1937 – Salazar Carreira abandona o Desporto de competição

9 de Abril de 1937. Neste dia surgiu no jornal “Os Sports” a notícia. Após 25 anos de atividade Salazar Carreira ía abandonar o desporto de competição e ser homenageado pelo Sporting, a coletividade que sempre representou. No mesmo periódico afirmava-se que, Carreira “foi caso único por ter praticado tantas modalidades e com tanto sucesso. Para além disso é um dirigente de iniciativa, um técnico conhecedor e um brilhante jornalista. Foi Presidente da Federação de Futebol, Conselheiro técnico da Associação de Lisboa de Râguebi, dirigiu a Associação de Lisboa de Atletismo, dirige atualmente a Federação Portuguesa de Atletismo e fez parte dos conselhos técnicos das duas entidades. No Sporting foi diretor e presidente de comissões administrativas. Dirigiu as secções de Râguebi, Andebol e Atletismo, da qual é atualmente o orientador técnico. É um dos professores mais competentes da Escola Superior de Educação Física da Sociedade de Geografia, desde o primeiro ano da sua criação. Como praticante, ainda estudante, Salazar Carreira jogou Futebol em equipas escolares, fazendo parte da equipa da Faculdade de Medicina vencedora de campeonatos universitários. Foi no Atletismo que conseguiu os maiores triunfos, Campeão e recordista de Lisboa e Portugal. Durante muitos anos teve os recordes nacionais dos 400, 400 barreiras e 4X400 metros. A sua atividade manifestou-se ainda na vara e nos lançamentos, pelo que é o atleta português mais completo de todos os tempos. Foi um dos introdutores do Râguebi em Portugal e foi 5 vezes Campeão de Lisboa pelo Sporting. No Andebol foi um dos componentes da equipa do Sporting, uma das primeiras de Portugal, pela qual foi várias vezes Campeão de Lisboa, e ainda...

António do Couto

António do Couto nasceu a 8 de Março de 1884. Começou por jogar na Real Casa Pia de Lisboa (em finais do século XIX) passando depois para o Grupo Sport Lisboa onde se tornou o 1º capitão de equipa. Em meados de 1907 foi um dos jogadores atraídos pelas magníficas condições que o Sporting oferecia e mudou-se para o clube de Alvalade. Fez parte da 1ª equipa oficial leonina jogando como médio-centro – a sua posição de sempre. Foi um dos melhores futebolistas do seu tempo. Era fortíssimo fisicamente e tinha grande resistência. A 27 de Agosto de 1910 fez parte da equipa do Sporting (a que foram acrescentados alguns futebolistas convidados) que jogou pela 1ª vez no estrangeiro (durante algum tempo foi considerado, erradamente, o 1º jogo da Seleção Nacional), frente ao Recreativo Huelva (vitória por 4-0). Esteve 6 épocas no Sporting como futebolista, “arrumando” as botas em 1914. Foi membro do 1º Conselho Fiscal do Sporting, eleito a 4 de Janeiro de 1910, com as funções de relator. Concluiu os estudos em Arquitetura, e nesse papel foi autor do projeto das instalações do Campo Grande – inauguradas em 1917. Como Arquiteto foi ainda a principal figura de vários espaços como o parque de jogos do Casa Pia, o Campo do Restelo e a Estátua do Marquês de Pombal (aqui em parceria com Francisco Santos, seu amigo, e que com ele jogou no Sporting). Foi o sócio nº 1 do Sporting desde 1 de Janeiro de 1928 até à data da sua morte – 3 de Julho de...

Moniz Pereira

Mário Alberto Freire Moniz Pereira, o “senhor Atletismo”, nasceu a 11 de Fevereiro de 1921 em Lisboa. Esta é uma pequena resenha da História daquele que constitui uma das figuras cimeiras da vida do Sporting. Em 1938 já jogava Ténis de Mesa pelo clube, e pela mesma altura começou a praticar Atletismo, destacando-se no comprimento e no triplo-salto. No Voleibol também se distinguiu, foi capitão de equipa e depois treinador nas equipas masculina e feminina. Conquistou vários campeonatos de Lisboa e de Portugal e foi chamado várias vezes à selecção de Lisboa. Recorda o tempo em que uma equipa do Sporting esteve 2 anos sem perder, acumulando 36 vitórias consecutivas. Nessa modalidade era o capitão da turma leonina quando ela conquistou o seu 1º título nacional, em 1954. Em 56 repetiu o feito, como jogador-treinador. Licenciado em Educação Física pelo Instituto Nacional de Educação Física de Lisboa, foi lá professor durante 27 anos. Como técnico de Atletismo esteve presente em 11 Jogos Olímpicos, 13 Campeonatos da Europa e 21 Campeonatos do Mundo de Crosse. A sua versatilidade chegou para até no Futebol se impôr, pois foi o preparador físico da equipa campeã nacional de 1970. De 1976 a 1983 foi director do Estádio Nacional e em 1982 presidiu à Comissão de Apoio à Alta Competição. Foi director técnico da Federação Portuguesa de Atletismo, Seleccionador Nacional de Atletismo e de Voleibol, Presidente da Comissão Central de Árbitros de Voleibol e Árbitro Internacional no Campeonato do Mundo de Paris, em 1956. É sócio honorário da Associação Internacional de Treinadores de Atletismo. Treinou e “fez” grande parte dos melhores atletas portugueses que...

Abrantes Mendes

António Abrantes Mendes nasceu a 5 de Fevereiro de 1908 em Lisboa. Toda a sua carreira futebolística teve lugar no Sporting, tendo-se estreado pela equipa principal (pela mão de Julius Lelovitch) a 25 de Outubro de 1925 (com apenas 17 anos) num Sporting-V. Setúbal (2-0) para o Campeonato de Lisboa. Nessa temporada jogou pouco (Torres Pereira ainda era o “dono” da extrema-direita) mas na época seguinte foi, a par do guardião Cipriano, o único elemento a fazer todos os jogos da equipa. Nessa temporada marcou o seu 1º golo oficial, no dia 24 de Outubro de 1926, frente ao Benfica  (1-2). Constituiu um caso raro no seu tempo, pois formou-se em Direito. Nas fichas dos jogos impressas na comunicação social era tratado como dr. Abrantes Mendes. Apesar do seu estatuto continuou apaixonadamente a jogar futebol mau grado os preconceitos da sociedade da época. Para além disso tornou-se uma espécie de “sex-symbol” do seu tempo – as senhoras diziam dele que era “doutor e mais bonito que outros”. Manteve-se em grande plano até ao final da época 1932/33 (chegou inclusivamente a capitão da equipa) abandonando então a carreira, mas surpreendeu ao regressar de forma apoteótica em 1936 para jogar no Campeonato de Portugal, que o Sporting venceu pela 3ª vez. A sua última temporada foi a de 1936/37, tendo marcado pela última vez no Sporting-Benfica (1-1) para o Campeonato de Lisboa a 22 de Novembro de 1936. Fez o seu derradeiro jogo pelos leões a 31 de Janeiro de 1937 no FC Porto-Sporting (2-2) para o Campeonato da Liga. No total alinhou 10 temporadas pelo Sporting (quase sempre como ponta ou...

Mário da Cunha Rosa

Nasceu a 5 de Fevereiro de 1912. Foi praticante de Atletismo (velocista) do Sporting de 4 de Junho de 1933 a 2 de Agosto de 1942 nos 60 e 80 metros ( juniores), 100, 200 metros e estafetas (seniores). Sagrou-se campeão nacional dos 4X100 metros em 1934, 36, 37, 38 e 41 e venceu, na mesma especialidade, os Jogos Desportivos Nacionais de 1937. Nesse mesmo ano, com Neves Carvalho, António Rendas e Alves Pereira, bateu o recorde nacional dos 4X200 metros com 1,33,6s, que perdurou até 1945. Ganhou também vários títulos regionais. Representou a seleção de Lisboa, foi saltador em altura, campeão de ginástica de grupo e praticante de ginástica aplicada. Despediu-se da competição nos Campeonatos Nacionais de Atletismo de 1942. Durante 10 anos vestiu a camisola do Sporting. Tinha muita vontade, uma enorme persistência e disciplina. Vencia sem arrogância e perdia sem azedume, um desportista na verdadeira aceção da palavra. Honrou o desporto e o seu clube. Acabada a carreira de atleta, para além de capitão da secção de Atletismo e diretor da secção de Ginástica, pertenceu à direção do Sporting (como secretário adjunto) de 1946 a 1949. Foi ainda membro do Conselho Geral desde a sua fundação, de 1948 a 1965, presidente da Comissão da Sede, Campo e Propaganda, em 1954, e de várias comissões de aniversários, nomeadamente as dos 75 e 80 anos do Sporting. Distinguido como sócio de mérito em 1960, foi membro fundador do Grupo Stromp, em 1962, do qual foi presidente em 1969 e membro da Comissão Diretiva em 10 mandatos. Disse um dia: “Como dirigente vivi 3 momentos formidáveis: Ter trazido para o Sporting o prof. Reis...

Reis Pinto

Henrique Manuel Ruivo Reis Pinto nasceu a 23 de Dezembro de 1925 na Figueira da Foz. Professor licenciado pelo Instituto Nacional de Educação Física, praticou vários desportos como Ginástica, Basquetebol, Voleibol, Futebol e Remo. Ingressou no Sporting em 6 de Outubro de 1947 e passou a ser sócio em 1952, iniciando uma paixão que duraria 56 anos. Começou por ser componente da equipa principal de Voleibol. Anos mais tarde tornar-se-ia uma figura de referência no desporto português, sobretudo na Ginástica, cujo ensino revolucionou e à qual se manteve ligado anos a fio. Esteve no departamento de Futebol, e como quadro técnico ganhou o Campeonato Nacional em 1962, a Taça de Portugal em 1963 e a Taça das Taças em 1964. Para além disso desempenhou inúmeros cargos oficiais quer na Direção Geral dos Desportos quer na Câmara Municipal de Lisboa. Em 1977 foi nomeado representante do Ministério da Educação junto do Comité Inter-Governamental da UNESCO em Paris. Também em representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros esteve no Conselho da Europa em Estrasburgo em 1977. No Sporting foi ainda vogal do conselho diretivo nas direções de José Roquette e Dias da Cunha, pedindo para ser substituído, nas eleições de 2002, para poder dedicar-se mais profundamente a toda a área desportiva da qual passou a ser responsável com o cargo de diretor desportivo. Na Federação Portuguesa de Ginástica exerceu diversos cargos, estando a ele ligada a realização da Gymnestrada em Portugal em Julho de 2003. Foi distinguido com o Leão de Ouro por decisão da Assembleia Geral realizada em 27 de Outubro de 1978. Mereceu ainda diversas condecorações a nível nacional e internacional, como a...

Salazar Carreira

José Salazar Carreira nasceu a 2 de Novembro de 1894 em Lisboa. Foi um dos mais carismáticos e eclécticos atletas e dirigentes do Sporting, atingindo prestígio nacional e internacional. Como atleta iniciou a sua atividade no Ginásio Clube Português, ingressando no Sporting em 1912, e para sempre. Durante 25 anos competiu em Atletismo, Esgrima, Andebol, Natação, Raguêbi e Ténis, sempre com as cores verde e branca. Foi ele que introduziu o Râguebi em Portugal em 1922, e foi com ele que o Sporting se sagrou tetra-Campeão Regional entre 1927 e 1930. Também a ele se deveu o aparecimento das camisolas listadas a verde e branco, que começaram a ser utilizadas no Râguebi e mais tarde se estenderiam ao Futebol e a todas as modalidades do clube. O modelo foi inspirado no equipamento do Racing Clube de France (listado a azul e branco) que Carreira trouxera duma visita a Paris. Como atleta começou, no entanto, a dar nas vistas no Atletismo. Em 1913 já participara na equipa vencedora na estafeta 3X300 metros dos Jogos Olímpicos Nacionais, mas no ano seguinte arrasou ao triunfar, na mesma competição, nos 100, 200, 400 e 800 metros. Após o período conturbado da 1ª Guerra Mundial, na qual o desporto português viveu um período de grande marasmo, Salazar Carreira foi Campeão Nacional dos 400 metros barreiras do Pentatlo, em 1922. Até 1924, última época no Atletismo, conseguiu somar 3 títulos nacionais de 400 metros barreiras (batendo nesse ano o recorde nacional da distância com 1m04,6s) e 2 de 4X400 metros. No Andebol de 11 fez parte da equipa que ganhou o 1º Regional disputado no nosso...

Torres Pereira

Alfredo Torres Pereira nasceu a 3 de Outubro de 1896 em Lisboa. Começou a jogar futebol bem cedo, ingressando no Sporting em 1914 para as categorias inferiores. Estreou-se na categoria principal na temporada 1917/18 e logo na sua posição de sempre – extremo-direito. Desde essa altura, e durante longos anos, foi o “dono do lugar”, assumindo-se como digno sucessor de António Stromp nessa posição específica no terreno. Em 1918/19 conquistou o seu 1º grande título de verde e branco – o Regional de Lisboa. 3 anos depois voltou a sentir o doce sabor do triunfo nessa mesma competição, chegando ainda à final do 1º Campeonato de Portugal onde (apesar de 1 golo seu), o Sporting acabou perdendo com o FC Porto após 3 jogos intensos. 1922/23 (sob o comando de Augusto Sabbo) foi o seu melhor ano de sempre. Sagrou-se Campeão Regional (pela 3ª vez) e estreou-se como Campeão de Portugal (em cujos jogos – frente a Porto e Académica, foi um dos protagonistas). Para além disso contabilizou a sua única presença na Seleção Nacional – no 2º Portugal-Espanha, realizado no Lumiar a 17 Dezembro de 1922 (1-2). Em 1924/25 foi Campeão Regional pela 4ª vez e no ano seguinte já era capitão da equipa fruto da sua experiência e conduta. Nesse ano surgiu Abrantes Mendes, ainda muito jovem, para lhe fazer concorrência e em 1926/27 perdeu definitivamente o lugar para o novo e muito talentoso colega de equipa. Alinhou pela última vez a 20 de Fevereiro de 1927 num Império-Sporting (1-1) para o Regional. No total jogou 10 temporadas na categoria principal do Futebol do Sporting conquistando 1 Campeonato...

José Manuel Martins

Nasceu a 2 de Setembro de 1906 em Sintra. Nado e criado numa família de sportinguistas, começou obviamente a sua carreira futebolística no Sporting, nos infantis, e passou por todas as categorias até chegar à 1ª equipa. Muito novo se dedicou às lides desportivas, e quase simultaneamente começou a dar nas vistas no Futebol, na Patinagem e no Hóquei em Campo. Estreou-se oficialmente pela 1ª equipa leonina a 2 de Novembro de 1924 (derrota por 3-2 com o Belenenses, onde marcou 1 golo). A 6 de Maio desse mesmo ano pôde festejar com os companheiros o triunfo no Regional (numa equipa ao qual era alternativa a João Francisco como interior-esquerdo, pelo que jogou pouco). A 20 de Setembro de 1925 realizaram-se os primeiros campeonatos nacionais de Patinagem. O Sporting praticava a modalidade há pouquíssimo tempo mas conseguiu um 2º lugar, com José Manuel Martins a triunfar nos saltos em altura e comprimento, para além de fazer parte da equipa vencedora da Luta de Tração. Em 1925/26 foi a grande revelação do futebol lisboeta. Então com 19 anos fez os 14 jogos do Regional como ponta-esquerda, sagrando-se um dos melhores marcadores da equipa, com 6 golos. Na Patinagem continuou a brilhar. Os leões foram Campeões Regionais, e no Nacional venceu nos 200 e 3X200 metros, para além de triunfar nos saltos em altura e comprimento e de fazer parte da equipa campeã na Luta de Tração. Por aí se ficou a sua meteórica mas brilhante carreira na Patinagem (onde foi recordista nacional do salto em altura e comprimento), para se dedicar mais ao Futebol. Acrescente-se que a Patinagem (nestes moldes)...

Daniel Queiroz dos Santos

Daniel Augusto Queiroz dos Santos nasceu a 15 de Julho de 1879. Foi educado na Real Casa Pia de Lisboa, onde adquiriu a paixão pelo desporto, tendo começado a jogar futebol em 1894. Mais tarde passou pelo Grupo Sport Lisboa (que mais tarde viria a resultar no Benfica), que por alturas de 1907 não conseguia resolver o incómodo problema de falta de campo próprio. Os jogadores, quase todos de nível e estatuto social elevados, fartaram-se da instabilidade e decidiram abandonar o clube. Em Maio de 1907, numa Assembleia Geral, vários dos melhores jogadores foram autorizados a transferirem-se para o “abastado” Sporting Clube de Portugal, fundado 1 ano antes. A lista dos dissidentes incluía Daniel Queiroz dos Santos. Estreou-se oficialmente no 1º jogo “a sério” da História do Sporting (como defesa-direito), frente ao Grupo Sport Lisboa (a 1 de Dezembro de 1907), para a 1ª jornada do Campeonato Regional, que os leões venceram por 2-1. Depois ainda jogou algumas vezes nessa temporada e na seguinte, sem conseguir títulos (os leões ainda davam os primeiros passos em competição). Desde logo foi visto como um líder, e por isso rapidamente se tornou capitão-geral da equipa, para além de membro do Conselho Técnico e instrutor do futebol leonino. Desportista multifacetado, fez parte da 1ª equipa de Criquete do Sporting, que defrontou a do CIF a 24 de Maio de 1908. A partir de 1910 fez também parte das equipas do Sporting de Luta de Tração que dominaram inapelavelmente o panorama nacional durante vários anos. Nesse mesmo ano (a 23 de Setembro) foi um dos fundadores da Associação de Futebol de Lisboa). No ano...
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