Mokuna – O “fura-redes”

Léon Trouet Motombo Mokuna nasceu a 1 de Junho de 1935 no Congo. Em Agosto de 1954 os leões fizeram uma digressão por África, e no Congo defrontaram a Selecção de Leopoldville (vitória por 3-1) ficando impressionados com um jovem avançado de grande potência física chamado Mokuna e que tinha as alcunhas de “fura-redes” e “bombardeiro”!

Logo os responsáveis leoninos trataram de o contratar ao Vita Club. A 23 de Outubro de 1954 chegou a Lisboa. Logo muito assediado pela imprensa pela sua fama avisou: “Não sou nenhum fenómeno, mas, de facto, já furei redes por duas vezes em Leopoldville, e não foi por elas estarem velhas!” Cheio de vontade de jogar, teve de esperar algumas semanas para o fazer, o que o levou a algum desespero. O motivo desse hiato teve a ver com o excessivo peso com que chegara.

Estreou-se oficialmente a 9 de Janeiro de 1955 (com Jozef Szabo) numa receção ao Braga para o Campeonato (os leões venceram por 5-2 e o debutante marcou 1 golo). A 20 de Março marcou 4 golos num triunfo por 5-0 sobre o Boavista, numa altura em que já tinha menos 13 kg em relação ao peso com que chegara a Lisboa… Nessa altura os sportinguistas começaram a acreditar que poderiam estar, de facto, na presença dum extraordinário avançado.

O seu final de época foi impressionante, apontando 19 golos em apenas 11 jogos! No entanto, contra todas as expetativas e de forma muito estranha (nunca foi explicada), foi praticamente votado ao ostracismo na temporada seguinte, jogando apenas duas vezes, a última das quais (a sua derradeira de verde e branco) a 19 de Fevereiro de 1956 numa derrota por 3-0 frente ao Benfica. Marcara pela última vez já no final da época anterior, a 5 de Junho de 1955, num Farense-Sporting (1-4) para as meias-finais da Taça de Portugal.

Assim, esteve somente duas épocas no Sporting, alinhando em 13 jogos oficiais e marcando 19 golos. Dos futebolistas que alinharam em pelo menos 10 partidas, é o 3º da História com melhor média de golos marcados (1,46 por jogo), superado apenas por Peyroteo e Sidónio. Era, sem qualquer dúvida, um atacante com grande engodo pela baliza e pontapé fortíssimo, mas denotava importantes carências técnicas que impediram a sua consagração no Sporting.

Após a sua saída de Alvalade regressou ao Vita Club (apenas por 1 ano), voltando depois à Europa onde fez carreira na Bélgica (Gent e Waregem), chegando mesmo a ser o 1º futebolista de origem congolesa a alinhar por uma seleção belga, no seu caso a equipa B (e só não alinhou na Seleção principal por uma evidente atitude racista de vários selecionadores – ele foi o 1º negro a jogar no país). O seu trajeto na Bélgica foi de grande sucesso, a ponto de o apelidarem de “diabo vermelho”. Em 1966 foi campeão ao serviço do Waregem.

Depois de “pendurar” as chuteiras regressou ao seu país de origem, onde se tornou treinador de vários dos melhores clubes locais.

Em Novembro de 2010 esteve entre sportinguistas, no Gent-Sporting para a Liga Europa, ocasião em que foi homenageado. Na altura afirmou que não sabe bem quando nasceu pois o seu registo no Congo fôra muito complicado em virtude dos pais não falarem francês! Recordando os colegas com quem conviveu em Alvalade referiu Carlos Gomes, “um guarda-redes fora-de-série e um grande maluco!”

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