Visconde de Alvalade

Alfredo Augusto das Neves Holtreman nasceu a 6 de Abril de 1837 em Santarém. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo-se tornado um dos mais prestigiados advogados de Lisboa. Por decreto de 22 de Junho de 1898 foi-lhe concedido o título de Visconde pelo rei D. Carlos. Ao contrário de muitos outros homens da sua estirpe, numa altura em que Portugal vivia momentos difíceis, Alfredo Holtreman não estava na classe dos numerosos fidalgos arruinados. Pertencente a “boas famílias”, era proprietário de inúmeras casas e terrenos possuindo uma assinalável fortuna pessoal. Tinha uma maneira de ser muito “aberta” e cultivava o gosto por estar rodeado de jovens. A solicitação do seu neto, José Holtreman Roquette (José Alvalade), cedeu o terreno onde foi construído o 1º campo de jogos e sede do Sporting (no Sítio das Mouras), financiando com grande entusiasmo todas as despesas para as respetivas instalações. Aliás, era curioso o facto de ser apelidado de “anjo bom” por outros dos entusiastas no novo clube. Fez parte do núcleo de fundadores do Sporting e redigiu os seus primeiros estatutos, aprovados pelo Governo Civil de Lisboa a 22 de Agosto de 1907. Foi o 1º presidente da coletividade, posto onde se manteve até 3 de Janeiro de 1910. Nesse ano foi declarado Sócio Benemérito e 2 anos depois Sócio de Honra. Morreu a 22 de Junho de 1920 numa fase em que vivia com grande desgosto pela morte prematura do seu neto, José Alvalade, 2 anos...

2013 – A eleição de Bruno de Carvalho

23 de Março de 2013. Os resultados parciais das eleições no Sporting Clube de Portugal foram conhecidos por volta das duas horas da manhã (do dia seguinte), e divulgados  por Eduardo Barroso, presidente da Mesa da Assembleia-Geral. Os resultados eram ainda provisórios porque, a juntar aos votos presenciais, foram considerados apenas os votos por correspondência enviados até sexta-feira. A contagem definitiva seria feita na terça-feira seguinte mas nada mudou. Já não havia volta a dar, Bruno de Carvalho já ganhara! O novo presidente liderava a votação para o Conselho Diretivo com 45.327 votos, o que equivalia a 53,66 % dos votos e ainda 8.944 sócios votantes, o que correspondia a 59,54 %. José Couceiro, candidato da Lista C, recebeu 38.327 votos, que correspondiam a 45,35 % e a 5.928 sócios (39, 46 %). Quanto a Carlos Severino, da Lista A, recebeu 863 votos, que correspondiam a 1,02 % e 150 sócios votantes (1 %). Na Assembleia-Geral, a liderança também era da Lista B, de Jaime Marta Soares, com 56,05% dos votos (39.105 votos). A lista C, de Tito Fontes, reunia 44, 46% dos votos (36186 votos) e a Lista A, de Carlos Teixeira, 5, 3% (4123 votos). Quanto ao Conselho Fiscal e Independente, nova liderança da Lista B, de Jorge Bacelar Gouveia, com 43, 73% (36.218 votos). A Lista C, de Nuno Marques, tinha 35, 18% (29.104 votos), a Lista A, de António Lucas, 12,12% (312 sócios)e a Lista D (Independente) de Vicente Caldeira Pires, reuniu 18,89% das preferências. Começava aí uma nova era no Sporting. As máximas prometidas por Bruno de Carvalho eram competência, rigor e inteligência. Augusto...

1932 – As ideias de Retamoza Dias, o novo Presidente

23 de Março de 1932. Neste dia Álvaro Luís Retamoza Dias tomou posse como presidente do Sporting. Poucas semanas depois, numa entrevista ao jornal “Os Sports”, o novo líder leonino afirmava que: “Assumir a presidência foi para mim um sacrifício e uma responsabilidade. Fi-lo por espírito de disciplina e confiado na colaboração de numerosos amigos que me escolheram para tão alto cargo. O Sporting Clube de Portugal atravessa financeiramente um momento difícil fruto da crise económica que é geral no país. Procuraremos um equilíbrio orçamental mas o Futebol merece-nos um cuidado especial. A disciplina, dedicação e compreensão dos nossos atletas tem-nos facilitado o trabalho. Algumas secções serão impulsionadas para ressurgirem. Vamos organizar as escolas de Natação, mas ainda não temos o intuito de ganhar nesta modalidade. Continuaremos a prestar atenção ao Ciclismo, que tem tido sempre boa representação – Alfredo de Sousa, a dedicação personificada, procurará reformar um bloco que chegou a marcar um valor insofismável. Na secção de Andebol (de onze) vamos concorrer ao Campeonato de Lisboa e é notável o número de sócios que quer praticar esta modalidade. No Atletismo a dedicação de Mário Porto liberta-nos de preocupações, e nos momentos decisivos não faltará o conselho precioso e a orientação competente do dr. Salazar Carreira. O Ténis encontra-se entregue à dedicação de António Simões e os seus representantes vão com certeza honrar as cores do clube. No que diz respeito às relações com o Benfica, elas têm no passado tantos pontos de contacto que a própria tradição imporá uma solução favorável aos interesses comuns. Existem dificuldades com o nosso atual campo de jogos que o plano de...

Joaquim de Oliveira Duarte

Joaquim Guerreiro de Oliveira Duarte nasceu em 1891. Era um homem muito discreto, médico dentista, que sorria pouco e gostava que o apelidassem de “leão de pedra”. Admitido como sócio do Sporting em 20 de Maio de 1921, fez parte da equipa de Polo-Aquático (onde chegou a internacional) do clube que se sagrou pela 1ª vez Campeã Nacional, em 1922, feito que repetiu em 1926, conquistando ainda 2 Campeonatos Regionais. Dirigiu o posto náutico do clube em 1926 e 1927. Foi presidente da Federação Portuguesa de Natação e da Associação de Futebol de Lisboa. Foi um dos mais brilhantes e profícuos presidentes do Sporting e o 2º que mais tempo seguido permaneceu no cargo (só superado por João Rocha), entre 1932 e 1942 (já estivera na presidência entre 1928 e 1929). Nesse período a coletividade floresceu em ecletismo, com destaque para o Futebol, Ciclismo, Andebol de Onze, Hóquei em Patins e Atletismo. Também em termos estruturais o Sporting ganhou muito com a sua presença pois, entre outros aspetos, foi ele a tornar possível o arrendamento do Stadium de Lisboa em 1937, que permitiu ao clube dispor de muito melhores condições. Deveu-se também a ele a instalação da sede do clube no fantástico Palácio Foz onde numerosas festas fizeram as delícias da “melhor” sociedade lisboeta. Realizou o 1º Congresso Leonino com a participação de todas as filiais e delegações do clube. Desenvolveu enormemente a prática da Ginástica no Sporting dando-lhe as bases para o futuro brilhante que ela veio a alcançar. Gostava de repetir a frase “Não devemos nada a ninguém a não ser favores”. A gestão financeira da sua gerência, baseada...

A análise e os desabafos de João Rocha

26 de Janeiro de 1980. Analisando para a comunicação social de forma profunda o momento atual do Sporting, o presidente João Rocha afirmava que o passivo do clube andava pelos 89.000 contos mas que o seu ativo era superior a 300.000, pelo que não havia motivos para grandes apreensões. O líder sportinguista declarou ainda que o Sporting era vítima de grande incompreensão oficial, por oposição ao Benfica, para quem tudo era facilitado. Disse ele que “Para o Benfica é tudo deferido em 2 meses e para o Sporting, ao fim de 16 meses, nem um caracol!” Fazendo um auto-elogio, Rocha referiu que quando assumiu a presidência do clube ninguém o queria fazer, e que no clube de Alvalade arriscou o seu esforço, a sua vida e o seu dinheiro. Apesar dos êxitos ecléticos do clube serem uma constante, o Futebol (que até acabaria esse ano por conseguir o título) não ía propriamente de vento em popa, pois os sucessos escasseavam. Talvez por isso João Rocha estivesse ligeiramente desencantado e procurasse encontrar uma sucessão para o seu “reinado”. Tudo mudou 8 meses depois após um conjunto impressionante de êxitos para a coletividade. Numa Assembleia Geral apoteótica João Rocha foi reconduzido no seu cargo, voltando a “sonhar” com a Sociedade de Construções e Planeamento, que pretendia criar no Sporting uma verdadeira cidade...

O presidente Barreira de Campos sobre o estado do Sporting em 1944

24 de Novembro de 1944. O Sporting havia ganho mais um Regional lisboeta de Futebol há pouco tempo. Foi oportuna a entrevista de Barreira de Campos (na foto), o presidente da coletividade, ao jornal “Os Sports”. Segundo a opinão do líder sportinguista: “Esta foi uma vitória com valor e brilho, alcançada em luta nobre e leal com os nossos mais fortes rivais no campo desportivo. No Campeonato Nacional tentaremos vencer e tenho esperanças que isso aconteça”. Cerca de 1 mês antes o Sporting tinha jogado em Espanha com o Atlético Aviación: “A última viagem a Madrid foi gloriosa por todos os motivos para o desporto nacional e sportinguista. O ambiente que encontrámos em Espanha excedeu as nossas melhores expetativas. Fomos mensageiros do reatamento de relações luso-espanholas, tendo esta constituído uma ação positiva do clube em favor do desporto nacional. Merecemos inequívocas manifestações de simpatia, deixando também a melhor impressão entre os dirigentes do futebol espanhol”. No que diz respeito ao desenrolar das outras modalidades: “No Atletismo, em 1944, só não vencemos os campeonatos de seniores e temos uma equipa com uma ótima perspetiva de futuro (seria campeã nacional na época de 45). No Ciclismo, apesar da fraca atividade nacional, obtivemos alguns bons triunfos, realçando também a prestação de João Lourenço por terras de Espanha. No Andebol, Basquetebol e Natação, sem vitórias relevantes, prosseguimos o rumo certo. No Ténis mantemos magnífica atividade. Inaugurámos um novo court que tem a particularidade de o terreno ser permeável, absorvendo com facilidade a água das chuvas, o que permite jogar-se no Inverno”. Partindo para uma perspetiva mais global: “A situação geral do clube, em...

Salazar Carreira

José Salazar Carreira nasceu a 2 de Novembro de 1894 em Lisboa. Foi um dos mais carismáticos e eclécticos atletas e dirigentes do Sporting, atingindo prestígio nacional e internacional. Como atleta iniciou a sua atividade no Ginásio Clube Português, ingressando no Sporting em 1912, e para sempre. Durante 25 anos competiu em Atletismo, Esgrima, Andebol, Natação, Raguêbi e Ténis, sempre com as cores verde e branca. Foi ele que introduziu o Râguebi em Portugal em 1922, e foi com ele que o Sporting se sagrou tetra-Campeão Regional entre 1927 e 1930. Também a ele se deveu o aparecimento das camisolas listadas a verde e branco, que começaram a ser utilizadas no Râguebi e mais tarde se estenderiam ao Futebol e a todas as modalidades do clube. O modelo foi inspirado no equipamento do Racing Clube de France (listado a azul e branco) que Carreira trouxera duma visita a Paris. Como atleta começou, no entanto, a dar nas vistas no Atletismo. Em 1913 já participara na equipa vencedora na estafeta 3X300 metros dos Jogos Olímpicos Nacionais, mas no ano seguinte arrasou ao triunfar, na mesma competição, nos 100, 200, 400 e 800 metros. Após o período conturbado da 1ª Guerra Mundial, na qual o desporto português viveu um período de grande marasmo, Salazar Carreira foi Campeão Nacional dos 400 metros barreiras do Pentatlo, em 1922. Até 1924, última época no Atletismo, conseguiu somar 3 títulos nacionais de 400 metros barreiras (batendo nesse ano o recorde nacional da distância com 1m04,6s) e 2 de 4X400 metros. No Andebol de 11 fez parte da equipa que ganhou o 1º Regional disputado no nosso...

Sousa Cintra

José de Sousa Cintra nasceu a 26 de Outubro de 1944 em Raposeira – Algarve numa família humilde. Desde muito cedo mostrou uma  “queda” fantástica para o negócio. Vendeu caracóis, aguarelas, foi ascensorista no Hotel Tivoli em Lisboa. Depois voluntariou-se para a Marinha onde esteve 4 anos. Após o 25 de Abril viu-se sem alguns bens mas rapidamente recuperou e tornou-se um empresário de grande sucesso no ramo das águas. Chegou a presidente do Sporting em Julho de 1989 (eleições participadíssimas) numa altura em que os leões viviam uma das suas maiores crises de sempre na sequência da presidência de Jorge Gonçalves, e por lá permaneceu até Junho de 1995. Construiu grandes equipas de futebol mas nunca conseguiu ganhar um único título oficial – mesmo a Taça de Portugal conquistada em 1995 aconteceu alguns dias depois de ter saído da presidência – para onde entrou Pedro Santana Lopes. Nas outras modalidades o clube teve grandes sucessos. Com ele o Sporting ganhou 5 Taças dos Campeões Europeus de Crosse, uma Taça das Taças de Hóquei em Patins, começou a pontificar no Futsal, teve o seu melhor período de sempre no Voleibol e consolidou o domínio no Ténis de Mesa, entre outros cometimentos. Muito ambicioso, e focando-nos no Futebol. começou por ter um papel decisivo em segurar “as jóias da coroa” – Figo e Peixe, que, ao que constava, estariam a caminho do Benfica. Depois, durante os seus mandatos, contratou para o Sporting nomes  com algum “peso” nacional e internacional (Ivkovic, Gomes, Luizinho, Balakov, Yordanov, Valckx, Juskowiak, Paulo Sousa, Pacheco, Vujacic, Marco Aurélio, Naybet e Amunike – entre outros) e também...

José Alvalade

José Holtreman Roquette (Alvalade) nasceu a 10 de Outubro de 1885. Foi o grande mentor do Sporting e aquele que mais fez o clube “andar para a frente” nos seus primeiros anos de existência. A sua influência junto do avô, Visconde de Alvalade, permitiu dotar o clube de instalações ímpares em Portugal. Por sua convicção o Sporting assumiu-se desde o início como uma coletividade de “boa sociedade e boas famílias” onde não faltava espaço para acontecimentos sociais de relevo para além da prática desportiva. Foram suas as célebres palavras: “Queremos que o Sporting seja um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”. Como desportista foi sempre vulgar, mas soube rodear-se de alguns dos melhores atletas do seu tempo que fizeram o clube alcançar triunfos importantes. Foi vice-presidente da 1ª organização oficial do futebol português – a Liga Football Association, e no Sporting foi presidente (entre 1910 e 1912), vice-presidente e sócio número 1. Em 1914 concretizou o sonho de edificar o melhor parque desportivo do país da altura, o Stadium de Lisboa, que não pertencendo ao Sporting (e inclusivamente provocando a demolição da tribuna do parque de jogos dos leões…) causou-lhe dissabores com a restante família leonina. Por isso, 2 anos depois, afastou-se do clube numa altura em que Mário Pistacchini, Júlio de Araújo e Carlos Basílio de Oliveira lideravam um processo de renovação do mesmo. Morreu a 19 de Outubro de 1918 no Hospital do Rego com apenas 33 anos vítima da epidemia que ficou conhecida como a “pneumónica”. Como homenagem o Sporting decidiu batizar o seu estádio no Campo Grande com o nome de José Alvalade,...

Ribeiro Ferreira

António Ribeiro Ferreira nasceu a 17 de Setembro de 1905 em Alvaiázere. Oriundo de uma família “de posses”, licenciou-se em Direito em Lisboa (1926), destacando-se desde logo pelo dom da palavra. Foi vice-presidente da Comissão Concelhia da União Nacional durante 6 anos, vereador na Câmara Municipal de Lisboa em 1934 e Governador Civil de Évora em 1938 e 1939. Foi admitido como sócio do Sporting em 1935. 3 anos depois orientou o Congresso leonino e de Agosto de 1943 a Março de 1951 dirigiu o Boletim (Jornal) do clube. Tomou posse como presidente a 19 de Janeiro de 1946 numa altura em que o Futebol verde e branco não vivia os seus melhores dias. Tomou então a decisão de contratar Cândido de Oliveira e os leões melhoraram muito, arrebatando a Taça de Portugal com 4-2 ao Atlético CP, na 1ª final realizada no Jamor. No ano seguinte ficaria intimamente ligado à nova sede do Clube (a 10ª), na Rua do Passadiço, onde abundaram os eventos sociais que tantas receitas geraram ao clube. Para essa temporada, contratou Robert Kelly para trabalhar com Cândido de Oliveira, e aí começou a série imparável de 7 títulos nacionais em 8 anos. A 14 de Setembro de 1947, muito por ação do incansável presidente, foi inaugurado o 1º Estádio José Alvalade (que pouco depois foi relvado), fruto de remodelação profunda no velho Estádio do Lumiar. Com ele o ecletismo leonino floresceu. O Ténis de Mesa e o Andebol de sete iniciaram a sua cavalgada de títulos nacionais, a secção de Motorismo foi reorganizada, os saraus de Ginástica e os festivais atléticos mostravam a vitalidade...
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