Caldeira

Manuel Caldeira nasceu a 14 de Dezembro de 1926 em São Bartolomeu do Sul, perto de Vila Real de Santo António – Algarve. Foi um dos esteios das épocas áureas do futebol sportinguista nos anos 50.

Filho de um barbeiro, profissão a que estava destinado, cedo mudou o rumo à sua vida com a habilidade para o futebol.

Recrutado ao Lusitano de Vila Real de Stº António (onde fez parte da célebre equipa que levou os algarvios à 1ª divisão em 1946/47), tendo recebido 100 contos de prémio, estreou-se oficialmente pelo Sporting a 17 de Setembro de 1950 no Estádio Nacional frente ao Benfica (3-1). Entrou em campo com as pernas a tremer e um rasto de suor invadia-lhe a face. O consagrado guarda-redes Azevedo aproximou-se dele perguntando o que se passava, se estava mal disposto. Murmurando, Caldeira afirmou: “É medo senhor João, é medo…”.

Este episódio constituiu uma exceção num futebolista de grande personalidade e valentia, com verdadeira “raça de leão”.

Em 217 jogos oficiais pelo Sporting só marcou 1 golo. Esse momento histórico aconteceu logo na 1ª época no clube, a 22 de Junho de 1951, na meia-final da Taça Latina frente ao Lille (4-6).

A sua família era muito supersticiosa. Quando jogava, a mãe acendia uma vela a um santinho da sua devoção para que o filho triunfasse e não se magoasse. O pai, ao ouvir o relato, apontava o nome do filho de cada vez que ele tocava na bola. A mulher sentava-se junto do aparelho de rádio, indiferente a tudo, com o retrato do marido ao pé de si!

Esteve 9 temporadas (de 1950/51 a 1958/59) de “leão ao peito” conquistando 5 Campeonatos Nacionais e uma Taça de Portugal. Foi 3 vezes internacional português.

A 8 de Abril de 1959 o Sporting fez-lhe uma festa de homenagem num jogo amigável frente ao Belenenses.

De referir ainda que jogou como treinador–jogador, no final da sua carreira, no Silves, tendo-o conduzido à 2ª Divisão Nacional no início dos anos 60. Como treinador, orientou também posteriormente o Esperança de Lagos.

Em 2012 mereceu um livro a ele dedicado da autoria do jornalista Neto Gomes, intitulado: “Manuel Caldeira, Ágil, Combativo, Decidido, Um Leão”.

Morreu a 9 de Agosto de 2014 no Hospital de Faro.

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