João Rocha

João António dos Anjos Rocha nasceu a 9 de Julho de 1930 em Setúbal. Com 13 anos apenas começou a trabalhar numa instituição bancária para estudar à noite. Poucos anos se passaram até se tornar um bom jogador de Voleibol e um brilhante praticante de Remo onde chegou a treinador da Escola Naval. Como bancário foi pouco a pouco fazendo carreira até chegar a administrador. Com um jeito muito próprio para os negócios, rapidamente chegou à alta finança portuguesa. A 7 de Setembro de 1973 tomou posse como presidente do Sporting e tornar-se-ia o líder mais tempo consecutivo em exercício na coletividade. A sua ambição era muito grande pois nas suas próprias palavras pretendia “erguer uma grande obra, apoiada por milhares ou milhões de pessoas e que possa representar uma viragem histórica na vida dos nossos clubes desportivos.” Nos inícios de 1974 a sua ansiada Sociedade de Construções e Planeamento (uma espécie de embrião de clube-empresa em que pretendia transformar o Sporting) foi autorizada, mas com a revolução de Abril o projeto esfumou-se. No seu “reinado”, as modalidades sportinguistas conseguiram feitos inéditos. O Sporting assumiu-se como um dos maiores clubes desportivos europeus ao conquistar 8 Taças dos Clubes Campeões Europeus de Crosse, uma Taça dos Campeões Europeus de Hóquei em Patins, duas Taças das Taças e uma Taça CERS da mesma modalidade, para além de inúmeros títulos nacionais em Andebol, Basquetebol, Atletismo, Ciclismo, etc. No Futebol conseguiu ganhar 3 títulos nacionais, e foi graças à sua argúcia que os leões puderam contar com futebolistas da estirpe de Manuel Fernandes, Keita, Jordão ou Oliveira. Falhou claramente a sua sensibilidade ao lidar...

1934 – 2º Campeonato Nacional para o Futebol, com “poker” de Soeiro

8 de Julho de 1934. O Campeonato de Portugal de futebol teve como finalistas o Sporting e o FC Barreirense. Nos quartos-de-final o Sporting eliminara com classe o Belenenses, enquanto nas meias-finais os leões afastaram o Benfica, naqueles que foram os jogos mais mediáticos de sempre (até então) entre os 2 rivais, e nos quais os sportinguistas se superiorizaram à tangente. Afastado o Benfica, o treinador/jogador húngaro do Sporting – Rudolf Jeny, anunciou antes da partida da final, tal como havia acontecido na do ano anterior, que não iria alinhar: “Não devo jogar. Num campeonato nacional entendo que não deve jogar um jogador que não é português. No meu posto deve jogar o Cervantes”, e assim foi na realidade. Os sportinguistas partiram para esse jogo com grande favoritismo o que causou um menor entusiasmo do público pelo desafio (por exemplo em relação à época anterior). Em despique estavam 2 tipos de futebol bem diferentes. Dum lado o Sporting, com grande sentido prático, ótimos índices físicos e uma forma muito pragmática de atacar o adversário. Do outro o Barreirense, com jogadores muito dotados tecnicamente que praticavam um estilo de jogo muito bonito à vista, mas algo lento. Na partida, disputada no Estádio do Lumiar, o Sporting alinhou com: Jóia; Jurado e Joaquim Serrano; Abelhinha, Rui Araújo (cap) e Faustino; Mourão, Vasco Nunes, Soeiro, Reynolds e Cervantes. Deste “cocktail” de estilos resultou um jogo muito interessante. Os leões entraram com algum excesso de confiança, tendo os barreirenses inaugurado o marcador por Nunes. O Sporting tremeu e bem podia ter sofrido o 2º em algumas ocasiões. Inclusivamente, muitos dos que assistiram à partida afirmaram...

Marinho – Competitividade e polivalência no meio-campo

Mário Abreu Alves da Silva (conhecido nos meios futebolísticos por Marinho) nasceu a 8 de Julho de 1954 em Macau, onde viveu até aos 10 anos. Nessa altura a sua família (o pai era militar) veio para Portugal, fixando-se em Braga. Começou por jogar futebol no clube da “cidade dos Arcebispos” e chegou apenas com 18 anos à equipa principal. Logo começou a destacar-se, chegando inclusivamente à Seleção Nacional de Esperanças. No Verão de 1978 foi contratado por João Rocha para reforçar o meio campo leonino. Estreou-se oficialmente (com o treinador Pavic) a 26 de Agosto na 1ª jornada do Campeonato Nacional (derrota no Bessa por 2-0). Logo nessa 1ª temporada foi habitualmente titular jogando ao lado de Ademar e Ailton, e no ano seguinte pôde festejar o seu 1º Campeonato Nacional de “leão ao peito” numa equipa comandada por Fernando Mendes e onde jogou com bastante regularidade (20 presenças na competição principal). Em 1980/81 jogou muito menos, mas, curiosamente, foi nessa época que marcou o seu único golo oficial pelo Sporting, a 5 de Abril de 1981, num triunfo na Póvoa de Varzim por 3-1. 1981/82 foi uma grande temporada para o Sporting (com triunfos no Campeonato e Taça de Portugal). Marinho voltou a ser protagonista (Allison apreciava muito a sua polivalência e competitividade), porque embora não fosse titular indiscutível, alinhou em 19 jogos. 1982/83 foi o seu último ano como futebolista do Sporting. Numa temporada em que António Oliveira (como jogador-treinador) fez quase toda a época como técnico da equipa (Marinho Mateus comandou apenas 5 jogos e Venglos 4), Marinho tomou parte apenas em 14 jogos oficiais....

Vadinho – Um “minino da mamãe” com muita classe

Osvaldo Chaves Cordeiro (Vadinho) nasceu a 8 de Julho de 1933 no Brasil. Cedo lhe foi detetado grande talento para o futebol, e no Vasco da Gama ganhou fama. Chegou ao Sporting no Verão de 1957. Estreou-se oficialmente (com o treinador Enrique Fernández) a 15 de Setembro numa vitória em Coimbra por 1-0 (para a 2ª jornada do Campeonato). Marcou o 1º golo duas semanas depois num empate 3-3 no Restelo. Nessa temporada os leões chegaram ao título nacional, e Vadinho foi o avançado-centro “de serviço”, com 29 jogos oficiais e 17 golos marcados. No final do jogo do título, em Alvalade (3-0 ao Caldas) afirmou emocionado aos microfones da rádio: “Dedico esta vitória à minha mamãe…” No instante seguinte desmaiou!… Terminada a sua 1ª temporada (de grande sucesso) no Sporting, viveu uma verdadeira “telenovela” de defeso no Brasil. O que se passou foi que a mãe não o queria deixar regressar a Portugal, o que só conseguiu fazer a 19 de Dezembro! Naturalmente a sua época ficou comprometida, acabando por participar apenas em 10 jogos (6 golos). Para 1959/60 chegou a Alvalade, também do Brasil, um magnífico goleador (Fernando Puglia), pelo que Vadinho teve grandes dificuldades para jogar. Ainda assim manteve uma razoável eficácia com 9 golos em 17 aparições. Naquela que foi, provavelmente, a sua tarde de maior esplendor como “leão”, a 24 de Janeiro de 1960, marcou 3 golos ao Porto num triunfo magnífico por 6-1 em Alvalade. No ano seguinte fez apenas 1 jogo (a 9 de Abril de 1961), e logo frente ao Benfica, o seu último de verde e branco (empate 1-1). Marcara...

1984 – Vitória na Taça CERS, a competição europeia que faltava ao Hóquei em Patins

7 de Julho de 1984. O Sporting conquistou pela 1ª vez a Taça CERS (a única competição europeia que ainda não conquistara no Hóquei em Patins). Em Novara os italianos triunfaram por 4-1, mas houve mais Râguebi com patins do que propriamente Hóquei. Trindade fez o golo inaugural da partida. Ao intervalo havia 1-1, mas no 2º tempo, com o ruidoso apoio do público e a excessiva dureza dos italianos, estes conseguiram a vitória. Apesar de tudo o espanhol Ballasteros, o melhor do mundo, foi o árbitro, e com a sua excelente atuação, sem se deixar influenciar pelo ambiente, o Sporting conseguiu vir para Lisboa “ainda a respirar”. Havia grande espetativa para o 2º jogo e os leões corresponderam em pleno com uma memorável vitória por 11-3. O Sporting alinhou nesse encontro decisivo com: Ramalhete e Serra; José Rosado (1), Realista (4), Trindade (2), Luís Nunes (2), Serginho (2) e Campelo. O 3º golo, a meio da 1ª parte, igualou a final que os italianos (com 4 internacionais transalpinos e 1 argentino) nunca deram a impressão de poder ganhar. Ao intervalo verificava-se um 4-0. O Novara reduziu logo no início da 2ª parte, mas com a entrada de Serginho e 2 golos consecutivos da sua autoria, o Sporting mostrou que a Taça já não saía de Alvalade. Na verdade houve uma superioridade clara e inequívoca do Sporting, que completava assim uma semana fantástica, com o recorde mundial de Mamede nos 10.000 metros, a vitória de Paulo Ferreira numa etapa da Volta a França em bicicleta e agora o triunfo numa competição europeia. No final, Livramento (o treinador) referiu: “Foi...

2003 – Emoção a rodos na final da Taça de Portugal de Andebol

6 de Julho de 2003. O Sporting derrotou o FC Porto na final da Taça de Portugal de Andebol com uma vitória sofrida por 30-29. Este foi o 10º triunfo dos leões na competição. A prova disputou-se no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, e foi resolvida em “final-four”, tendo os verde e brancos derrotado nas meias-finais o Águas Santas por 27-25. O jogo decisivo foi emocionante, entre as duas equipas com maior historial em Portugal na modalidade. O Sporting procurava a desforra da vitória do FC Porto no Campeonato e conseguiu-a com todo o mérito. Se a meia-final já tinha sido disputadíssima então a final foi magnífica de emoção e luta. Até ao intervalo houve grande equilíbrio, chegando os leões ao descanso com uma vantagem mínima – 11-10. Os portistas estiveram muito bem nos minutos iniciais do 2º tempo, chegando ao avanço de 20-18, e os minutos finais foram de tudo por tudo de ambos os contendores, numa peleja verdadeiramente imprópria para cardíacos. No final o Sporting acabou por vencer por 30-29 numa partida memorável. O treinador José Tomaz afirmou então que: “Existem muitas variáveis em jogo, e nós usámos todos os argumentos para tentar vencer”. Moniz Pereira enalteceu a “atitude de grande profissionalismo de todos os atletas do Sporting, pelo que a conquista tem um sabor especial”. O Sporting alinhou neste encontro inesquecível com: Miguel Fernandes e Ricardo Correia; José Vieira (5), Ricardo Andorinho (6), Kraljic (8), José Santos, Armando Pires, Luís Gomes (5), Rui Silva (1), Ricardo Dias (3) e Fernando Nunes (2). Esta partida marcou a despedida do clube do treinador José Tomaz...

Figueiredo

Ernesto Figueiredo nasceu a 6 de Julho de 1937 em Santa Cita – Tomar. Começou a sua atividade desportiva por jogar a guarda-redes num clube chamado Matrena, pois queria ser igual ao seu ídolo – Azevedo. Certo dia, após uma excelente defesa, caiu mal e desmaiou, pelo que decidiu que nunca mais na vida jogaria naquele posto. Já como avançado passou pelo União de Tomar e Cernache, chegando ao Sporting no Verão de 1960. Estreou-se na festa de homenagem a Juca, a 8 de Setembro, marcando 1 golo na vitória por 5-0 sobre a CUF. Oficialmente debutou na 1ª jornada do Campeonato Nacional. O Sporting derrotou o Lusitano de Évora por 4-2 e Figueiredo apontou 2 golos. Conquistou rapidamente o seu espaço em Alvalade como avançado tremendamente batalhador, que não sendo um portento em termos de técnica o compensava com um oportunismo e sagacidade assinaláveis. Outra das suas caraterísticas era a tendência para brilhar nos jogos decisivos, sobretudo frente ao Benfica, a quem causou inúmeros dissabores. As suas qualidades e estilo levaram os seus admiradores a darem-lhe a alcunha de “Altafini de Cernache”, comparando-o com o magnífico goleador do AC Milan, que marcara 2 golos ao Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus um mês antes de Figueiredo repetir a proeza nas meias-finais da Taça de Portugal em 1963. Esteve 8 épocas no Sporting conquistando uma Taça das Taças (onde foi figura de proa), 2 Campeonatos Nacionais e uma Taça de Portugal. Marcou 151 golos (10º melhor de sempre) em 233 jogos oficiais. Foi o máximo goleador do Campeonato de 1965/66 ex-aequo com Eusébio, totalizando 25 golos. Foi ainda...

De Wilde – Um dos melhores belgas de sempre, na baliza do Sporting

Filip Alfons Annie de Wilde nasceu a 5 de Julho de 1964 em Zelle – Bélgica. Com apenas 9 anos começou a jogar Futebol no clube da sua terra, o Eendracht Zele. Em 1980 passou a alinhar num clube de maior projeção, o Beveren, mas foi no Anderlecht, a partir de 1987 que atingiu um grande estatuto no seu país. Chegou ao Sporting no Verão de 1996 (proveniente do Anderlecht), constituindo uma aposta do treinador leonino, o seu compatriota Robert Waseige, que afirmou que os leões ficavam assim servidos com um super guarda-redes – que na altura era também o titular da Seleção da Bélgica. Estreou-se oficialmente a 23 de Agosto, na Maia, frente ao Sporting de Espinho (triunfo por 3-1) na 1ª jornada do Campeonato Nacional. Nessa 1ª temporada em Alvalade relegou Costinha e Tiago para um plano completamente secundário, alinhando em 38 dos 43 jogos da equipa. A temporada seguinte foi tumultuosa para os leões, que conheceram 4 treinadores! Os maus resultados sucederam-se e, tendo começado a época como titular, De Wilde alinhou pela última vez a 4 de Fevereiro de 1998 numa derrota em Braga para a Taça de Portugal por 3-1. A partir daí o treinador Carlos Manuel apostou em Tiago, pelo que De Wilde acabou por regressar, em Março, ao Anderlecht, com vista a jogar e marcar presença no Mundial que se aproximava. Fez um total de 67 jogos oficiais pelos leões, sofrendo 49 golos. Estes números fazem dele o 6º guardião mais difícil de bater (ou seja, com média mais baixa de golos sofridos) da História do Futebol leonino.  Foi um guarda-redes que...

2020 – Pentacampeões de Ténis de Mesa!

5 de Julho de 2020. Centro de Alto Rendimento de Vila Nova de Gaia. O Sporting CP sagrou-se pentacampeão nacional de Ténis de Mesa na tarde deste domingo. A equipa de Chen Shi Chao venceu o GD Toledos por 3-0 no 2º jogo da final, repetindo o resultado do dia anterior. Tudo ficou resolvido logo no jogo inicial, com Diogo Carvalho a bater Énio Mendes por 3-1. Depois de duas vitórias consecutivas por 11-3, o atleta do GD Toledos triunfou por 5-11, mas o leão não alimentou mais as esperanças do adversário: 11-5 e conquista do jogo inicial. Com esta vitória, o Sporting CP garantiu a conquista do 37º Campeonato Nacional da história e o ‘triplete’ de competições em 2019/2020 – o emblema de Alvalade já havia conquistado a Taça de Portugal e a Supertaça. Ainda assim, o duelo continuou e seguiu-se Aruna Quadri, que venceu Diogo Silva por 3-1 apesar de ter entrado a perder por 5-11. A partir daí, triunfos por 11-6, 11-7 e 11-3 para o nigeriano. Por fim, Bode Abiodun bateu Boboye Oyeniyan por 3-0 com os resultados de 11-8, 11-5 e 11-8. Resumo dos resultados: Diogo Carvalho 3-1 Énio Mendes (11-3, 11-3, 5-11 e 11-5) Aruna Quadri 3-1 Diogo Silva (5-11, 11-6, 11-7 e 11-3) Bode Abiodun 3-0 Boboye Oyeniyan (11-8, 11-5 e 11-8) Após a conquista os atletas, treinadores e dirigentes da nossa equipa não esconderam a satisfação. Em declarações ao Jornal e à Televisão do clube, Chen Shi Chao, Diogo Carvalho, Aruna Quadri e Miguel Almeida falaram sobre um objectivo cumprido no seguimento de uma longa e dura paragem competitiva. Chen Shi...

Gentil Cardoso – O “técnico filósofo”

Gentil Alves Cardoso nasceu a 5 de Julho de 1906 no Recife – Brasil. Nunca foi jogador de futebol e antes de encetar a carreira de treinador (muito novo, com apenas 25 anos) foi engraxador, empregado de mesa, padeiro e militar. Como treinador passou por inúmeros clubes brasileiros e ganhou a fama de “técnico filósofo” pelas suas muitas “tiradas curiosas”. Foi ele que inventou, por exemplo, a expressão “zebra” para surpresa. Dizia ainda que os craques da bola “tratam a bola por tu e não por excelência” ou que “a bola é feita para rolar rasteira, quanto mais rasteira melhor”. Nos treinos usava megafone para dirigir os jogadores. Trabalhou nos melhores clubes do Brasil (com diversos títulos no currículo), na própria Seleção brasileira e no Nacional do Equador, antes de chegar a Portugal. Em Junho de 1963 começou a falar-se do seu nome para treinador do Sporting. A 8 de Julho do mês seguinte chegou a Lisboa afirmando: “Sou o técnico mais antigo do Mundo. Quando partir quero deixar escola”. Para o começo dos trabalhos em Alvalade trouxe Jair Raposo para adjunto e supreendeu logo num Torneio de pré-temporada, em Bilbau, ao acusar publicamente o seu pupilo Morais de desinteresse e falta de brio. Com o triunfo claro na Taça de Honra da AFL (frente ao Benfica) as coisas pareceram encarreirar, impressão que mais se adensou com a eliminação dos italianos da Atalanta na 1ª eliminatória da Taça das Taças. No entanto, apesar da boa campanha europeia, os leões cediam de forma tremenda no Campeonato. Numa entrevista concedida ao jornal “A Bola”, ainda em Novembro, Cardoso pediu para que...
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