que, se necessário fosse, colocaria o Capucho a jogar na frente ao lado do Cadete, mas felizmente não foi preciso”.

A grande exibição de Cadete nunca mais foi esquecida pelos escoceses, que só descansaram quando o contrataram, alguns anos depois…

Esse foi o jogo 143 e a vitória 61 do Sporting em jogos das Competições Europeias. O 1º golo de Cadete foi o 250º dos leões nessas provas.

Foto: Cadete depois de apontar o 1º golo do Sporting.

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