Francisco dos Santos – Co-autor da estátua do Marquês de Pombal e 1º emigrante do Futebol português

Nasceu a 22 de Outubro de 1878 em Paiões, Rio de Mouro (Sintra), tendo entrado para a Casa Pia em 1887 após a morte dos seus pais. Aluno brilhante do curso de Belas Artes (área na qual se matriculou aos 15 anos) frequentou as aulas de Escultura do seu tio, José Simões de Almeida, vindo a terminar o curso com distinção. Nesse período foi jogador de futebol, inicialmente no Casa Pia, e mais tarde, a nível oficial, no Grupo Sport Lisboa.

Destacando-se como escultor, ganhou uma bolsa de estudo em 1903, em Paris, mas o dinheiro era pouco e passou por dificuldades financeiras. Frequentou o ateliê de Charles Raoul Verlet e casou com uma francesa até que, em 1906, graças a um subsídio concedido pelo Visconde de Valomorpode, partiu para Roma para prosseguir os estudos e aprimorar a sua arte escultórica. Nessa cidade, em 1906, fez a estátua “Crepúsculo” – atualmente no Museu do Chiado, em Lisboa. Ainda lutando com dificuldades financeiras, agora pai duma criança, lecionou francês e jogou futebol na equipa da Lazio, que chegou a capitanear e onde se destacou, tornando-se o 1º futebolista português a jogar no estrangeiro. Participou no 1º derby de Roma, em 19 de Janeiro de 1908, e com 55kg foi o melhor em campo segundo o prestigiado jornal “La Gazzeta Dello Sport”.

Regressou a Portugal em 1909, vindo a participar, no ano seguinte (1910), no contexto da Implantação da República Portuguesa, no concurso da Câmara Municipal de Lisboa para a eleição do busto feminino oficial da República portuguesa, do qual saiu vencedor. No plano desportivo, prosseguiu a sua carreira no Sporting (onde jogou duas épocas (1909/10 e 1910/11). Nos leões não conquistou títulos mas marcou a sua presença no meio-campo (em qualquer das posições – era muito polivalente)  numa equipa que dava os primeiros passos rumo à glória.

Foi um dos fundadores da Associação de Futebol de Lisboa e também árbitro de futebol.

Em 1913 esculpiu “Salomé”, considerada a sua obra-prima, atualmente também no Museu do Chiado. Nos anos de 1915 e 1917 produziu “Um Beijo” e “Nina” (que estão no mesmo museu) e, em 1920, “Prometeu”, que está patente no Jardim Constantino, em frente à Assembleia Distrital de Lisboa. O “Homem do Leme”, que está no Cais do Sodré, também teve a sua assinatura.

Foi ainda o autor da escultura mortuária “Poeta” para o túmulo de Gomes Leal, (no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa) e do Monumento ao Marquês de Pombal (a par de António Couto – casapiano que também jogou com ele no Sporting), ex-libris da capital portuguesa. Como eles foram colegas de “leão ao peito”, muitos afirmaram que essa foi a razão do Marquês estar acompanhado por um leão na referida estátua.

Na pintura notabilizou-se pela sensualidade dos seus nus femininos. Morreu em 27 de Abril de 1930 em Lisboa.

António Couto, seu companheiro de sempre nas lides futebolísticas a artísticas, disse dele:  “Foi dos artistas do seu tempo o que mais trabalhou, o que mais modelos expôs, o que mais obras vendeu. A prosperidade material refletiu-se na pequena barriguinha que lhe foi crescendo. Contudo, manteve-se sempre mexido, jovial e ruidoso, com as mãos atrás das costas e o chapéu às três pancadas, dando um ar de comerciante feliz nos negócios. Apesar de não o parecer, pelo seu feitio despretensioso, era bastante inteligente e culto, um musicólogo apaixonadíssimo com presença assídua em concertos – e acima de tudo um grande homem, um grande coração…”

Post to Twitter

Deixe o seu comentário