Américo Raposo

Nasceu a 19 de Dezembro de 1932 em Lajeosa do Dão – Tondela. Filho de Joaquim Raposo (um dos primeiros ciclistas portugueses), teve nos irmãos (Alberto e Júlio) e posteriormente no seu “mestre” Eduardo Lopes (treinador pessoal de 1948 a 1953), os apoios para ser um grande ciclista português, o melhor do seu tempo na velocidade, especialidade na qual era quase imbatível.

Chegou ao Sporting em 1948, e no ano seguinte já obtinha triunfos, no Grande Prémio de Sangalhos e no Circuito da Encarnação. Ainda no escalão de Amadores, em Junho de 1950, deu nas vistas no 1º Festival de Ciclismo (na pista de Alvalade) sob a égide das organizações Benfica-Sporting, triunfando nas duas provas da sua classe. Em Setembro foi campeão regional de velocidade em Amadores Seniores e triunfou no Circuito de Parada em Cascais. Em Novembro foi campeão nacional de velocidade na sua categoria.

Em 1951 chegou pela 1ª vez aos “píncaros” ao sagrar-se campeão nacional de velocidade, já no escalão mais alto (independentes). No ano seguinte, Fevereiro, sagrou-se campeão regional de crosse. Triunfou ainda no Circuito das Libras e sagrou-se, pela 2ª vez, campeão nacional de velocidade (Outubro).

No Regional de Crosse de 1953 voltou a vencer. Em Novembro foi pela 3ª vez campeão nacional de velocidade após uma disputa fraticida com o companheiro Pedro Polainas numa jornada de grande espetáculo na pista de Alvalade.

Em Julho de 1954 triunfou na clássica Porto-Lisboa, deixando, mais uma vez, o companheiro Pedro Polainas em 2º.

Em 1956 (Abril) sagrou-se campeão regional de velocidade. Triunfou também na “Prova Associação”. 1 ano depois venceu o Festival de Ciclismo de Alpiarça. Em finais de Agosto fez parte da equipa que triunfou no Campeonato Nacional de Fundo (com Pedro Polainas e Manuel Graça). Em Outubro, no Estádio do Lima, sagrou-se pela 4ª vez campeão nacional de velocidade, batendo o portista Onofre Tavares, um dos seus grandes rivais de sempre – um dia, após derrotar o adversário, foi convidado pelo clube das Antas, que lhe oferecia 5 vezes mais do que ganhava em Alvalade, mas recusou.

Em 1958 recebeu a medalha Cândido de Oliveira por vencer as “primeiras pedaladas” da Volta a Portugal em bicicleta. Em Setembro foi campeão nacional de velocidade pela 5ª vez!

Entretanto, por esta altura, já prenunciava uma habilidade manual e sentido estético apurados (ele próprio construía os seus quadros de bicicleta, tendo em conta a sua ergonomia e outros pormenores). Desejou incrustar na sua bicicleta de “pistard” um emblema em ouro esmaltado com o Escudo Nacional, comemorando, dessa forma muito pessoal, os inúmeros títulos de campeão nacional amealhados na década de 50. Esse desejo levou-o a visitar a oficina de um amigo e admirador, que possuía à época uma das casas mais reconhecidas na área da medalhística, com sede na baixa Lisboeta. Nos seus poucos tempos livres foi experimentando os buris, as fresas, as máquinas, os materiais, e não foi preciso muito tempo para constatar que Américo Raposo era um predestinado também nessa arte.

Em 1959, “cumprindo um ritual”, segundo o jornal “A Bola”, foi o 1º a vestir a camisola amarela na Volta a Portugal – Raposo participou em 6 edições da “prova rainha” do velocipedismo português (numa delas chegou a vencer 7 etapas e a andar de amarelo por 5 vezes), mas considerava que a prova não se adaptava ao seu temperamento nervoso.

Depois de terminar a sua carreira de ciclista tornou-se treinador do Sporting, lançando, entre outros, uma grande figura da História leonina na modalidade – João Roque.

No início da década de 60 abriu a 1ª oficina sua de gravação e daí para a frente nunca mais parou nessa área. Em 1979 Paes de Villas-Boas, conceituado crítico de medalhística, conferiu-lhe o estatuto de “Mestre Gravador” e até hoje continua no negócio, sendo, reconhecidamente, um dos melhores do país na sua arte, tal como o fôra no Ciclismo.

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Comments (2)

 

  1. sporting canal says:

    Muito obrigado pelas informações.

  2. Parabéns!
    Uma súmula da carreira de Américo Raposo muito boa. Faltou mencionar o seu Mestre, que foi quem verdadeiramente lhe transmitiu todo o seu saber; Eduardo Lopes. Só uma correcção; tratava-se de Alberto Raposo, seu irmão mais velho (tal como Júlio Raposo) e não Alberto Rui. Rui Raposo, é o seu irmão mais novo que também chegou a correr, mas teve uma carreira muito curta.
    Cumprimentos

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