Em luto pela mentira que era o Futebol nacional

31 de Janeiro de 1999. Após mais um jogo em que o Sporting foi descaradamente prejudicado, no empate em Chaves 2-2 com arbitragem de Jorge Coroado, o Sporting considerou que a verdade desportiva do Campeonato Nacional de Futebol estava “ferida de morte” e declarou luto pelo futebol português até que a situação de descrédito que atingia a modalidade fosse reparada.

O Conselho Directivo do Sporting apelou aos sócios e adeptos para que comparecessem em massa em Alvalade no jogo com a Académica (da 20ª jornada) para apoiarem a equipa e expressarem a sua adesão ao estado de luto em que se encontrava o futebol nacional. Pela voz do presidente José Roquette, o Conselho Diretivo anunciou a colocação da bandeira do Sporting a meia haste e a adoção de sinais institucionais em todas as modalidades que traduzissem a situação de luto decretada. Num comunicado divulgado na mesma ocasião, o Conselho Diretivo recordou os erros da arbitragem em Chaves e pelo menos os 10 pontos de que o Sporting já se vira privado neste Campeonato. Registou a admissão honrada pelo árbitro Jorge Coroado (com a famosa referência à azia) de poder ter cometido erros que terão prejudicado o Sporting, mas salientou que apesar disso as consequências dessas falhas não eram reparáveis. O Conselho Directivo manifestou ainda profundo apreço pelo comportamento da equipa de Futebol tanto nos planos desportivo como disciplinar, e sublinhou a elevadíssima competência e dedicação da equipa técnica chefiada por Mirko Jozic.

Nesta partida frente à Académica as bancadas eram uma imensa escuridão. Nos céus de Lisboa, milhares e milhares de balões negros. O Sporting triunfou por 5-0 com 2 golos de Acosta (os seus primeiros pelo clube). Marcaram ainda Beto, Edmilson e Simão.

Na realidade esta equipa do Sporting de 1998/99 praticava futebol de excelente qualidade. Mirko Jozic montou uma equipa de muito bom nível que, no entanto, se viu prejudicada vezes sem conta num Campeonato que constituiu uma verdadeira mentira.

Os efeitos deste luto, valha a verdade, não se fizeram sentir. Após o empate em Campomaior (0-0), no jogo seguinte do Campeonato, e após mais uma atuação infeliz de um árbitro (Isidoro Rodrigues – que permitiu que o defesa local Quim Machado fizesse uma defesa com as mãos como se de um guarda-redes se tratasse sem marcar a obrigatória grande-penalidade e sem punir disciplinarmente o infrator), o ex-portista Rui Jorge afirmou que nunca na vida se tinha sentido tão prejudicado como em 17 dos 21 jogos jogados até agora para o Campeonato Nacional… Sintomático.

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