16 de Março de 2026. Pavilhão Municipal de Albufeira.
A equipa masculina de Voleibol do Sporting Clube de Portugal venceu o SL Benfica (3-2) e conquistou, na tarde deste domingo, a 6ª Taça de Portugal do seu palmarés.
Depois da Supertaça no arranque de 2025/2026, a “prova rainha” foi já o 2º troféu dos leões de João Coelho nesta temporada.
Numa final épica, disputada literalmente até ao último ponto, os verdes e brancos foram mais felizes e fecharam, de forma perfeita, um fim-de-semana onde nem sempre existiu inspiração, mas jamais faltou espírito de superação.

Os verdes e brancos subiram à quadra com Edson Valencia, Jonas Aguenier, Sergey Grankin, Lourenço Martins, Kelton Tavares, Jan Galabov e o líbero Nicolas Perrén e o Sporting CP foi liderando os primeiros parciais pela margem mínima. As águias saltaram para a frente no 4-3, mas Lourenço Martins rapidamente restabeleceu a igualdade e Kelton Tavares, com um ás, devolveu a vantagem aos leões. O equilíbrio continuou, contudo, a marcar o ritmo do encontro, com as duas equipas a pontuar sobretudo em side-out e o bloco de Lourenço Martins e Kelton Tavares a aparecer em bom plano (11-10).
Com tudo igual no marcador na fase intermédia do set, o Sporting CP pecava maioritariamente no serviço quando Kelton Tavares voltou a cravar um ás que devolveu a liderança aos Leões (19-18). Ainda no serviço do camisola 6, os verdes e brancos forçaram o erro adversário e alcançaram uma vantagem de 2 pontos, que Jonas Aguenier aumentou com um bloco providencial (21-18).
Porém, o técnico encarnado pediu um time-out que permitiu ao SL Benfica encetar uma recuperação (22-21). Lourenço Martins travou o ímpeto encarnado com um potente ataque, Jonas Aguenier voltou a aparecer no bloco para deixar os verdes e brancos a um ponto de fechar o set e Tiago Pereira entrou para selar o 25-22 final.

O Sporting CP entrou a vencer no 2º set (2-1), com Kelton Tavares novamente em destaque, mas o SL Benfica respondeu (3-7), explorando bem alguns problemas verdes e brancos na recepção e na construção ofensiva. Jonas Aguenier, com um toque subtil na rede, ainda reduziu (4-7), mas com as águias melhores no encontro (4-9), João Coelho pausou o jogo.
Sergey Grankin, com um toque artístico que apanhou desprevenida a defensiva encarnada, fez o 5-9 na bola de retoma e também Jan Galabov, a fazer uso da sua força característica, atacou para o 6-10.
O SL Benfica parecia mais confortável e ia gerindo a margem (8-12) quando Kelton Tavares subiu ao 2º andar para, com um bloco, reduzir novamente a diferença (9-12). Com o Sporting CP finalmente a crescer no jogo, Edson Valencia lançou mais um ataque imparável (12-13) e, com o bloco a funcionar, os leões empataram – o que levou o banco encarnado a pedir novo time-out. De pouco valeu, já que o Sporting CP ia embalado e, a forçar o erro adversário, consumou mesmo a reviravolta (14-13).
O jogo entrou então num novo registo de liderança repartida (16-16) até que o SL Benfica conseguiu criar nova almofada de dois pontos (16-18). Com uma falha encarnada no serviço, os verdes e brancos voltaram a colar-se e a diferença mínima foi-se prolongando com o avançar do set (18-19). As águias ainda tentaram disparar (18-21), mas os leões reagiram (21-21) e a incerteza manteve-se.
Com a raça e alma habituais, o Sporting CP agarrou a liderança (22-21) e, apesar de o SL Benfica ainda ter empatado, Lourenço Martins voou imparável para o 23-22 e depois para o 24-22. Com o 2-0 na mão, os leões precipitaram-se e desperdiçaram 2 set points (24-24). Já nas vantagens, e depois de uma disputa intensa, a sorte sorriu aos encarnados, que fecharam o parcial por 26-28 e empataram o jogo.
O Sporting CP entrou a ganhar o 3º set (2-1), beneficiando de duas falhas dos rivais no serviço, e com Kelton Tavares a fechar bem de um lado e Jan Galabov do outro chegou rapidamente ao 4-1, margem que foi prolongando (8-5). Contudo, uma sequência de erros não forçados permitiu ao SL Benfica uma aproximação provisória (8-6), que os leões sacudiram numa boa sequência de serviços de Lourenço Martins (10-6). Sergey Grankin, imperial no bloco, fez o 11-7 e foi também através de uma defesa sólida na rede que os leões aumentaram a vantagem para 5 pontos (12-7).
O russo apareceu em destaque nesta fase e, a servir bem, obrigou o SL Benfica a esforços redobrados. No bloco, Kelton Tavares e Jan Galabov também surgiam em crescendo (15-9) e o Sporting CP galvanizou-se. O zona 4 checo voou para mais um ponto, colocando os verdes e brancos a 7, e Edson Valencia surgiu com 2 pontos consecutivos a encaminhar os leões para um aparente rápido fecho de set (18-10).
Apesar de os encarnados ainda terem esboçado uma reacção (18-12), tudo corria bem aos pupilos de João Coelho (20-21), que conduzidos por Jan Galabov e Lourenço Martins pareciam encaminhados para fechar o 2-1. O SL Benfica, porém, voltou a criar dificuldades na recepção leonina e encarrilou uma sequência muito positiva (22-19) que obrigou João Coelho a pedir pausa técnica.
Moralizados, os encarnados reduziram a diferença pouco a pouco (23-21) e, a defender melhor, obrigaram os leões a aparecer no seu melhor nível para, com um ataque de Edson Valencia, alcançar o set point (24-21). Nessa fase, o SL Benfica ainda ameaçou (24-23), invocando os fantasmas do set anterior, mas Lourenço Martins fechou mesmo o 2-1 com um remate fulminante para gáudio da ruidosa bancada pintada em tons de verde.

A correr atrás do resultado, o SL Benfica entrou melhor no 4º set (2-6), quando Edson Valencia surgiu para quebrar o bloco encarnado e fazer o 3-6. O venezuelano motivou os leões, que a defender de forma mais consistente e a pensar melhor o jogo conseguiram equilibrar a contenda e empatar as contas (8-8).
O SL Benfica, porém, voltou a explorar algumas fragilidades na receção leonina e cavou nova vantagem (10-13), que Sergey Grankin ainda tentou suster (11-13), mas sem grande impacto (11-15). Os encarnados seguiam lançados e, com os níveis de eficácia do serviço a baixar, os leões iam tendo dificuldade para travar o rumo que o set tomava (14-18).
Apesar de Jan Galabov ter voado com tudo para o 15-19, o SL Benfica entrou na casa dos 20 pontos e começava a cheirar a ‘negra’ em Albufeira. João Coelho parou o jogo, o Sporting CP ainda aproximou (19-21), mas os encarnados aproveitaram o menor índice de eficácia dos leões para fechar o parcial em 21-25.

No set decisivo, a dar o tom para aquilo que se seguiria, o 1º ponto começou disputado e longo. Caiu para o lado do SL Benfica, que no serviço concedeu o empate (1-1). As águias foram mais fortes nesta fase do encontro, enquanto o Sporting CP denotava dificuldade em ultrapassar o moralizado conjunto encarnado (4-8).
Os leões não desistiram e Kelton Tavares, com uma cravada, reduziu para 3 de diferença (5-8), aparecendo também na rede para bloquear uma ofensiva encarnada e fazer o 6-8. Mais consistente, o SL Benfica defendeu-se bem (7-10), mas os verdes e brancos continuavam a dar tudo em cada bola (8-10).
Num dérbi intenso e bem disputado, tal como esperado, e que podia ter caído para qualquer um dos lados, o Sporting CP conseguiu reduzir a diferença com um excelente serviço de Edson Valencia (11-12) e Jan Pokeršnik respondeu de imediato com um ataque importantíssimo (12-13).
O esloveno voltou a brilhar no momento certo para empatar tudo a 13-13 e, com os nervos à flor da pele e muita emoção, o Sporting CP deu a volta ao marcador (14-13). O SL Benfica, porém, voltou a deixar tudo igual e o jogo entrou na sua fase decisiva. Numa luta titânica pelo troféu, a indefinição estendeu-se, com o Sporting CP a desperdiçar 3 match points (17-17).
Os encarnados, a servir para ganhar o jogo, também desperdiçaram a vantagem e, de match point em match point (21-21), ficava cada vez mais evidente que seriam uma pitada de sorte e o talento individual a decidir a partida. E foi o de Kelton Tavares, decisivo no bloco final, a fazer o jogo pender definitivamente para os leões, que fecharam o 5º set por 23-21 e voltaram a erguer uma muito ambicionada e festejada Taça de Portugal.

A equipa: Tiago Pereira [C], Jan Galabov, Sergey Grankin, Kelton Tavares, Edson Valencia, Li Yongzhen, Gonçalo Sousa [L], Tiago Barth, Jonas Aguenier, Jan Pokeršnik, Armando Velasquez, Nicolas Perrén [L], Mads Jensen e Lourenço Martins. Treinador: João Coelho.
Em declarações à Sporting TV, e após conquistar a sexta Taça de Portugal da história do voleibol verde e branco, João Coelho e os seus jogadores mostraram-se naturalmente felizes e orgulhosos.

“Eu gosto é de ganhar, com maior ou menor dificuldade, mas fica mais uma vez o exemplo de que esta equipa não vira a cara à luta. Pensamos o jogo a cada ponto e o grupo está de parabéns: quem me secundariza no staff e todos estes jogadores. Ninguém lhes vai nunca dizer que não é possível. Mesmo estando a fazer algumas asneiras durante o jogo, mesmo com menos clarividência em algumas ações, podendo melhorar muito, porque recuperando o 5º set estragámos muito serviço, estou profundamente satisfeito porque esta equipa dá sempre tudo aquilo que tem e tem competência para chegar a estes momentos e decidir.

Isto pode cair para qualquer um. O SL Benfica é uma grande equipa, isto é um dérbi, com muitos momentos de emoção e tensão elevada. A equipa nunca deu uma bola por perdida, qualquer que fosse o resultado. Não posso deixar de estar satisfeito, mas a época não acabou. Os play-offs vão começar agora, a parte mais importante da época. Isto vai galvanizar-nos, galvaniza os adeptos, consolida um projeto que leva 3 anos. Portanto, muito satisfeito.”

Tiago Pereira, capitão de equipa:
“Em primeiro lugar, agradecer a esta massa adepta, que hoje veio forte e em grande número para nos ajudar. É um título que nos fugiu o ano passado e que tínhamos como grande objetivo recuperar esta época. Foi um jogo muito bem disputado, definido nos detalhes e que podia ter caído para qualquer lado. Agora, no último set, houve vários match points para cada lado e o SL Benfica é um digno vencido.
Quero mandar um beijinho lá para casa, para a minha mulher, para a minha filha e para o outro filho ou filha que vem aí, mais um sportinguista.
Esta equipa trabalha muito. Se calhar é a melhor equipa que me lembro de ter no Sporting CP em termos de foco, trabalho e dedicação e tem sido uma constante ao longo da época. O 1º lugar na fase regular já não acontecia há muito tempo e demonstra isso. Temos tudo para ser ainda mais felizes daqui para a frente, falta um troféu e nós queremos muito ir buscá-lo e conquistar o triplete esta época.”

Jan Galabov
“Sinto-me exausto, é a única palavra que me ocorre no momento (risos). Acho que jogar estes jogos difíceis, especialmente perante o SL Benfica, pode dar-nos sempre mais confiança. Por isso, espero e acredito que com todo este trabalho árduo vamos ter sucesso nos play-offs também.
Foi um jogo muito duro, incrivelmente equilibrado, e acho que a sorte e Deus também contaram.”

Jan Pokeršnik
“Estou muito feliz pela vitória, ainda me estou a habituar a vencer tantos troféus numa única temporada, mas espero que consigamos também o próximo. A chave do triunfo foi lutarmos até ao final, com mais emoção. Acho que eles também mereciam vencer, mas fomos melhores.”

Jonas Aguenier
“Disse que se ganhasse todos os títulos pelo Sporting CP falaria em português e agora preciso de o fazer (risos). Estou muito feliz, muito cansado, mas foi um jogo incrível. Não foi o meu melhor jogo a nível individual, mas saber que todos os meus colegas podem entrar em campo e jogar é fantástico.”

Sergey Grankin
“Toda a gente está feliz e eu também estou feliz, sou feliz no Sporting CP. Não foi talvez o nosso melhor jogo, mas acho que não precisamos de pensar nisso agora. Vencemos o título, toda a gente fez o seu melhor e isso é o mais importante.”

Lourenço Martins
“Inacreditável como fomos buscar esta negra. É também reflexo do trabalho que fazemos, não dar um jogo por perdido. Agradecer a esta malta toda que veio, é inacreditável a quantidade de sportinguistas que se fizeram ouvir e no final foram determinantes.
Dar também os parabéns aos vencidos, foram um ótimo adversário, como têm sido sempre. Sabemos o que queremos, sabemos que ainda há um Campeonato para ganhar, mas hoje é dia de festejar e vamos fazer isso.
Queremos muito que os Sportinguistas continuem a vir, queremos muito estar nestes momentos. Sabemos a exigência que é estar no Sporting CP e nós queremos continuar a ganhar troféus frente aos sportinguistas, seja onde for.”

Nicolas Perrén
“Muito feliz, não há palavras. Depois de um jogo tão intenso e longo, custa-nos ainda falar, respirar, estamos com a pulsação acelerada, mas estamos muito felizes. Trabalhamos para estes momentos.”

Kelton Tavares
“A equipa chegou a uma altura em que era preciso toda a gente dar um passo à frente, subir o nível, porque ou era sacrifício máximo ou não conseguíamos o resultado. Fiquei muito feliz porque nenhum de nós deixou de acreditar. Estávamos todos conscientes de que éramos capazes de virar o set, apesar da diferença muito grande, e ninguém deu o jogo por acabado.
Muito feliz pela forma como conquistámos este título, e agora é descansar, celebrar. Acho que nós merecemos muito isto.”

Armando Velásquez
“Muito satisfatório porque isto é produto do trabalho que fazemos diariamente. Estou feliz, dedico isto à minha família, à minha mulher e à minha filha, e a todo o Sporting CP.”

Li Yangzhen
“É o meu 1º título em Portugal e estou muito feliz. Senti que a nossa equipa foi melhor. Temos um bom treinador e bons jogadores e vencemos.”

Edson Valencia
“Foi tão duro como estávamos à espera. Já estávamos prontos porque é pouco usual os dérbis não terem esta intensidade. Estou muito feliz por, juntamente com a equipa, dar um espetáculo merecido aos nossos adeptos. Foi incrível estar tanta gente num pavilhão tão distante de Lisboa. Estamos muito orgulhosos e temos energia para mais 2 ou 3 jogos (risos).
O mais importante é não deixar de acreditar, porque trabalhamos muito forte no dia a dia. Em momentos críticos é quando é preciso lembrar todo o trabalho que fazemos diariamente: muitos treinos, muita união. Temos um grupo com muita alegria e nota-se que conseguimos dar reviravoltas, acreditar uns nos outros e puxar uns pelos outros para atingir os objectivos.
Também a nível pessoal tinha uma dívida com a equipa porque não nos conseguimos apurar, por isso estou naturalmente muito satisfeito.”

Tiago Barth
“É um sentimento de dever cumprido e muita alegria por ver o que esta equipa tem vindo a construir. Mesmo nas dificuldades permanecemos juntos, e também com o apoio dos adeptos, que foi incrível. Apoiaram-nos o tempo inteiro. Há aquela frase de que ‘nós jogamos sempre em casa’ e hoje sentimos isso.
A equipa adversária também sente. Parecia que estávamos a jogar no Pavilhão João Rocha, mesmo longe de casa.”

Mads Kyed Jensen
“Sinto-me muito bem. Acho que foi um jogo incrível e parabéns também ao SL Benfica, porque o jogo foi muito equilibrado. Estamos muito felizes pela vitória.
Jogámos unidos e o Kelton [Tavares] esteve incrível no bloco e no serviço, mas foi uma vitória da equipa. Espero vencer também o campeonato.”

Pedro Abecasis
“Estivemos muito bem, foi um jogo muito bom contra o nosso rival e tivemos mais garra no fim. Foi isso que fez a diferença para conseguirmos ganhar. Sabe muito bem ter esta medalha ao peito, um título que não tínhamos vencido no ano passado e sabe-nos muito bem.”
Gonçalo Sousa
“Todos os momentos que fomos amealhando ao longo desta época, que já vai longa, ajudaram-nos um bocadinho hoje. Tivemos um bocadinho de sorte, de querer também, e acho que a nossa qualidade, por termos passado por esses adversários e pelo contexto que vivemos esta época, ajudou. Por isso é importante continuarmos nestes palcos, a jogar estas finais, para quando chegarmos a estes momentos decisivos conseguirmos dar sempre mais.
Sentimos o apoio desde o aquecimento e não apenas nos momentos finais. Essa presença é extremamente importante para nós e queria deixar-lhes essa palavra de agradecimento, porque foram definitivamente mais um.
Estes 2 títulos deixam-nos com boas perspectivas e vamos continuar a trabalhar para o próximo também. Espero que haja energia para festejar durante muito tempo, porque não se ganha todos os dias.”

NOTA – Texto baseado no site sporting.pt

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