Osvaldo Silva brilhou no regresso às Antas

25 de Novembro de 1962. O Sporting de Juca e Armando Ferreira não começara a época da melhor maneira. Na Taça dos Campeões, eliminação na 2ª eliminatória com o Dundee United, no Campeonato Nacional derrota com o Leixões logo à 2º jornada… No entanto, a pouco e pouco, a equipa parecia subir de rendimento. Os reforços José Carlos, Osvaldo Silva (sobretudo este) e Mascarenhas iam-se entrosando cada vez mais, e a equipa começava a dar sinais de poder fazer uma boa temporada.

À 5ª jornada um grande desafio – o FC Porto-Sporting nas Antas. Os portistas vinham duma vitória na Luz frente ao Benfica por 2-1, eram líderes isolados da prova e tinham o seu Estádio “cheio como um ovo”, mas este terá sido o jogo mais conseguido do Sporting no Campeonato Nacional 1962/63. A equipa leonina: Libânio; Lino (cap) e Hilário; José Carlos, Morato e David Julius; Péridis, Osvaldo Silva, Augusto, Géo e Morais.

Os portistas tiveram algum azar logo na parte inicial do encontro, pois Serafim, vítima duma distensão muscular, abandonou o terreno para voltar um quarto-de-hora depois com uma coxa elástica na perna direita. O facto é que ficou visivelmente inferiorizado para o resto do jogo.

A 1 minuto do intervalo o marcador funcionou pela 1ª vez. O brasileiro Augusto marcou bem um livre sobre a direita, Américo deu uma palmada da bola, mas Morais, oportuníssimo, apoderou-se dela e quase sem ângulo rematou cruzado para o fundo das malhas. O intervalo chegou, assim, com 0-1.

Logo no 1º minuto da 2ª parte os portistas chegaram à igualdade. Jaime infiltrou-se pela direita e lançou Pinto (muito adiantado, provavelmente em fora-de-jogo). Este rematou, Libânio defendeu com uma sapatada, mas Azumir, muito bem, apesar de mal posicionado, arrancou uma “meia-cambalhota” e fez o golo.

Decorriam 62 minutos quando os leões se voltaram a adiantar. Foi numa jogada de contra-ataque, na qual José Carlos lançou Osvaldo Silva, que cruzou rasteiro e forte para Morais, do lado contrário, tocar a bola em habilidade, com a parte de dentro do pé, para o fundo da baliza.

À meia-hora deste 2º tempo Osvaldo Silva, que fazia uma bela atuação, teve o prémio merecido ao obter o 3-1. O brasileiro, aliás, foi o grande protagonista da jogada, pois driblou vários adversários (apesar de carregado) e cruzou para Morais. Este tentou rematar, a bola ressaltou para a frente e Osvaldo Silva concluiu com categoria um golo inesquecível para ele, não só pela beleza da sua iniciativa como pelo facto de ser um antigo jogador do FC Porto.

Nos últimos minutos os sportinguistas recorreram muito bem ao método de posse de bola, em passes curtos duns jogadores para os outros, uma espécie de “baile” que deixou completamente desorientada a equipa local.

O brasileiro Osvaldo Silva, ex-Leixões (e ex-Porto) foi o grande jogador do Sporting neste encontro, bem secundado por José Carlos (que anulou Hernâni, a principal figura dos portistas) e Morais. Cada jogador do Sporting recebeu 2 contos por este triunfo.

No final, o extremo Morais, cada vez mais em foco na turma leonina, referiu: “Confesso sinceramente que esperava mais do nosso adversário. Falou-se muito nele ao longo da semana depois do seu excelente triunfo na Luz, e daí uma certo receio. A verdade porém é que o Sporting jogou mais e melhor. A nossa vitória está certíssima. Sobretudo o Sporting lutou muito, lutou sempre e só assim se conseguem ganhar desafios fora de casa. A equipa está a caminhar, como se viu, para a melhor forma. Vamos ver se conseguimos chegar ao título como no ano passado”. Quanto aos seus golos: “Foram obra da oportunidade com que fui aos lances. Ainda não tinha marcado este temporada mas ganhei neste jogo o poder de oportunidade, e daí ter concretizado. Claro que a lesão de Serafim deve ter contribuído para a impressão com que fiquei dos portistas, e o Hernâni também esteve muito bem vigiado. Sem ele o FC Porto vale, evidentemente, menos”.

Foto (arquivo): Osvaldo Silva.

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