Futebol do Sporting volta a salvar o brio nacional

28 de Dezembro de 1924. O Sporting venceu no Campo Pequeno os afamados húngaros do Szombathely AC por 4-2, depois destes terem adquirido grande prestígio no nosso país ao derrotarem o Belenenses por 2-1 e o Benfica por 6-0!

Disse-se na altura que os leões seriam mais uma vítima do fantástico futebol magiar, mas a realidade foi bem diferente. O técnico Julius Lelovitch apresentou: Cipriano; José Leandro e Jorge Vieira; João Vieira, Filipe dos Santos e Henrique Portela; Torres Pereira, Jaime Gonçalves, Alfredo Sousa, João Francisco e Emílio Ramos.

Aos 15 minutos surgiu o 1º golo. Alfredo Sousa deu a Jaime, este driblou o médio contrário e adiantou para João Francisco que furou rapidamente por entre a defesa e arrancou um pontapé forte e bem colocado, fazendo o 1-0.

4 minutos mais tarde, um centro de Torres Pereira foi concluído por uma cabeçada de Alfredo Sousa, que marcou o 2-0. O público manifestou-se em delírio.

Pouco depois, em jogada muito confusa, os húngaros reduziram para 2-1. Passaram então a dominar, atiraram uma bola à trave e obrigaram Jorge Vieira a um trabalho extenuante, pois Henrique Portela estava em “dia não” no que toca ao aspeto defensivo. Entretanto o Sporting ia respondendo mas encontrava no guarda-redes húngaro um adversário à altura. O intervalo chegou com 2-1.

Os homens de leste chegaram ao empate numa bela jogada na “aurora” do 2º tempo e continuaram a pressionar de forma notável, julgando-se que mais minuto menos minuto tomariam a dianteira. No entanto, numa jogada de contra-ataque, Filipe meteu bem em João Francisco e este assistiu Emílio Ramos que rematou com força. O guardião defendeu, mas Jaime na recarga fez o 3-2.

Cipriano destacava-se com belas intervenções, e a 16 minutos do fim o médio centro húngaro lesionou-se. O árbitro perguntou a Jorge Vieira se os magiares poderiam substituí-lo, ao que o capitão sportinguista amavelmente acedeu.

Minutos mais tarde João Francisco rematou bem e a um defesa húngaro não restou outra alternativa que não defender a bola com a mão. No respetivo penalty Filipe dos Santos fez o 4-2 final.

Segundo as crónicas da época: “O Sporting lutou ardorosamente exibindo um futebol agradável, profícuo e correto, impondo-se à admiração de todos os desportistas. Todos os seus homens se conduziram com nobreza num jogo sem violências e incorreções. Foi um triunfo magnífico que fez vibrar de emoção e contentamento o público. Jorge (foto) e Filipe foram os melhores na equipa leonina, seguidos de perto por João Francisco, Emílio Ramos e Alfredo Sousa (muito rápido e a distribuir bem o jogo). Ainda assim notou-se a falta de Joaquim Ferreira, na atualidade, o mais forte da defesa leonina”.

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