1946 – 3ª Taça de Portugal para o Futebol, na estreia das finais no Jamor

30 de Junho de 1946. Nesse dia realizou-se a 1ª final da Taça de Portugal no Estádio Nacional, no Vale do Jamor, em Oeiras. No percurso para a final o Sporting tivera um calendário relativamente acessível e passara sem grandes dificuldades por Académica, Vitória de Guimarães e FC Famalicão. O seu favoritismo frente ao Atlético CP nesta final era evidente. Para além de tudo os leões não tinham conseguido ganhar o Campeonato (foi o Belenenses a consegui-lo), pelo que era imperioso “salvar a época” conquistando a prova “Raínha” do futebol português.

Sob o comando de Cândido de Oliveira, o Sporting alinhou com um “onze” muito próximo do habitual durante toda a temporada: Azevedo; Álvaro Cardoso e Juvenal; Veríssimo, Manecas e Octávio Barrosa; Armando Ferreira, Sidónio, Peyroteo, António Marques e Albano.

O jogo teve duas partes distintas, tanto em termos de futebol jogado como de domínio das equipas. O Sporting, como claro favorito que era, entrou disposto a resolver cedo a contenda. Logo ao quarto-de-hora, a passe de Armando Ferreira, Peyroteo, a uns 20 metros da baliza, desferiu um pontapé violento que com a ajuda do vento entrou como um bólide na baliza de Correia.

5 minutos depois, com nova assistência de Armando Ferreira, foi Sidónio (um goleador notável, mas pouco utilizado porque era sobretudo concorrente direto de Peyroteo – embora nesta tarde não o tenha sido) a dar o seguimento desejado ao esférico, aumentando a contagem.

O Atlético CP (que jogava a sua 1ª final da Taça) limitava-se a contra-atacar esporadicamente, sem convicção, e foi com naturalidade que surgiu o 3-0 aos 27 minutos. Após belíssima jogada de Albano, o remate forte e rasteiro de Peyroteo encontrou o melhor destino. Antes da meia-hora tudo parecia decidido…

Os leões ganharam assim tranquilidade e confiança para o resto da partida enquanto os alcantarenses aproveitaram um certo relaxamento sportinguista. Assim, não surpreendeu que aos 38 minutos reduzissem, se bem que o golo tenha sido tudo menos “normal”. Simões rematou de longe, por alto (sem muita força) e, surpreendentemente, Azevedo – bem colocado, deixou a bola passar-lhe por cima… Apenas 4 minutos passaram até que os sportinguistas repusessem a diferença num tento muito discutido por alegado fora-de-jogo de Albano. A passe de Peyroteo, o extremo-esquerdo leonino arrancou como uma seta (a posição de fora-de-jogo é muito discutível porque a bola ainda terá batido num defesa alcantarense, o que legalizava de qualquer forma o lance) para a baliza e marcou com toda a calma.

O intervalo chegou com 4-1.

A 2ª parte foi uma sensaboria completa, mas nem com o vento a favor o Atlético CP mostrou uma reação forte. Ainda assim foram os alcantarenses a reduzir por J. Marques numa boa rotação. Até final Peyroteo ainda perdeu duas ótimas oportunidades para aumentar o resultado.

Depois de eliminar Benfica e FC Porto esperava-se mais da equipa do Atlético CP, mas o Sporting, em boa verdade, não lhe deu qualquer hipótese. Albano, muito vivo, foi a grande figura entre os leões, bem secundado por Peyroteo e Manecas. Sidónio (sempre perigoso) e António Marques (esforçado) também mereceram uma referência pela positiva.

No final o ministro da Marinha – Américo Tomaz, entregou a Álvaro Cardoso – capitão do Sporting, a Taça de Portugal (3ª para o palmarés sportinguista) após uma bela tarde de futebol, que viria a inaugurar uma trdição que ainda perdura de as finais da Taça de Portugal se realizarem no Estádio do Jamor.

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