José Albuquerque – O popular “Faísca”

José Albuquerque nasceu a 20 de Setembro de 1916 na aldeia da Quinta da Moita em Mangualde. Pertenceu a uma família numerosa mas abastada para o habitual na época. Depois de terminar a escola primária foi para Mangualde aprender a ser barbeiro. Todos os dias fazia o percurso entre a sua aldeia e o local de trabalho de bicicleta (o que constituia na altura um verdadeiro privilégio). Não demorou a apaixonar-se pelo Ciclismo, e chegava ao ponto de colocar pequenos sacos de areia no suporte traseiro da sua “máquina” para puxar mais pelos músculos.

Um dos seus mentores na barbearia onde conhecia os segredos do ofício de barbeiro alcunhou-o de Faísca pela velocidade com que andava de bicicleta e também por ser esse o nome dum cavalo do pai de José Albuquerque, a quem o jovem se referia muitas vezes elogiando-lhe a velocidade e vivacidade.

Tinha apenas 10 anos quando começou a dominar provas de Ciclismo a nível regional. Essa era na altura uma modalidade muito popular em Portugal, sobretudo devido aos “imortais” duelos entre Alfredo Trindade (Sporting) e José Maria Nicolau (Benfica). A partir de meados dos anos 30 a sua popularidade cresceu em flecha pois começou a fazer-se notar com regularidade em provas de âmbito nacional.

Verdadeiro especialista na montanha, venceu a sua 1ª Volta a Portugal ao serviço do Clube Atlético de Campo de Ourique (1938) e chegou ao Sporting no ano seguinte. A sua 1ª temporada de verde e branco não foi brilhante (5º na Volta a Portugal e sem triunfos de monta noutras competições).

Em 1940 “explodiu” e triunfou na Volta a Portugal com brilhantismo, conseguindo 3m30s de avanço sobre o benfiquista Aguiar Martins. Os leões também venceram por equipas e o final foi apoteótico com milhares e milhares de pessoas a aplaudir os atletas no Estádio do Lumiar. No ano seguinte ganhou o “Grande Prémio da Anadia” e foi 4º na Volta a Portugal.

Na altura o seu nome correu o país, foi cantado pelos trovadores nas feiras, mas passada a euforia das vitórias o acaso não quis que encontrasse as pessoas certas para o acompanhar nos momentos difíceis. Com o deflagrar da 2ª Guerra Mundial o Ciclismo e o desporto em geral sofreram um rude golpe, traduzido numa quase paralisação, que levou José Albuquerque a pôr termo à carreira. De lar desfeito, partiu para Angola no final da década de 40, exercendo atividade nos CTT. A sua popularidade permitiu-lhe relações muito fáceis com todas as pessoas, independentemente da sua condição social. Chegou a formar uma equipa de ciclistas locais que trouxe a uma das Voltas a Portugal, mas essa foi uma experiência que não passou duma aventura passageira e sem êxito.
A instabilidade voltou a impedi-lo de assentar num tipo de vivência controlada e duradoura. Ainda assim constituiu novamente família e dessa união nasceram 2 filhos.

O fatalismo voltou a persegui-lo, mas com trágicos acontecimentos. A Março de 1961, mulher e filhos foram barbaramente assassinados na vila de Quitexe, durante a sua ausência. Mergulhado na dor e no álcool, José Albuquerque arrastou-se penosamente por Angola, até que um conjunto de boas vontades o trouxeram de regresso a Portugal em meados da década de 70.
A morte, tão trágica como fora boa parte da sua vida, marcou-lhe encontro precisamente em Mangualde, no início dos anos 80, ao ser atropelado numa das ruas da cidade…

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Comments (1)

 

  1. elliptical says:

    Esta é a informação exata que eu estou procurando , obrigado! Arron

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